Medalha Tenente Max Wolff Filho

Peço licença às autoridades e a todos os convidados para dirigir-me àqueles que, verdadeiramente, nos fazem estar aqui no dia de hoje. Permitam-me falar às pessoas mais importantes presentes nesta cerimônia, a este punhado de bravos, que portam, altivos, suas boinas e suas medalhas, a quem, respeitosa e carinhosamente, chamamos de pracinhas.

Senhores Pracinhas!
Vocês não estão sós. Podemos sentir a presença de mais de 1.500 dos seus colegas paranaenses. Percebemos, ainda, muito mais gente ao seu redor, brasileiros de todos os rincões. Juntos, os senhores somam 25.334 pessoas. Parece que todos os que partiram para a Itália vieram comemorar.

Valorosos Pracinhas!
Somente vocês sabem o frio que passaram, a saudade que choraram e o medo que sentiram. Só vocês, mais ninguém, muito menos aqueles que estavam nas trincheiras opostas, pois era preciso lhes mostrar, a qualquer preço, que não existe raça superior ou inferior.
Só os senhores testemunharam a tragédia que punhos cerrados, sinistros punhos cerrados, haviam espalhado pela Itália, por toda a Europa e por boa parte do mundo.

Só vocês podem avaliar o quanto lhes custou chegar àquele 8 de maio de 1945, dia em que a notícia da vitória espalhou-se, feito nuvem de felicidade, por suas desconfortáveis trincheiras. Vocês acabavam de ajudar a Europa e o mundo a se ver livre de líderes totalitários que, com seu punho cerrado, haviam espalhado destruição e morte.

Só vocês, ninguém mais, experimentaram o sabor daquele momento único, triunfal, inesquecível, de novamente pisar o solo pátrio!
Só vocês, pracinhas paranaenses, vivenciaram a angústia de saber que um conterrâneo, o Sargento Max Wolff Filho, havia tombado. Vocês, mais que os outros, orgulham-se da coragem e da bravura, que levaram-no ao sacrifício supremo, em prol do ideal de liberdade.

Pois saibam que comungamos do mesmo sentimento. Nós e também o Exército, que o homenageou de várias formas, entre elas, denominando Sargento Max Wolff Filho a Escola de Sargentos das Armas, em Três Corações, e o 20º Batalhão de Infantaria Blindado, o tradicional 20 RI, ou simplesmente o 20, da nossa querida Curitiba.

Os senhores e a sua Legião Paranaense do Expedicionário também manifestam o seu reconhecimento àquele valoroso conterrâneo, concedendo, no Dia da Vitória, a medalha que leva o seu nome.

Neste ano, coube a nós o imenso privilégio de recebê-la. Quero, em nome de todos os agraciados, apresentar-lhes a nossa mais profunda gratidão, aos senhores e à Dra Valderez Archegas Ferreira, que, como Presidente desta Casa, dignifica a memória do seu saudoso pai, o Coronel Pérsio Ferreira, para os senhores, o Tenente Pérsio, admirável líder no teatro de operações italiano.

Esta medalha, afixada junto ao nosso coração, nele ficará eternamente guardada, como eterno é o legado de coragem dos senhores para todas as gerações.

Tê-la recebido diante deste verdadeiro monumento à paz, erguido e mantido com muito carinho e zelo pelos senhores, e cuja suntuosidade espelha a sua importância para nossa cidade e para o nosso país, é motivo de inenarrável emoção.

Esta edificação existirá para sempre, em consagração a 25.334 jovens brasileiros que atravessaram o Atlântico, para, com o seu generoso sangue, assinar o tratado de paz.

Nós os cumprimentamos. Nós lhes agradecemos.
Parabéns!
Muito obrigado.
Gen Hamilton Bonat (08Mai2014)