The Legion of Merit – agradecimento

Exmo Sr Gen Div Luiz Guilherme Terra Amaral – Comandante da 5ª Divisão de Exército; Exmo Sr Phillip Chicola, Ministro-Conselheiro da Embaixada dos EUA; Sr Coronel Brian Butcher, Adido da Defesa e do Exército dos EUA; Sr Tenente-Coronel Brian Magnauthon, Adjunto do Adido do Exército dos EUA; Srs Oficais do Estado-Maior da 5ª Divisão de Exército; queridos parentes e amigos; senhoras e senhores.

29 de outubro de 2007. O dia de hoje passa a ser uma data importante para mim. Cabe-me agradecer aos que tornaram este momento possível e àqueles que o fazem ainda mais especial. Sou grato aos meus parentes, cuja presença me é muito significativa. Na verdade nossa família é grande demais para caber neste salão o que obrigou-me a convidar somente os mais próximos. Minha gratidão aos amigos Sônia e Carlos Borges Cano que vieram lá do Guarujá para, mais uma vez, trazer o seu abraço fraterno. Meu agradecimento ao General Terra Amaral pela presença, sua e de seus oficiais, o que muito me honra.

Devo lhes confessar que sempre que cruzo os portões deste quartel-general, por alguns instantes minha alma volta a ser de Aspirante e de 2º Tenente . Vejo-me no início dos anos setenta, na invernada do Pinheirinho, participando de exercícios de patrulha, tiro, lançamento de granada, pista de ação e reação, pista de cordas e tantos outros. Naquela época não havia este quartel-general, nem nada mais, além de campos e matas. Curitiba ficava distante. Lembro que fazíamos uma marcha a pé desde o Boqueirão para aqui montar acampamento e executar os exercícios de final da primeira fase da instrução dos nossos soldados. Vir a este quartel-general, recorda-me os meus primeiros passos como oficial do Exército Brasileiro.

Senhor Ministro Phillip Chicola, senhor Coronel Butcher e senhor Tenente-Coronel McNaughton: suas presenças neste salão fazem com que meu pensamento retorne a um passado bem mais recente, para os anos de 2004 e 2005, quando desempenhei o honroso cargo de Adido Militar junto à nossa embaixada em Washington. Tive o privilégio de viver na bela capital dos EUA e, graças ao governo norte-americano, de visitar boa parte do seu grande país e de conhecer o seu Exército, reconhecidamente poderoso e dotado do que há de mais moderno e sofisticado. Participei das negociações para a nossa missão no Haiti, do planejamento e da execução de duas visitas do Comandante do Exército Brasileiro ao Pentágono, à sede ao ONU e ao General Schoomacker, Chefe do Estado-Maior do Exército Norte-dos EUA. Em toda as missões, contei com o competente apoio de oficiais norte-americanos.

Suas presenças fazem-me relembrar dos meus últimos passos como oficial do Exército Brasileiro. A convergência do início e do fim de minha carreira no Exército permitiria construir uma ponte imaginária, ligando o Pinheirinho a Washington.

Não vou, sob pena de receber um cartão vermelho do General Terra Amaral, relatar como atravessei essa longa ponte. Basta, para resumir, dizer que durante toda a travessia meus pensamentos e ações, como os de qualquer soldado, sempre tiveram por farol o Exército e a Pátria. Nunca tive dúvida de que a força de um exército está na alma dos seus soldados.

No cargo de Adido, pude perceber o mesmo sentimento nos militares norte-americanos. Constatei que não é o moderno equipamento o real motivo de seu Exército ser forte. Tal como aqui, sua força se baseia na alma dos seus soldados. Temos, militares de ambos os países, os mesmos ideais de defesa da Pátria e do nosso povo. É por esse motivo que nossas Forças Terrestres têm mantido excelente relacionamento ao longo da história. Dispensamos palavras. Para nosso entendimento, um gesto basta. O gesto de entregar-me esta condecoração, substitui qualquer discurso. Sei que foi concedida de soldado para soldado. Portanto, de coração. Assim, no coração ela será guardada.

Para finalizar e para não pensarem que um general da reserva só pensa no passado, confesso ser um otimista quanto ao relacionamento entre as nossas grandes nações. Existem inúmeras razões para otimismo. Nossos países são grandes, ricos, culturalmente ocidentais, cristãos, formados por imigrantes de diferentes origens que, por isso mesmo, aceitam as diferenças étnicas e religiosas. Temos a democracia como fundamento político-institucional. Possíveis conflitos nos campos político e econômico sempre existirão. Mas são pontuais e conjunturais. Nada que a inteligência e o preparo dos diplomatas de ambos os países não consiga resolver. Assim sempre foi… Assim sempre será…

Mais uma vez, transmito a minha gratidão por tornarem este 29 de outubro uma data inesquecível para este velho soldado. Pela condecoração que acabo de receber e pela presença de cada uma das senhoras e dos senhores, o meu muito obrigado.

Curitiba, 29 de outubro de 2007

General Hamilton Bonat<-->