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O mundo clama por um Anjo da Guarda (clique)

15/11/2015 por bonat

Dia de festa no Anjo da Guarda. O “Anjo” (assim a escola é carinhosamente chamada), como faz todos os anos, homenageava as etnias que deram origem à atual população do Paraná.

Logo na chegada, a tarja preta sobre a bandeira azul, branca e vermelha (a Bleu-Blanc-Rouge), no estande da França, atraía a atenção. Aquele pequeno pedaço de pano valia mil palavras. Entre tantas, significava espanto, tristeza e solidariedade.

As crianças, provavelmente, não se deram conta. Ainda bem. É muito cedo para isso. Até porque, estavam ali para exaltar a fraternidade. Em um coro de mais de cinquenta vozes, elas entoaram canções representativas dos diferentes povos, começando pelos indígenas, seguida pelos portugueses, negros e pelos que os sucederam, até chegar aos holandeses. A grand finale – um samba – celebrou o sabor da saudável e gostosa salada de frutas em que nos tornamos. Uma só gente, que aprendeu a se respeitar e a viver em harmonia.

Não estava explícita, apenas subentendida, a homenagem às primeiras gerações, que superaram tremendas dificuldades que lhes foram impostas. Os negros vieram para cá na condição de escravos. Os demais, fugidos da fome e das guerras, vivenciaram uma semiescravidão. Mas nada de rancor, nenhum ódio. Ao contrário, a única mensagem era de irmandade entre os homens, todos, sem exceção.

Após a apresentação musical, os alunos se dirigiram ao estande do “seu país”, onde contavam um pouco dos seus costumes aos que os visitavam. A bela festa foi encerrada com números de danças típicas.

É de se louvar o esforço de professores, pais e alunos. No simples fato de as canções terem sido exibidas em dez idiomas diferentes, tem-se ideia da dimensão do desafio. Três apenas são suficientes para resumir o grau de dificuldade: ucraniano, japonês e árabe. Fácil, não? Obviamente, meus ouvidos de avô perceberam que Guilherme e Rafael – meus netos – foram dos poucos a cantar sem nenhum sotaque, em todas as línguas.

Mas deixemos um pouco de lado essa inocente brincadeira de “papo-avô-coruja”. Voltemos à tarja preta, pois creio que ela mexeu com o subconsciente dos avós. Não só deles, mas também de mamães e papais. Num momento qualquer, uma preocupação deve ter passado pela mente de todos: que mundo iremos deixar para os nossos netos?

A barbárie, que no dia anterior havia levado as trevas à Cidade Luz, é apenas a face mais recente e visível de uma crescente desunião. Gostaríamos, mas obviamente não temos este poder, de resolver a grave crise que vem se alastrando pela Europa, Oriente Médio e África. O que se pode fazer, quando notícias nos dão conta de que, por lá, em muitos bancos escolares, as crianças recebem mensagens exatamente opostas àquela que foi transmitida pelos professores do Anjo?

Só nos resta torcer (rezar, orar, suplicar) para que o vento não sopre em nossa direção, trazendo aquelas tenebrosas nuvens. Que elas fiquem por lá mesmo, até se dissiparem um dia. O que gostaríamos, de verdade, antes que seja tarde, é que o vento soprasse em sentido contrário e para lá empurrasse a nuvem radiante que cobria o “Anjo” no último dia 14, e que cobre igualmente milhares e milhares de outras escolas brasileiras.

Mais do que nunca, o mundo anda precisando de um Anjo da Guarda.

Adão ainda vive (clique)

14/10/2014 por bonat

Não vou falar do Adão e da Eva, nem de sua maçã. Se alguém inventou essa história, esteja certo de que não fui eu. Ela está nas escrituras sagradas e vale pela mensagem que pretende transmitir. Mas a verdade é que o pecado do primeiro dos homens nos parece insignificante, pois já faz tempo que comer maçãs deixou de ser pecado, muito menos original, mesmo que as frutas pertençam à outra pessoa, como à Eva, por exemplo.

Milênios depois, outro Adão surgiria, o Latorre. A veracidade de sua história está comprovada em fotografias e depoimentos. As imagens em que aparece com sua faca afiada na carótida das vítimas revelam um pecado (ou seria crime?) tremendamente mais grave. Era tempo de Revolução Federalista, também conhecida como revolução das degolas, praticadas cruelmente por ambos os contendores. Enquanto os maragatos (federalistas) contavam com os “serviços” de Latorre, os pica-paus (legalistas) dispunham de Cherengue (ou Xerengue) e seu sempre bem amolado facão. Sei, caro leitor, que lhe dará uma certa coceira no pescoço, mas me permita transcrever o que encontrei no google a respeito.

“Conta a história que numa tarde e noite inteiras, a faca de Adão Latorre não parou um só instante de cortar carótidas. Dos mil prisioneiros encerrados como animais na mangueira de pedra, mais de trezentos foram degolados e castrados. Houve os que foram laçados e arrastados até o chão do sacrifício, ali despidos antes de serem imolados. E dizem os que escaparam, que Adão chamava um a um e mandava-os pronunciar a letra jota. Aquele que, em vez de jota, pronunciava rota, era castelhano e recebia, incontinenti, o aço afiado que lhe abria o talho de orelha a orelha. Adão firmava a ponta da faca bem chairada embaixo do nariz da vítima e quando esta, instintivamente, levava a cabeça para trás, com a perícia de bom conhecedor do ofício, lhe desfechava um rápido e profundo talho no pescoço.”

Antes que você, com toda razão, desista de ler, vou resumir: a Revolução Federalista (1893-1895) foi das mais sangrentas que tivemos. Causou pelo menos 10.000 mortos e incontáveis feridos.

Pensávamos que barbaridades, tão tétricas quanto cabeças decepadas, jamais sairiam do passado. Mas os ditos humanos não têm mesmo jeito. Não é que o barbarismo está de volta? Por sorte, bem longe daqui. Ele agora nos é servido com uma pitada a mais de crueldade: a divulgação pela internet. Os novos Adões, de rosto escondido, espalham-no pelo mundo, de forma a que todos, inclusive os apavorados familiares das vítimas, o presenciem.

Por isso, soou patético o discurso da nossa Presidente na abertura da Assembleia Geral da ONU, pregando um diálogo com tipos com os quais nem mesmo os muçulmanos conseguem conversar. Não deve ter sido redigido por ela mesma, pois sua história de vida e sua personalidade mostram que dialogar nunca foi exatamente o seu forte. É também lógico acreditar não ter sido um diplomata de carreira, pois eles têm uma exata noção das consequências futuras das posições tomadas pelo País. Provavelmente, por ter-se alinhado aos neo-degoladores, seu “ghost writer” (escritor fantasma) deve ter sido alguém que se alimenta do ódio, que espalha ódio e admite o terrorismo como forma contemporânea de “fazer justiça”. Ou, quem sabe, tenha sido escrito pelo próprio fantasma do velho Adão Latorre ou do seu arquirrival Cherengue (ou Xerengue), que aceitavam conversar, desde que antes pudessem dar “um trato na carótida do interlocutor”.

É tanta tragédia, que só nos resta dar vivas e loas ao velho Adão, que, por só gostar de maçã, inspirou John Lenon a pregar “faça amor, não faça guerra”. Lenon acabaria assassinado, e por um fã. Vá entender os humanos!

Voo MH17, um covarde ato de terror (clique)

22/07/2014 por bonat

Estávamos em rigorosa prontidão, numa espera angustiante. Radares e observadores, espalhados por extensa área ao redor da refinaria, vasculhavam atentamente o céu para dar o alerta. Computadores prontos para calcular os dados a serem transmitidos eletronicamente para dezenas de peças, guarnecidas por artilheiros ansiosos para entrar em ação. Apesar de tratar-se de mais um exercício, havia certa tensão. Como nas corridas de Fórmula 1, o que separaria sucesso e fracasso seriam frações de segundo. Não poderíamos falhar. Não queríamos falhar!

O “inimigo” tinha a seu favor a surpresa. Seria dele a escolha sobre o momento e a direção do ataque. Provavelmente, os Super Tucanos surgiriam ao mesmo tempo, de várias direções. Estávamos em nítida desvantagem, o que é normal, pois armas antiaéreas são essencialmente defensivas.

Não é nada fácil abater um avião. Claro que estou tratando de aviões de combate. Derrubar aviões de carreira é ato de covardia, digno de terroristas, que nem passa pela cabeça de tropas regulares, principalmente das brasileiras. Mas sobre isso, falarei mais tarde.

Desde que Santos Dumont (ou os irmãos Wright, segundo os americanos) inventou a maravilhosa máquina que tornaria o mundo pequeno, ela vem sendo aprimorada como estratégico vetor de combate. A Itália foi a primeira a empregá-la. Em 2 de novembro de 1911, seus aviões bombardearam uma coluna militar otomana, na Primeira Guerra dos Balcãs.

Na I Primeira Guerra Mundial, os aviões seriam empregados com mais intensidade. Se, no início do conflito, não ultrapassavam 110 km/h, ao seu final muitos já alcançavam 230. Foram os franceses que primeiro os armaram, de forma a transformá-los, realmente, num vetor de guerra. Roland Garros (ele mesmo, que dá o nome aos famosos torneios de tênis!) afixou uma metralhadora no bico do seu avião, o que lhe permitia voar e, ao mesmo tempo, mirar sobre outra aeronave. Até aí, as ações aéreas, cada vez mais estratégicas e destruidoras, seriam levadas a efeito sem grandes riscos, pois pouco havia em terra para enfrentá-las.

A II Guerra Mundial caracterizou-se por drástico crescimento na produção e desenvolvimento da tecnologia da aviação. Surgiram os primeiros bombardeiros de longa distância e o primeiro caça a jato. A velocidade passou dos 480 para 640 Km/h. A altitude, de 9 mil para 12 mil metros. Porém, havia agora meios capazes de fazer-lhes frente: os canhões antiaéreos. Só para o amigo leitor ter uma ideia, quando comandei a nossa Brigada de Artilharia Antiaérea, conheci, em Guarujá, um senhor já bem idoso, que havia servido numa bateria antiaérea alemã. Segundo me revelou, sua unidade chegou a abater 94 aviões aliados durante toda a campanha. Mas a evolução dos meios de defesa antiaérea não impediria que as populações de importantes cidades fossem castigadas, até o fim do conflito, por violentos bombardeios.

O pós-guerra foi marcado pela corrida espacial. Com ela, houve exponencial aumento das ameaças vindas do ar: mísseis balísticos percorrem milhares de quilômetros; versáteis helicópteros armados estão prontos para realizar traiçoeiras e mortais emboscadas; aeronaves controladas remotamente – os drones – garantem a execução de ataques precisos, com risco zero. Para fazer face a esse crescente perigo, os meios antiaéreos foram sendo aperfeiçoados. Aumentou-se a capacidade de detecção, alcance, potência e precisão. Ao mesmo tempo, observa-se uma tendência à miniaturização do armamento. Já existem mísseis potentes que cabem dentro de uma sacola de viagem. O perigo está aí!

Volto agora aos aviões de carreira e à covardia, digna de terroristas, em abatê-los. Armamentos letais, como mísseis antiaéreos, ao caírem nas mãos desse tipo de gente, tornam-se perigosa ameaça. De essencialmente defensivos, transformam-se em mortais armas de ataque contra alvos indefesos. Por tudo isso, creio que o disparo que derrubou o avião da Malaysia Airlines, só pode ter partido de uma mente terrorista. Matou 298 pessoas, que nada tinham a ver com o imperialismo russo, que vem do tempo dos czares. Sua tentativa de esconder as caixas pretas só reforça essa percepção.

É sabido que o senhor Putin deseja que a Rússia – riquíssimo país, o mais extenso do planeta – volte a ser um protagonista mundial. Azar de quem mora ao lado. Os ucranianos (e outros) sabem bem disso, e há muito tempo. A mesma Rússia que, enquanto União Soviética, apoiava ações terroristas mundo afora, inclusive no Brasil, parece ter voltado aos bons tempos da velha KGB de Putin. Tudo leva a crer que ele tentará acobertar seus aliados da pobre Ucrânia. Mas, se não foram eles que mataram os passageiros do voo MH17, quem mais poderia ter sido? Militares russos? Talvez… Os familiares das vítimas jamais os perdoarão, mesmo que justifiquem seu ato criminoso como sendo uma prova de amor à eternamente expansionista Grande Mãe Rússia.
(A terceira e a quarta fotografias são de aviões controlados remotamente – “drones” – fabricados por uma equipe de militares do 3º Grupo de Artilharia Antiaérea, de Caxias do Sul. Eles são utilizados como alvo em exercícios de tiro real)


(Pintura de Jean Baptiste Debret, gentilmente enviada pelo Tenente Paulo Geraldo Meyer, e que representa as origens da Artilharia Antiaérea no Brasil)

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Arapongagem: canina ou digital? (clique para ler)

10/09/2013 por bonat

“Diga ao seu comandante que, na hora que eu quiser, posso saber onde se encontra cada um dos generais do seu exército. Consigo identificar, até, quantas estrelas eles portam nos ombros”. Essa declaração, aparentemente atual, é de 1991. Poderia ter sido pronunciada em Washington/DC, mas eu, na época tenente-coronel, estava ouvindo-a em Moscou. E quem falava não era alguém da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) americana, mas o general russo encarregado do comércio exterior de material de defesa, que ainda acrescentaria: “Estamos oferecendo este serviço ao Brasil”.

O velho general foi prudente, a ponto de não ter revelado que eles acompanhavam, com muito mais razão, os passos de Itamar Franco, nosso presidente, e dos seus ministros.

Claro que a proposta me surpreendeu, pois me encontrava em sua sala apenas para trocar ideias sobre a visita que fizera a fim de avaliar um míssil que nos interessava e que sabíamos ter sido resultado de uma bem-sucedida operação de espionagem conduzida pelo serviço secreto soviético.

Russos e americanos haviam investido maciçamente na corrida espacial, a face limpa da suja guerra fria, que tantas mortes havia causado em países periféricos. Foi graças a ela que passaram a dominar o mundo. Desde aquele ano, e mesmo antes, eles nos bisbilhotam, pois o Brasil é o principal país da América Latina. Não só eles, mas outros também. Manter-se bem informado faz parte do eterno compromisso dos governantes para com sua nação. Para isso, cada qual utiliza os meios que sua tecnologia é capaz de inventar e produzir.

Permitam-me citar um exemplo recente: embora a imprensa e o Itamaraty, não sei por que, tenham se calado, o fato é que Evo Morales mandou invadir o avião do nosso ministro da defesa que estava taxiado no aeroporto de La Paz. Agentes bolivianos usaram cães farejadores (um avanço tecnológico para eles), o que sugere desconfiarem que nosso ministro estaria traficando drogas, o que, convenhamos, é ridículo, principalmente partindo de quem partiu.

Foi uma agressão à nossa soberania. O Brasil deveria ter reagido com a altivez de um leão, a mesma que agora, corretamente, demonstra em relação à arapongagem digital americana. Mas não o fez. Parece que ao senhor Evo tudo é permitido.

Obviamente, pouco adianta rugir como leão se leão não formos. Para virarmos leão de verdade, só existe um caminho: investir em nossos cientistas, em suas pesquisas e, claro, em educação de qualidade para as nossas crianças.

Caso contrário, continuaremos a ser o grande bobo da América Latina, submissos às vontades de Evo, das FARC e de outros fornecedores da droga que está destruindo o futuro da nossa juventude. A eles não interessa a evolução dos nossos jovens. Ao invés da evolução, acenam com a revolução, onde o prefixo “re” tem o sentido de recuo, de retorno a um passado retrógrado, o mesmo que levou, depois de setenta anos, a desgraça ao sofrido povo russo, a quem tinha sido prometido o céu.

Entretanto, o éden por ele sonhado seria um lugar reservado apenas para alguns poucos chefões do onipresente e dominador partido único, mesmo depois de o sonho ter acabado. Entre eles, estava o velho general que fez aquela surpreendente proposta, que acabei incluindo no meu relatório, mesmo sabendo que não seria levada em conta.

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Ciscos e Franciscos (clique para ler)

29/07/2013 por bonat

Quem visita o Vaticano fica impressionado com o número de pedintes que perambulam pela Praça de São Pedro. O mesmo se dá em Aparecida do Norte. Ali, é chocante a quantidade de gente que, aos pés do monumental templo, abalroa os peregrinos. Talvez por isso, para se sentir em casa, o Papa Francisco tenha incluído em seu roteiro a basílica da Padroeira do Brasil. Na verdade, as criaturas que vivem ao redor de templos, famosos ou não, colocam a Igreja em xeque. Se as expulsa, estará se contradizendo. Se as acolhe, logo aparecerão outras e mais outras, milhares, que não terá como sustentar.

No dia de sua chegada ao Rio, o Papa foi ovacionado por milhões de pessoas. Como bom jesuíta, não se importou com os ciscos, aí entendidos como pequenas falhas encontradas aqui e acolá durante o trajeto. No Palácio Guanabara recebeu as boas-vindas oficiais. Fez ouvidos moucos para outro cisco: a palavra “presidenta”, como exige ser chamada a nossa mandatária, marca de arrogância repetida por puxa-sacos de plantão.

Ouviu pacientemente a fala presidencial. Por ser bem informado, como é do seu dever, já sabia das manifestações dos jovens brasileiros contra a corrupção que está nas entranhas da atual política tupiniquim. Portanto, seria desnecessário a presidente ter dito coisas como “A juventude brasileira tem clamado por mais educação, melhor saúde, segurança, qualidade de vida. Os jovens exigem ética. Querem que a política atenda aos interesses da população e não seja território das regalias. Estão cansados da violência que muitas vezes os tornam as principais vítimas”.

Repetiu a lenga-lenga da reunião, que chamou de “pacto”, com governadores e prefeitos. Sem ao menos ter-lhes pedido opinião, passou-lhes a batata quente, mas não reduziu, por exemplo, o número de ministérios. No mensalão, sequer tocou. Fingiu não ter entendido que o clamor dos jovens era contra a corrupção.

Mas, se era para contar a Francisco o que ele já sabia, poderia ter-lhe dito que, atendendo a pressões do CIR (Conselho Indígena de Roraima), em 2009, os três Poderes da República abriram mão de metade de Roraima. Lá, o Vaticano está de braços dados com americanos, ingleses, holandeses, noruegueses, canadenses, alemães e italianos, cujos “missionários” parecem mais interessados na riqueza que se esconde no subsolo do que nos esparsos índios que vivem na região. Por isso, é curioso que, só agora, após ter vindo à tona a espionagem digital americana, o governo se mostre preocupado com nossa soberania.

A presidente poderia ter dito também que tem atendido às reivindicações do católico Conselho Indigenista Missionário (CIMI), entregando a alguns poucos índios enormes extensões de terra, de onde expulsa quem, mesmo sendo indígena, planta e, com isso, ajuda a combater a fome mundial, projeto para o qual, ironicamente, ela pediu ajuda ao Pontífice.

Quem sabe na próxima vez, para se sentir em casa, o papa visite capitais como Boa Vista e Campo Grande. Nelas poderá encontrar-se com neopedintes, expulsos de reservas controladas pelo CIR e pelo CIMI.

Mesmo assim, há razões para “botar fé” em Francisco. Sul-americano, ele sabe o quanto temos sido espoliados, durante séculos, pela turma do hemisfério norte. Carismático como é, seria importante que vestisse a camisa dos miscigenados destas bandas, jovens ou não, crentes ou não, que sonham voltar a conviver em comunhão. Amém!

A renúncia de Yoani Sánchez

03/03/2013 por bonat

Havia muito mais gente do que aos domingos. Pudera, a missa era de sétimo dia! Durante a homilia, o padre reclamou. Pietro considerou um desrespeito à alma do falecido. Mas o pároco nem quis saber. Continuou conclamando seus paroquianos a doarem mais. Afinal, eles eram de classe média.

O avô de Pietro colaborou com um bom dinheiro para erguer aquela igreja, da qual, enquanto vivo, foi assíduo frequentador. Por isso, segundo Pietro, deveria estar no Paraíso. Ele sentiu vontade de, após o culto, ir questionar o padre reclamão sobre o porquê da necessidade de tanto dinheiro, uma vez que a igreja já estava pronta. Pensou, até, em cobrar-lhe uma prestação de contas: quanto vai para o Vaticano, quanto é destinado a obras de caridade, ao MST, e quanto sobra para manter aquele templo? Embora acreditasse que o avô tivesse ido para o Céu, perguntaria se sua alma ainda estaria lá, pois, segundo setores da Igreja, a prioridade agora era para os pobres. Mal comparando, as cotas são imensamente maiores para quem recebe bolsa-família. Ele abordaria, ainda, a delicada questão da proibição de um padre se casar.

Mas se conteve. Preferiu não aborrecer o sacerdote, que devia ter outras preocupações, a começar pela recente notícia da renúncia do Papa. Talvez ele mesmo, o pároco, estivesse pensando em renunciar. Teria razões para isso. Uma delas era o esvaziamento da sua igreja, crescente após o advento da teologia da libertação. Na época, alguns colegas seus, representantes de Deus aqui na terra, deixaram a impressão de não acreditar na vida eterna. Desde então, fiéis têm migrando para outros templos e credos, onde se fala numa vida pós-vida. Seria uma forte razão para o pároco se demitir. Talvez houvesse outras…

Pietro também tinha suas próprias preocupações. Precisava voltar para casa, pois era blogueiro. Queria saber das últimas notícias sobre a passagem de Yoani Sánchez pelo Brasil. Afinal, era uma “colega”, como tantos outros homens e mulheres que resolveram montar seu ”próprio jornal”. Pietro considerava blogs como sendo a única mídia livre e independente. Só por isso mantinha o seu. Nele podia expressar suas ideias, sem depender da aprovação do “pessoal do financeiro”, muito menos de patrocinadores.

Outros blogueiros expressavam ideias totalmente contrárias às suas, mas nem por isso os considerava inimigos. Ideias são ideias, que precisam circular livremente, desde que, é óbvio, não representem ameaça à paz e à vida das pessoas. Entre os blogueiros, porém, havia exceções. Aqueles que conseguiam patrocínio, público ou privado. Estes, para Pietro, careciam de credibilidade.

Yoani é um caso totalmente a parte. Afinal, é preciso ter muita coragem para expressar ideias próprias num país como Cuba. Desejar que alguma coisa mude na vida dos cubanos, sem passar pelo crivo dos irmãos Castro, é assinar confissão de culpa. Para a sorte de Yoani, e dos cubanos sem voz, o politburo só se deu conta do “perigo” quando ela já era mundialmente famosa.

Mas eles jamais a perdoariam pela audácia de lutar por um mínimo de liberdade para o seu povo. Assim, mobilizaram alguns representantes tupiniquins para hostilizá-la, logo que pisasse no Brasil. Ela enfrentou com serenidade as turbas, minoritárias mas raivosas, que sabia estarem a mando daqueles que, por mais de cinquenta anos, comandam o seu país. Chamaram-na, até, de agente da CIA. Coisa impensável, até mesmo para os yankees, que agora, provalvemente, estejam analisando essa possibilidade.

Pietro acha que, se algum dia, os blogueiros resolverem escolher um patrono ou uma patronesse, Yoani será fortíssima candidata. Quem sabe, no futuro, a Patronesse Yaoni Sánchez, octogenária, cansada, desiludida, não resolva, assim como o Papa, se recolher para meditar sobre o mundo que logo abandonará.

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Precisamos de um Deng, mas teimamos com Mao

05/12/2012 por bonat

Até 2025, a demanda por energia irá duplicar na China. Ela passará a consumir 25% da energia mundial. Pode parecer exagero, mas não é, principalmente se levarmos em conta que, durante 18 dos últimos 20 séculos, ela produziu uma parcela do PIB mundial maior do que qualquer sociedade ocidental.

Compreender a história da China não é nada fácil. Trata-se de uma civilização que se origina numa antiguidade tão remota, que são baldados os esforços para descobrir onde iniciou. Sabe-se que o “Império do Meio” entrou em declínio no século XIX. Em parte, por culpa da autoconfiança dos seus dirigentes, que o consideravam o centro da humanidade, portanto, imune às ameaças dos povos bárbaros, como chamavam os demais. Consideravam-na uma civilização tão sofisticada, que nada teria a aprender. As outras que fossem lá para copiá-la.

Entendia que todo o extremo oriente era seu. Mas os vizinhos, especialmente o Japão, os países do sudeste asiático, a Manchúria Exterior e a Mongólia Exterior, negavam-se a se subjugar. Ao norte, a Rússia representava uma terrível e histórica ameaça.

Sua visão sinocêntrica, até certo ponto ingênua, acabou sendo fatal. Enquanto os japoneses, que também consistiam uma sociedade fechada, por temor ao dragão que morava a apenas 200 km de sua pequena ilha, resolveram abrir-se e aprender com os estrangeiros, a China se manteria isolada durante séculos.

Quando sentiu que os europeus, a quem consideravam os bárbaros do leste, a ameaçavam, tentou empregar, mas sem sucesso, a estratégia de usar “bárbaros contra bárbaros”. Sofreu muito com a guerra do ópio e com as invasões japonesas. Não se conforma até hoje com a perda para a Rússia de ampla fatia da Mongólia Exterior, onde se situa o porto de Vladivostok.

A mesma Rússia ajudaria a derrubar o já combalido regime republicano, que, em 1911, havia substituído a última dinastia imperial. Após intensa guerra civil apoiada pelos soviéticos, o Partido Comunista Chinês chegaria ao poder em 1949. Os russos acreditaram ter, enfim, controlado a China, o que seria realidade até certo tempo. Mao Tsé Tung, aos poucos, foi percebendo que Nikita Kruschev se portava mais como o costumeiro ameaçador urso do que como um bom camarada.

Sob Mao os chineses continuariam isolados dos bárbaros, até mesmo os de Moscou, que pretendiam impor sua hegemonia ideológica. Quando, em 1955, a União Soviética criou o Pacto de Varsóvia, Mao se recusou a tomar parte. A China não iria subordinar a defesa de seus interesses nacionais a uma coalizão. Ante a ameaça de milhões de tropas russas desdobradas ao longo da extensa fronteira norte, Mao acabaria se aproximando dos americanos.

Se no passado, usar “bárbaros contra bárbaros” havia sido uma estratégia, Mao, para se manter no poder, usaria chineses contra chineses. Lançando uns contra os outros, implantou o terror interno, até chegar à Revolução Cultural, uma verdadeira carnificina humana.

Deng Xiaoping (foto), apesar de ter sido preso e exilado várias vezes, conseguiu sobreviver. Embora tivesse ideias diferentes, expressava-as reservadamente, pois era inteligente o bastante para não contrariar Mao em público. Esperou sua morte para chegar ao poder e implementar as reformas. Certa vez, conversando com cientistas australianos, disse que a China era um país pobre, necessitado de mudanças científicas e de aprendizado com países avançados, comentário sem precedentes para um líder chinês. Enviou milhões para estudar no exterior, a fim de criar as bases para a inovação tecnológica. Abrindo a China para o mundo e investindo em educação e pesquisa, uniu os chineses e criou as condições para que o país voltasse a ser uma potência.

Com os chineses de Deng, poderíamos buscar ensinamentos para deixarmos de ser meros exportadores de commodities. Porém continuamos impregnados pela ideia de Mao de jogar uns contra os outros, enquanto o povo, mantido ignorante, agradece pelo pão que lhe é doado e aplaude os palhaços de um circo quase falido.

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Paraguaio, um povo duplamente traído

04/07/2012 por bonat

Vejam o que pincei nas cartas do leitor de um jornal de Curitiba: “Moro no Paraguai há cinco anos e apenas quem está aqui tem noção do que estávamos passando durante o governo Lugo. Os camperos, com financiamento do ex-presidente, pregavam a xenofobia, principalmente contra os produtores brasileiros e seus descendentes, que eram tratados como estrangeiros”.

Ora, isso não era novidade para o Itamaraty e, logicamente, para o governo brasileiro. Além do mais, desde 2008, nossa embaixada em Assunção alertava: “Lugo não está agradando”. Assim que assumira, ele aposentara as sandálias da humildade de bispo-candidato, para tornar-se cliente de caríssimos alfaiates ingleses. O colarinho eclesiástico, que continuava a usar mesmo não sendo mais religioso, era uma afronta para o imaginário coletivo de um povo preponderantemente católico, que sentiu-se ainda mais traído ao saber da existência de alguns filhos, impensados para um sacerdote. Pior ainda: filhos jamais amparados, gerados com mulheres pobres e sem instrução, uma delas com apenas 16 anos.

Lula bem que tentou salvar o companheiro bolivariano: concordou que nós, brasileiros, passássemos a pagar o triplo pela energia de Itaipu. De nada adiantou. O ex-bispo continuou viajando mundo afora, acompanhado por belas jovens, hospedando-se, a custa do erário do seu país pobre, em hotéis fantásticos, para participar de conferências, muitas sem importância alguma. Tentaria ainda, mas neste caso sem sucesso, que Itaipu lhe presenteasse com um luxuoso “aerolugo”

Notícias sobre escândalos e negociatas espalharam-se no parlamento, nas redações, nos sindicatos, nos foros empresariais, nos encontros de amigos, nas ruas. Nada em benefício da melhoria da infraestrutura e da modernização do Paraguai. A gota d’água foi o envio de policiais desarmados para cumprir ordem de reintegração de posse de uma fazenda em Curuguaty, ocupada pelos carperos, o MST guarani, resultando a morte de 11 sem-terra e seis policiais.

Logo, a goleada que levou dos senadores e dos deputados, corroborada pelo judiciário, tudo de acordo com a constituição, não representou golpe algum, como se apressaram em classificar Hugo Chávez e Cristina Kirchner, a fim de justificar a exclusão temporária do Paraguai do Mercosul. Era do que precisavam para abrir o caminho para a Venezuela de Chávez ter acesso a um mercado comum que, diga-se, já patina ante as intransigências argentinas.

E o Brasil, ao submeter-se aos interesses de Hugo Chávez, repete o mesmo erro cometido na pequenina Honduras do chapeludo Zelaya. Apesar de sua estatura, outra vez apequenou-se, esquecendo das lições do Barão do Rio Branco e de tantos outros diplomatas responsáveis por uma política externa serena e firme, sem interferir nos assuntos internos de outros países e com um entendimento bastante nítido dos interesses nacionais.

Quem conhece minimamente a sua história, sabe que não é nada conveniente mexer com os brios do valente povo paraguaio. É bem possível que ele, que já sentira-se traído por Lugo, vendo agora o Brasil, um aliado estratégico, virar-lhe as costas, opte por sua saída definitiva do Mercosul. E, cá entre nós, com a presença do espaçoso Chávez, talvez venha a ser o único a lucrar com isso.

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Feliz Ano-Novo Chinês

04/01/2012 por bonat

Após certa quilometragem, tornei-me comedido ao festejar um novo ano. Não que eu seja tão velho, embora admita ter conhecido Kalashnikov, o inventor do fuzil AK-47, orgulho dos russos. Foi quando estive numa feira de armamento em Vladimir e me deparei com uma longa fila. Todos queriam o autógrafo daquele coronel, arqueado pelo tempo e por dezenas de condecorações. Cumprimentei-o, apenas. Não fotografei, do que me arrependo. Provaria não estar mentindo.

Na ocasião, outro fato me chamou a atenção. Havia comitivas pequenas – uma ou duas pessoas – de vários países. Americanos, exagerados, eram cinco. Chineses? Quase uma centena. Foi espantoso vê-los desembarcar dos ônibus. Seus uniformes os tornavam ainda mais iguais. E olha que chinos e russos nunca se deram muito bem. Porém queriam demonstrar força, não só aos russos, mas ao mundo todo que lá estava. Passados vinte anos, só agora percebo aonde os enigmáticos chineses pretendiam chegar.

O enigma chinês não é fácil de desvendar, mas, por questão de sobrevivência, é impositivo começar a estudá-lo. Quando nos deparamos com algo estranho, precisamos olhar mais profundamente.

Como vivemos os primeiros dias de um novo ano, comecemos pelo calendário. O chinês se relaciona a um dos 12 animais que teriam atendido ao chamamento de Buda. Assim, 2011 foi o ano do coelho; 2012, será do dragão; 2013, da cobra. Animais cada vez mais ferozes, transmitindo uma sensação, pelo menos para mim, de crescente ameaça. Conforta-me saber que, a partir de 2014, os bichos serão mais domáveis: cavalo, cabra, macaco, galo, cão e porco. Tomara!

Outro mistério é o mandarim, com seus inúmeros dialetos. É uma língua tonal e basicamente monossilábica. Diante dos seus símbolos, somos analfabetos. Ainda bem que, no caso do idioma, há certa reciprocidade. Levaríamos o mesmo tempo para aprendê-lo do que para explicar a um trabalhador chinês o significado de “Estado de bem-estar social”, aquele que tem ameaçado a existência da União Europeia. Suas dificuldades seriam imensas, pois seus dirigentes aprenderam com Mao a lhe sonegar informações. Por isso, contenta-se com um salário miserável, coisa inadmissível para trabalhadores do mundo ocidental. Graças a isso, a China despeja seus produtos em nossas lojas a preços irrisórios. Compete com nossa indústria que, taxada de todas as formas, começa a sentir-se ameaçada, assim como os empregos que gera.

O lado cruel do “capitalismo chinês” é a exploração do homem pelo homem. O isolamento a que o povo é submetido pelo governo, sonegando-lhe notícias de além-fronteira, é a face selvagem do “comunismo chinês”. Se perguntássemos a algum deles se ONGs estrangeiras tentaram impedir a construção da barragem das Três Gargantas, a maior do mundo, no rio Yangtze, ele responderia com um sorriso debochado. Se lhe contássemos que isso acontece por aqui, em relação a usina Belo Monte, daria gargalhadas. Conversar sobre aquecimento global? Nem pensar.

Parece complicado, não é? Pois nosso governo que trate logo de decifrar. Não podemos permanecer, com olhos de paisagem, admirando commodities desaparecerem no horizonte, para depois retornarem transformadas em manufaturas. Senão, nas próximas viradas, aqueles que ainda não tiverem perdido seus empregos, terão que comemorar com “cidra made in China”.

Chi-Chi-Chi, Lê-Lê-Lê

15/10/2010 por bonat

Países em forma de salsicha, especialmente se alinhados aos Meridianos, tendem a se dividir. É o que dizem os geopolíticos. Além de estreitos, portanto facilmente seccionáveis, a disparidade climática, fruto de diferentes latitudes, afeta a personalidade das pessoas que povoam seu espichado espaço. A metafórica salsicha é apropriada para sintetizar o mapa chileno. De norte a sul, são 4.270 quilômetros, contra apenas 170 de leste a oeste. No sul predominam geladas florestas úmidas. No centro, região mais habitada, o clima é mediterrâneo. Ao norte, o deserto de Atacama é caracterizado pela ausência de chuva.

Entretanto, no Chile, fatores geográficos atuaram contra a cabalística previsão dos teóricos. A cordilheira dos Andes, barreira quase inexpugnável, o isolou da influência nem sempre desejável de vizinhos, enquanto a placa tectônica de Nazca, muito ativa, gerou violentos sismos, cujas consequências solidificaram a nação.

No início do século 20, o país foi atingido por dois grandes terremotos (1906 e 1939) que o empobreceram e quase o destruíram. Desde então, os chilenos decidiram se preparar. Por isso, os tremores de fevereiro último, dos maiores da história, não tiveram resultados ainda mais catastróficos. Embutida no planejamento para enfrentar esse tipo de situação sempre esteve a ideia de trabalho voluntário, que levou à solidariedade. A solidariedade conduziu a um sentimento de união, a um forte espírito comunitário.

É sabido que das profundezas o deserto de Atacama o Chile extrai sua maior riqueza, o cobre. De lá, em agosto, notícias rapidamente se espalharam. Dessa vez, a catástrofe estava longe das dimensões de um terremoto. De qualquer forma, eram preocupantes, pois estavam em risco 33 vidas: as dos trabalhadores da mina San José, isolados 700 metros debaixo da terra. Seu drama foi acompanhado com apreensão mundo afora. A exitosa operação de resgate, que envolveu técnicos, engenheiros, militares, psicólogos e médicos, foi comandada pessoalmente, desde o início, pelo presidente Sebastián Piñera. Dizem que ele se aproveitou politicamente. Mas poderia ter fracassado.

O fato é que, de norte a sul, as comemorações populares de alegria pela saída do último mineiro demonstraram que o Chile, desdizendo os geopolíticos, tornou-se uma grande família, cujo pai é simbolizado pela figura do presidente, seja de que partido for. Afinal, lá ainda se observa uma saudável alternância no poder.

Resta-nos aguardar pelo filme. Se pudesse, eu o intitularia “Chi-Chi-Chi, Lê-Lê-Lê”. Claro que terá um final feliz. Agora, se o fato tivesse ocorrido na China, onde não existe alternância, talvez nem notícias tivéssemos. Filme, só se fosse produzido por algum burocrata do governo.

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