Artigos de ‘Segurança Nacional’ Category

AMAN, nous sommes contents de vous!

19/12/2011 por bonat

“Soldats, je suis content de vous!” Paulo Chagas, com a rapidez da sua cavalaria, arremessou-nos com voz firme, reverberada por todos os cantos do imponente auditório acadêmico, até a aula do Coronel Panizzutti. Professor de oratória, ele valia-se de Napoleão para nos revelar os segredos daquele notável soldado-orador no uso das palavras para conquistar mentes e corações.

A partir daí, ao percorrer as linhas da sua bela alocução, Chagas folheou o livro de um tempo vivido há mais de quatro décadas. Sua voz continuou firme, por vezes embargou, mas não o impediu de chegar a 18 de dezembro de 1971. Na mesma toada com que a emoção tentava lhe derrubar, gotas de lágrimas teimavam em umedecer os olhos de todos. Mas, valentes, também conseguimos chegar juntos ao objetivo: o 18 de dezembro daquele ano longínquo.

Antes de a reunião encerrar, convidados a entoar a canção da Academia, enchemos os pulmões. Queríamos, como nos anos setenta, fazer tremer aquelas paredes e os valores que elas representam e preservam. Dessa vez, porém, fracassamos. Embora tentássemos, já no segundo verso as lágrimas uniram-se e, traidoras, viraram cachoeira. O hino, que era para ser de milhões de vozes, reduziu-se a um murmúrio. Que nos desculpem as vetustas paredes. Dessa feita, seus bravos cadetes não conseguiram fazê-las vibrar. Derrotou-nos a emoção.

Fomos para Resende, vindos dos mais remotos brasis, como filhos em busca do aconchego materno. Irmanados, embora distantes, desejávamos matar saudade da velha mãe. Não só dela, mas dos nossos irmãos e da nossa juventude. Sentíamo-nos obrigados a prestar-lhe contas após tantos anos decorridos, pois a sabemos exigente, não apenas com os filhos, mas também consigo mesma.

Fomos surpreendidos pelo rejuvenescimento daquela Senhora de 200 anos. Diante dela, parece que só quem envelheceu fomos nós, embora sejamos ainda sessentões.

Reencontramo-nos não só para rememorar tempos idos, seus personagens, seus fatos, seus desafios. Valho-me novamente do amigo Paulo Chagas: “Reencontramo-nos num lugar onde fomos abrigados, acolhidos, protegidos, instruídos, desafiados e testados. Numa casa que não é apenas uma casa, tampouco uma simples Academia Militar, mas, por sua importância em nossas vidas, pela maneira especial com que forjou nosso caráter, nossos sentimentos e nossos corações, deve ser e é vista e sentida por nós como uma entidade materna, digna do nosso mais puro amor e da nossa eterna e sincera gratidão”.

É justo manifestar o nosso agradecimento e homenagem aos companheiros de turma e aos atuais integrantes da Academia Militar das Agulhas Negras, que se esmeraram para nos proporcionar momentos de inenarrável emoção. A eles e à sempre jovem bicentenária Academia, parodiando Bonaparte, queremos proclamar: “Nous sommes contents de vous!”

Por fim, já que o “content” de Napoleão tem o significado de orgulho, permitam-nos acrescentar, com o coração vibrante de jovens Aspirantes da Turma Marechal Castello Branco: “Nous sommes contents de nous mêmes!”

A mensagem das montanhas

05/12/2010 por bonat

As FARC não perderam tempo. Já em 01 de novembro, mãos que sequestram e matam largaram por alguns minutos o fuzil para saudar nossa primeira Presidente. Com uma coerência bolivariana, chamaram-na de compatriota. Calçaram luva branca de diplomata para falar de paz e de uma saída política para a crise da Colômbia. Em seguida, com as mãos já desnudas, empunharam novamente as armas, argumento não tão pacífico com que buscam pôr fim à democracia em seu país.

Não sei se a candidata vitoriosa tomou conhecimento. Acredito que não, caso contrário já teria manifestado seu repúdio aos fornecedores das drogas que vêm sepultando o futuro da nossa juventude. Mas o texto está no site da ANNCOL, Agência de Notícias Nova Colômbia, para quem quiser ler. Eles buscam com o site conquistar simpatizantes. Penso que, em breve, postarão mensagem autoenaltecendo o caráter social do seu movimento. Dirão que, ao passarem a produzir crack, democratizaram o uso da droga, tornando-a acessível a todas as classes, e não só aos garotos de Ipanema e do Leblon.

Não me preocupo com o que é divulgado por milhares de páginas que circulam pela internet. Essas, ao menos, são visíveis. Você acredita se quiser. Preocupam-me, isto sim, as redes invisíveis, usadas pelos chefões para se comunicar. Elas não chegam aos morros. Aqueles traficantes que assistimos fugindo do Complexo do Alemão não têm acesso a elas. Eles, de certa forma, são vítimas, que fazem outras vítimas com requintes de crueldade. Mas ninguém deve se iludir. Os barões da droga não estão nos morros. Estão nas montanhas.

“Não deixem atrapalhar nosso negócio”, deve ter sido a ordem transmitida em código, nos últimos dias, das montanhas colombianas para as brasileiras.

Portanto, a ação policial, até agora aplaudida, corre sério perigo. Risco ainda maior será do Exército, o mais recente convocado para a batalha. Quando surgir a primeira vítima, já antevejo as manchetes: “suposto traficante é assassinado por militares”. Apesar de armado até os dentes, o falecido passará a ser um “suposto”, e alguém de farda responderá longo e desgastante processo na justiça. Nem quero pensar na repercussão que terão as baixas de inocentes, um dos indesejáveis efeitos colaterais de qualquer guerra.

Tem-se notícia de que soldados que vivem na favela vêm sendo ameaçados por alguns “supostos”. Também pudera! Pelo que ganham, já deveriam ter mudado para o desconforto dos quartéis. É o que alguns estão fazendo. Mas quem protegerá suas famílias?

Leite materno – beba sem moderação

27/07/2010 por bonat

Levantamentos recentes revelam que a juventude brasileira bebe cada vez mais precocemente e em maior volume. Os marqueteiros sabem aproveitar a principal característica da adolescência – a insegurança – e aliam o consumo de bebida alcoólica ao esporte, apresentando-os como a grande fórmula para a saúde e a felicidade. É uma realidade que preocupa, pois sabemos que o álcool é a porta para outras drogas mais pesadas, lícitas ou não. A frase “beba com moderação”, ao final das propagandas de cerveja, embora represente um avanço da nossa legislação, é esquecida logo após o primeiro gole e soa quase como um deboche quando comparada à atraente peça publicitária que a antecedeu. Se estivesse escrito “beba sem moderação”, o efeito seria o mesmo. Na verdade, nossa sociedade está perdendo a guerra para os adolescentes.

Vitórias mesmo têm sido alcançadas na conscientização sobre a importância da amamentação materna. Até o final do século XIX, os filhos da nobreza europeia eram sustentados pelas amas de leite; os da plebe, com leite de vaca. Na mesma época, no Brasil, os bebês da casa grande dispunham de escravas para amamentá-los. Mesmo com a descoberta de novas medidas de higiene, pouca coisa mudou, pois as crianças da nobreza passaram também a ser alimentadas com leite de vaca. Nem era preciso ter ido tão longe. Dia desses, minha sogra mostrou-me a caderneta de bebê que recebeu na maternidade após dar a luz à minha mulher. Patrocinada pelas “mamadeiras Pyrex”, em sua capa está estampado: “O que toda mãe deve saber sobre a alimentação do bebê”. Claro que nada consta sobre amamentação materna e sim sobre as vantagens do uso da mamadeira.

Essa situação perdurou até pouco tempo. Nos últimos anos, felizmente, ela tem mudado. A legislação, criando, entre outras coisas, a licença-maternidade, tem-se mostrado uma aliada dos pediatras. Na mesma direção está a iniciativa de várias empresas de instalar berçários e salas de amamentação nos locais de trabalho. Exemplos, como o da Dra Zilda Arns, de como o problema da mortalidade infantil pode ser minimizado com medidas simples e baratas, das quais a mais eficaz é a amamentação materna, têm contribuído para a conscientização das mamães.

O Guia Alimentar para crianças menores de 2 anos, publicado em 2002 pelo Ministério da Saúde, é bem claro em sua orientação: “Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento. A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. A partir dos seis meses, dar alimentos complementares três vezes ao dia se a criança receber leite materno e cinco vezes ao dia se estiver desmamada”.

Entretanto, é preciso avançar mais. Todas as classes sociais têm que ser sensibilizadas. Talvez alterando alguns ditos populares, como trocando o “Quem pariu Mateus que o embale” por “Quem pariu Mateus que o amamente”, ou, ainda, obrigando a constar nas embalagens de produtos destinados a lactentes, e nas cadernetas de saúde e álbuns de bebês, a frase “Leite materno – beba sem moderação”.

Ora, se o leite de vaca é bom para o bezerro, o da ovelha, para o cordeiro, é óbvio que, para humanos, o ideal só pode ser o leite humano. Mesmo o da mais famélica das mães constitui a única fonte completa para o desenvolvimento de filhos saudáveis e inteligentes. Mas até essa obviedade precisa ser mais divulgada. Quem sabe algum dos nossos mundialmente reconhecidos marqueteiros não se habilita a ajudar? Fica aqui o desafio de um leigo que se preocupa com o assunto.

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Um gol bizarro

26/11/2009 por bonat

Quando a “bleu-blanc-rouge” marca, sua torcida grita “but”, com biquinho e tudo. Os franceses, até hoje ressentidos com a derrota em Waterloo, rejeitam qualquer palavra inglesa. Nós, ao contrário, abrasileiramos “goal”, que significa meta, objetivo. Não fosse isso, você, fanático torcedor, gritaria “metaaaa”, cada vez que o seu time do coração balançasse as redes. Seria bizarro.

Futebol é uma das muitas coisas que importamos (inclusive a palavra football) e é das poucas de que podemos nos orgulhar por termos aprimorado. Somos os melhores do mundo.

Fizemos aquilo em que japoneses e russos foram mestres. O Japão copiava, aperfeiçoava e miniaturizava. A União Soviética copiava e aumentava. Exemplos não faltam. O radinho transistor tomou o lugar do grandalhão valvulado. O gigante Tupolev Tu-114, o maior avião de passageiros do mundo, entrou em serviço nos anos 50. Como conseguiam isso? Estabelecendo metas para suas nações e investindo em pesquisa a fim de alcançá-las.

Uma das atuais metas da política externa brasileira é ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nossa projeção econômica e política mundial tem sido notória. É meio-caminho andado. Para percorrer a outra metade, torna-se fundamental o respaldo de um poder dissuasório à altura da dimensão estratégica que pretendemos ter. Ela, porém, não pode se limitar a forças armadas equipadas com o que há de mais moderno. Vai além. Precisamos dominar as principais tecnologias bélicas.

O que se tem observado, governo após governo, é um total e irresponsável menosprezo com a defesa da Nação. Se não tivesse havido, durante quase duas décadas, brutais cortes no orçamento da Marinha, é provável que já dispuséssemos do nosso submarino à propulsão nuclear. Seríamos hoje exportadores e não importadores dessa temida arma.

Outra meta, esta permanente, é a de assegurar nossa integridade territorial. Convém lembrar que as sociedades que atingiram elevado nível de vida consomem imensa quantidade de recursos que não possuem. Elas dependem de matérias-primas, muitas das quais são encontradas em nosso território, uma razão a mais para darmos atenção aos assuntos de defesa.

Uma Nação que se deseja influente tem que dominar a tecnologia, que, por sua vez, depende de maciços investimentos em educação. Não adianta ser grande e continuar ignorante.
Neste ano da França no Brasil, uma curiosidade de milhares de olhos nos observam desde a Torre Eiffel. Talvez eles conheçam nosso potencial e nossas metas. Portanto, não conseguem entender (e até gostam disso) como ainda não as atingimos. Devem estar murmurando, agora sem biquinho: “c’est bizarre”. Tão bizarro quanto o gol que os classificou para a Copa da África do Sul.

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Entre aspas

15/08/2009 por bonat

Abro aspas. Muitos já ouviram essa frase e ficaram torcendo para que as tais aspas fossem logo fechadas e o discurso chegasse ao fim. Por ter escutado inúmeros deles, julgo que chegou a minha hora de abrir algumas aspas.
“É preciso levar em conta o passado de Sarney antes de condená-lo”. O autor é de todos conhecido. “Vossa Excelência tem que engolir e digerir como quiser suas palavras”. De autor também muito e tristemente famoso. “Esqueçam de mim”. Este ao menos foi sincero. Era o que todos queriam ouvir. “Os nacionalistas retrógrados são contra as privatizações” Epa! Nacionalista sou eu. Retrógrado não. Ele ficou rico. Eu não. “Todos são iguais perante a lei”. E os sem-terra? “A ministra Dilma possui o título de Mestre pela Unicamp“. Sendo condescendente, foi u’a mentirinha a mais, uma falha dos assessores de quem não lê o próprio currículo.
Por fim: “Foi o ano do Brasil na França. Agora é o ano da França no Brasil”. Quer dizer, a Força Aérea Brasileira terá que aceitar o Rafale (avião no qual nem os pilotos franceses confiam) e a Marinha receberá de presente a ultrapassada tecnologia naval francesa para produzir submarinos.
Se, no governo passado, o Exército foi obrigado a aceitar os complicadíssimos e ainda não testados em combate helicópteros Super Puma, por que Marinha e Aeronáutica ficariam de fora da invasão intelectual francesa? Mas intelectual não entende de avião, de submarino e de helicóptero. Não é demais lembrar que a França teve suas últimas conquistas com Napoleão, quando nada disso existia e os intelectuais se limitavam a pensar. A questão é: quem sairá ganhando? Respondo, agora sem aspas: logicamente que não serão as nossas Forças Armadas.
Respeito os francólilos de coração. Ao mesmo tempo, temo os de ocasião, pois seus interesses nem sempre se confundem com os do Brasil. Particularmente, eu preferiria que os franceses se limitassem a nos mandar seus queijos e vinhos. Aí, estaria aqui mais um francófilo bradando entre saborosas aspas: “Vive la France”!
A Rússia assimilou da França uma ideologia que ela mesma, a França, nunca chegaria a implementar, e virou uma sucata conhecida como União Soviética. Nosso caso é ainda mais grave. Além da ideologia, estamos importando tecnologia, ambas caducas e ultrapassadas ou, se preferirem, demodés. Antes de encerrar, julgo conveniente avisar aos desavisados que ninguém é bobo de transferir seu avanço tecnológico mais recente.
Termino aqui o meu discurso. É possível que você não tenha concordado. Mas, ao menos, ele foi curto. Curto e sincero.

Uma tal Capitão Carla

30/06/2009 por bonat

Por que não “Uma certa Capitão Carla”? Porque Fernando M. Lopes – a quem, infelizmente, não conheço – assim já intitulara um artigo seu, parte do qual transcrevo: “Num País onde faltam heróis e sobram cafajestes, teimamos em ignorar os bons exemplos. Como sou mais teimoso ainda, vou falar de dois desconhecidos: a capitão médica Carla Maria Clausi e o cabo Ricardo. Sabem quem são eles? Certamente não, mas devem ter visto algo sobre o desabamento de uma escola de Porto Príncipe, em novembro, no qual mais de 90 pessoas perderam a vida. Foi um horror; sobreviventes estavam sob toneladas de escombros, sem muita chance de salvamento. O que fazer? Em desespero, os haitianos se lembraram dos brasileiros; chamados, eles enviaram uma equipe médica composta por soldados e fuzileiros navais. Foi a salvação de 4 crianças, de 6 a 7 anos de idade. A capitão médica Carla e o cabo enfermeiro Ricardo se esgueiraram pelos escombros, ignorando o perigo e, a muito custo, conseguiram salvar as crianças. As fotos são impressionantes. Mostram o grau de coragem de dois heróis que arriscaram a vida por pobres crianças. Desafiaram a morte não por glória, dinheiro, fama ou medalhas. O agradecimento das famílias levou os bravos soldados às lágrimas”.
Por que transcrevo isso? Primeiro, por tomar conhecimento, pelos médicos do Hospital Militar de Curitiba, de quem atualmente sou um paciente assíduo e onde a capitão Carla serviu, que ela é um ser humano extraordinário. Segundo, pelas também impressionantes fotos que recebi dos estafados integrantes do Para-Sar logo após terem concluído a delicada missão de resgatar, em plena floresta, 154 corpos de vítimas do acidente entre o Boeing da Gol (todo certinho) e o Legacy (fora da altitude programada) pilotado por americanos. Nenhum deles, nem a capitão, nem o cabo, muito menos o pessoal do Para-Sar, foi notícia. Segundo as más línguas, apenas cumpriram seu dever. Por isso, devem estar em paz consigo mesmo.
Agora, após o acidente do Air-Bus da Air France no meio do Atlântico, as equipes da Marinha e da Força Aérea tiveram mais visibilidade. Apareceram até no Fantástico. Ainda bem, pois foi um trabalho árduo. Apesar de todo o corte em seu orçamento, Marinha e Força Aérea, rapidamente, fizeram o que parecia impossível: deslocaram uma força-tarefa para Fernando de Noronha a fim de participar das operações de resgate. Mesmo sabendo que ganham menos do que um ascensorista do Congresso, comandantes e tripulações conduziram seus navios e aeronaves para a área da tragédia a fim de cumprir mais uma delicada missão. Tarefa com risco muito maior do que ser mordomo, a quem pagamos 12 mil reais por mês, da governadora filha do presidente do senado.

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Os guardiões do saber

15/05/2009 por bonat

Estudante de qualquer idade vira criança. Mesmo os militares, via de regra sisudos, tornam-se brincalhões quando estão na condição de estudante. Nem os alunos (cujos postos vão de major a coronel) da Escola de Estado-Maior do Exército escapam. Eles deram o pomposo apelido de “guardiões do saber” às duas estátuas de bronze que representam sentinelas à entrada da escola, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Até aí, nada de mais. A ironia fica por conta da dúvida que deixaram no ar: “aquelas sentinelas estão lá para não deixar o saber sair ou não deixar o saber entrar”?  Estou quase certo que você não achou graça. Piadas metidas a intelectuais são assim mesmo. É preciso estar de bom humor para rir. Perdoe-me, pois como ando com o humor em alta, penso que todos também estejam, o que é impossível.

A culpa é do meu velho Colégio Militar de Curitiba (CMC). Nos últimos trinta dias ele esteve na mente dos que, como eu, foram seus alunos. Em 21 de abril, comemorou cinquenta anos. Foi expressiva a presença de ex-alunos, em particular os da pioneira turma de 1959. Todos já sessentões, pareciam adolescentes ao se reencontrar, comprovando o poder de rejuvenescimento da escola. Fomos presenteados com uma cópia do nosso boletim escolar. A minha, por enquanto, ficará escondida na última gaveta da escrivaninha. Pretendo mostrá-la aos meus netos, mas só quando tiver explicações convincentes para algumas notas.

Em continuidade ao “mês CMC”, e para nosso orgulho, soubemos do seu êxito no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e na quarta Olimpíada Brasileira de Matemática.  Por fim, na terça-feira passada, assisti a uma palestra da professora Cláudia Regina Kawka Martins, por acaso do Colégio Militar. Ela nos presenteou, no Instituto Histórico e Geográfico, com uma excelente aula sobre a história dos sofridos imigrantes poloneses.

Antes de escrever este texto, pedi ao Comandante, Coronel Quintino, que revelasse qual o segredo do CMC. De tudo o que falou, eu resumiria dizendo que lá se busca a educação integral, pois, além dos aspectos cognitivos (ligados ao conhecimento), trabalha-se os psicomotores (ligados às habilidades físicas) e os afetivos (ligados a valores). Além disso, o Colégio dá atenção especial à motivação, à liderança e à autoconfiança dos seus alunos e investe na qualificação dos professores.

O CMC não possui em sua entrada estátuas representando sentinelas. Mesmo se lá estivessem, os “guardiões do saber” deixariam o caminho livre, pois não há sentinela que consiga impedir a passagem do patrimônio chamado “saber”. Parece que estudantes são normalmente bem-humorados porque têm consciência de que estão adquirindo um capital que ninguém poderá lhes tirar – o conhecimento. É mais uma razão para o sucesso do nosso Colégio cinquentão. A outra é o seu corpo docente, dedicado, preparado e exigente. Aí está – professores exigentes – um bom argumento a empregar quando for mostrar o meu boletim escolar aos netos.

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Basta de assalto a quartéis

09/05/2009 por bonat

É muito fácil entrar num quartel. Só quem tem alguma dificuldade são os generais. A guarda, para mostrar serviço, inspeciona a viatura, pede a identidade do motorista e só não manda Sua Excelência descer do carro porque tem medo de parar no xadrez. Intramuros, costumamos dizer que o caminhão da Coca-Cola passa sem parar pela guarda, enquanto a viatura de nosotros, os generais, é submetida a rigorosa revista. Verdade ou não, a brincadeira revela o quanto é amador o nosso aparato de defesa, cada vez mais vulnerável desde que, há muito tempo, priorizamos a “mão amiga” em detrimento do “braço forte”.

Tememos a Justiça. Temos pavor do que dirá a imprensa. Vivemos preocupados com nossa carreira. Por isso, enfraquecemos. Por isso, assaltam banco em área militar (não é de hoje). Por isso, roubam nossas armas (não é de hoje). Por isso, ficamos calados quando dizem na nossa cara que fomos e  continuamos sendo torturadores (não é de hoje). Por isso, traficantes ameaçam soldados que estão auxiliando comunidades pobres nas favelas (não é de hoje). Por isso, ONGs estrangeiras não nos deixam entrar em reservas indígenas que elas controlam e exploram (não é de hoje).

Já é passado o tempo de dar um basta! Já passou da hora de deixarmos a covardia de lado. Chega de assaltarem banco em área militar, de bandido entrar em quartel e dele sair carregado de pistolas e fuzis. Entrar ele até pode, porque a “mão amiga” facilita. Sair impunemente, não, porque aí o “braço forte” tem que deixar de ser apenas um slogan para tornar-se a realidade que todos os brasileiros esperam, até mesmo alguns integrantes da imprensa e da justiça, que passaram parte de sua vida sendo doutrinados para usar sua caneta como arma contra os soldados. Senão, o “braço forte, mão amiga” será apenas uma peça publicitária a mais entre tantas que poluem nossas mentes nestes tempos em que as palavras nada mais são do que parte de um jogo de mentirinha e enganação, tempos de muita prosa e pouco serviço, onde o “falar” tornou-se mais importante do que o “fazer”.

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