Artigos de ‘Meio ambiente’ Category

Lamúrios de uma pracinha (para ler, clique aqui)

07/01/2013 por bonat

Estou aqui há muito tempo, muito antes do que as pessoas que passam por mim apressadas, sem sequer saber o meu nome. Presenciei a chegada do primeiro bonde, que sumiria décadas mais tarde. Vi os barões do café construírem suas mansões, agora transformadas em agências bancárias e em concorridas casas noturnas.

Em 2007, decidiram cortar-me ao meio. Diziam que eu estava atrapalhando o trânsito. Milhares de carros, vindos pela Carneiro Lobo, tinham que me circundar para acessar a avenida Bispo Dom José. Poucos me defenderam, nem os que me consideravam o símbolo do bairro. Entrei em depressão. Fiz terapia, mas não adiantou. Não conseguiram me convencer. À força, fui parar na sala de cirurgia. Quando voltei da anestesia, estava cortada ao meio. Você não tem ideia de como foi difícil. Mas, como era para o bem do povo…

Ultimamente, tenho observado a indignação do mesmo povo. A prefeitura, que em 2007 me levou à sala de cirurgia, está gastando R$ 3,150 milhões para estreitar a Bispo Dom José. Ora, se me amputaram para que o trânsito fluísse nessa avenida, como explicar o seu afunilamento?

Dizem que é por causa da tal da Batel Soho. Como costumo ler a primeira página dos jornais expostos na minha banquinha, sei que Soho, abreviatura de South of Houston, indica a região de Nova York localizada ao sul da rua Houston. Designa, também, badaladas áreas de Londres, Hong Kong e, na Argentina, a Palermo Soho.

Antes que esqueça, e para quem não sabe, possuo uma banquinha (onde há jornais), uma floricultura (ali existem flores), uma cafeteria (lá tem café) e um módulo da guarda municipal (onde nunca se encontra um guarda).

Soube que minha amiga Espanha, praça como eu, também entrou em depressão. Foi quando empresários do ramo imobiliário rebatizaram de Champagnat o bairro onde nasceu. Recentemente, outros empresários, estes do setor de gastronomia e lazer, apelidaram-na de Batel Soho. Ora, minha amiga fica no Bigorrilho, e não renega as suas origens, muito menos a sua província. Ela não é novaiorquina. Ambas nos orgulhamos de sermos curitibanas. Desconfiamos que os tais empresários é que não são.

O que me preocupa é que os comerciantes da região querem que o Batel Soho se espalhe por cerca de 10 quadras ao redor da Espanha. Neste caso, pelo mapa, também faço parte periférica dessa aberração. Como não quero brigar com a minha velha amiga, liguei para ela. Concordamos em fazer uma campanha contra esse golpe baixo de empresários e marqueteiros.

Aliás, outro empresário, este do ramo de shoppings, conseguiu acabar com a única área verde que havia no Batel. Descobri, porque os oito andares do seu novo shopping estão sendo erguidos bem perto de mim. Estranho que ninguém tenha protestado, nem o povo, muito menos as autoridades, aí incluídos os ditos ambientalistas. Árvores centenárias, que vi crescer, aos poucos foram sumindo, normalmente de madrugada. De onde estou, dá para ver o que ainda resta do bosque e visualizar a copa seca de mais um pinheiro que logo irá abaixo. A alardeada capital ecológica não existe mais. Está mais para Nova York do que para Terra dos Pinheirais. Pensando bem, talvez Batel Soho não esteja tão errado assim.

Assina: Praça Miguel Couto ou Pracinha do Batel ou Praça do Soho ou Pracinha Mutilada ou… sei lá quem sou! Só sei que preciso retornar ao meu psicanalista. Levarei a Espanha comigo.

Lamúrios de uma pracinha

21/10/2012 por bonat

Estou aqui há muito tempo, muito antes do que as pessoas que passam por mim apressadas, sem sequer saber o meu nome. Presenciei a chegada do primeiro bonde, que sumiria décadas mais tarde. Vi os barões do café construírem suas mansões, agora transformadas em agências bancárias e em concorridas casas noturnas.

Em 2007, decidiram cortar-me ao meio. Diziam que eu estava atrapalhando o trânsito. Milhares de carros, vindos pela Carneiro Lobo, tinham que me circundar para acessar a avenida Bispo Dom José. Poucos me defenderam, nem os que me consideravam o símbolo do bairro. Entrei em depressão. Fiz terapia, mas não adiantou. Não conseguiram me convencer. À força, fui parar na sala de cirurgia. Quando voltei da anestesia, estava cortada ao meio. Você não tem ideia de como foi difícil. Mas, se era para o bem do povo…

Ultimamente, tenho observado a indignação do mesmo povo. A prefeitura, que em 2007 me levou à sala de cirurgia, está gastando R$ 3,150 milhões para estreitar a Bispo Dom José. Ora, se me amputaram para que o trânsito fluísse nessa avenida, como explicar o seu afunilamento?

Dizem que é por causa da tal da Batel Soho. Como costumo ler a primeira página dos jornais expostos na minha banquinha, sei que Soho, abreviatura de South of Houston, indica a região de Nova York localizada ao sul da rua Houston. Designa, também, badaladas áreas de Londres, Hong Kong e, na Argentina, a Palermo Soho.

Antes que esqueça, e para quem não sabe, possuo uma banquinha (onde há jornais), uma floricultura (ali existem flores), uma cafeteria (lá tem café) e um módulo da guarda municipal (onde nunca se encontra um guarda).

Soube que minha amiga Espanha, praça como eu, também entrou em depressão. Foi quando empresários do ramo imobiliário rebatizaram de Champagnat o bairro onde nasceu. Recentemente, outros empresários, estes do setor de gastronomia e lazer, apelidaram-na de Batel Soho. Ora, minha amiga fica no Bigorrilho, e não renega as suas origens, muito menos a sua província. Ela não é novaiorquina. Ambas nos orgulhamos de sermos curitibanas. Desconfiamos que os tais empresários é que não são.

O que me preocupa é que os comerciantes da região querem que o Batel Soho se espalhe por cerca de 10 quadras ao redor da Espanha. Neste caso, pelo mapa, também faço parte periférica dessa aberração. Como não quero brigar com a minha velha amiga, liguei para ela. Concordamos em fazer uma campanha contra esse golpe baixo de empresários e marketeiros.

Aliás, outro empresário, este do ramo de shoppings, conseguiu acabar com a única área verde que havia no Batel. Só descobri porque os oito andares do seu novo empreendimento estão sendo erguidos bem perto daqui. Estranho que ninguém tenha protestado, nem o povo, muito menos as autoridades, aí incluídos os ditos ambientalistas. Árvores centenárias, que vi crescer, aos poucos foram sumindo, normalmente de madrugada. De onde estou, dá para ver o que ainda resta do bosque e visualizar a copa seca de mais um pinheiro que logo irá abaixo.

A alardeada capital ecológica não existe mais. Está mais para Nova York do que para Terra dos Pinheirais. Pensando bem, talvez Batel Soho não esteja tão errado assim.

Assina: Praça Miguel Couto ou Pracinha do Batel ou Praça do Soho ou Pracinha Mutilada ou… sei lá quem sou! Só sei que preciso retornar ao meu psicanalista.

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Rio + 20: as razões do índio

25/06/2012 por bonat

Na Rio + 20, o único resultado prático parece ter sido alcançado pelos prefeitos das 59 maiores cidades do planeta. Reunidos no forte de Copacabana, eles não estavam contaminados pelo viés ideológico. Por isso, sentiram-se livres para trocar experiências a respeito de como resolver, sob o ponto de vista ambiental, os sérios problemas causados pela concentração de milhões de pessoas num espaço restrito: as grandes cidades, estas sim, verdadeiros focos de poluição e de aquecimento. É neles, nos municípios, que deve-se buscar a solução, a ser costurada de baixo para cima, e não imposta pelos detentores do poder mundial, cujos vícios e interesses os descredenciam a agir em nome dos 7 bilhões de habitantes da terra.

No mais, foi perda de tempo e dinheiro. Já era de esperar, pois qualquer gerente, chefe ou líder sabe que, quando se deseja protelar a solução de algum problema, cria-se um grupo de trabalho e o encarrega de estudá-lo. Quanto maior e mais heterogênea a sua composição, menores serão as chances de que ele chegue a uma conclusão. Portanto, seria muita ingenuidade acreditar que cerca de 200 mandatários de nações com interesses conflitantes tomassem alguma decisão importante na Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável.

Logo, são injustas as críticas à declaração intitulada “O Futuro que queremos”, aprovada pelos chefes de estado. Taxaram-na de pouco ambiciosa. Esperavam o quê, um milagre? Na verdade, foi quase isso que nossos diplomatas conseguiram produzir, tentando agradar a todos e, logicamente, não agradando a ninguém. O bombardeio mais pesado partiu dos representantes da União Europeia, com quem, não por acaso, fizeram coro inúmeras ONGs por eles patrocinadas e fortalecidas pela presença, tão ameaçadora quanto a de um porta-aviões, do navio do Greenpeace nas águas da Guanabara.

Sempre desconfiei das reais intenções das ONGs estrangeiras. Enquanto posam de donas absolutas da verdade, sobre a qual não admitem qualquer tipo de dúvida, buscam limitar nosso desenvolvimento. Elas anunciam o fim dos tempos como argumento para que os países que as financiam continuem mandando em suas ex-colônias. Exemplo recente tem sido sua tentativa de impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte, que causará, certamente, menos impacto sobre o aquecimento global do que as fontes de energia utilizadas na Europa.

Apesar da existência de estudos científicos, sérios e comprovados, de que o aquecimento global é muito mais consequência de fatores naturais, como as variações da temperatura do Sol e de sua maior ou menor proximidade da Terra, do que da ação humana, seus militantes teimam em desconsiderá-los. Se não fizessem isso, perderiam seu catastrófico argumento intimidador.

Por incrível que pareça, a melhor síntese da Rio + 20 foi feita por um índio. Não por um índio como aqueles que as ONGs levaram a tiracolo, como fossem propriedade sua e de cujas reservas procuram se apoderar, para o Rio de Janeiro. Ela partiu de um presidente da república. Partiu, quem diria, de Evo Morales. Ao declarar que “os países ricos financiam as ONGs ambientalistas com o fim de impedir o desenvolvimento da América Latina”, ele sintetizou, de forma contundente, o pensamento dos que não têm voz nem “Euros” para se fazer ouvir.

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A gralha azul e o elefante branco

11/04/2012 por bonat

Caro leitor. Se você tiver um tempinho, gostaria de lhe propor uma questão. Vamos lá. Suponha que você mora numa casa, em Curitiba. Nos fundos, tem um quintal, daqueles do tipo 15 por 20 metros, com algumas árvores frutíferas. No dia do seu aniversário, o vizinho, com a mais nobre das intenções, lhe presenteia com a muda de um pinheiro. Pergunta: você a plantaria no seu quintal? Justifique.

Mesmo sem conhecê-lo, ouso deduzir que sua resposta seria não. Imagino a justificativa que daria: se eu plantar uma araucária, jamais poderei cortá-la (lembre que ela vive 200 anos) e meu imóvel será desvalorizado.

A verdade, caro leitor, é que a legislação, sendo extremamente inflexível, tem desestimulado o plantio da árvore-símbolo do Paraná, em especial no meio urbano. As pessoas ficam receosas, e com razão.

Houve época em que o Estado era um verde só, coberto, desde os contrafortes da Serra do Mar até as barrancas do Rio Paraná, por um oceano de árvores, sendo o pinheiro a dominante e predominante.

A araucária angustifólia, como preferem os cerimoniosos, é uma espécie verdadeiramente imponente, que se esconde sob a sombra das demais para crescer, ultrapassando-as mais tarde em beleza e altura. Aí, é ela que passa a fazer sombra, por longos dois séculos, às suas vizinhas. Possui alguns apelidos, como curi (daí, Curitiba), curiúva, pinho, cori (daí, Coritiba), pinho brasileiro, pinheiro brasileiro, pinheiro são josé, pinheiro macaco, pinheiro caiová e pinheiro das missões.

Sua semente servia de alimento para a gralha azul, igualmente em extinção. Para escondê-lo de outros apreciadores, ela enterrava o pinhão para comê-lo mais tarde. Como, muitas vezes, não conseguia reencontrá-lo, ele brotava. Estava, dessa forma, garantida a renovação da espécie.

A extração desordenada, entre os anos 1870 e fins dos 1940, provocou grande desmatamento. Da floresta primitiva, resta aproximadamente 5%. Qualquer paranaense sabe que é preciso fazer alguma coisa pelo seu símbolo. Ele está em todos os lugares, em nomes de cidades e logradouros públicos, em bandeiras e nas artes. Só não está onde deveria: na natureza. Nem nela, nem nos quintais curitibanos. E a legislação, por ser inflexível, não incentiva, ao contrário, desestimula o seu plantio. Há que se pensar em leis mais inteligentes, que atendam também aos moradores urbanos, pois muitos desejariam colher pinhão na porta de casa.

Mark Twain nos conta que houve um rei do Sião (atual Tailândia) que, quando antipatizava com algum súdito, presenteava-o com um elefante branco. A vítima, evidentemente, não podia cometer a grosseria de recusar um mimo real. Ficava, assim, com a obrigação de cuidar do bicho, cujo porte, apetite e longevidade, o levavam à falência. Além do mais, por tratar-se de animal sagrado, tinha que ser mantido com aspecto saudável para não irritar o soberano, que fazia visitas inopinadas a fim de fiscalizar o tratamento dispensado ao seu presente. Quando o cortesão era muito chato, o rei brindava-o com gêmeos.

Mal comparando, no Paraná, embora não haja rei, tem um elefante branco, infelizmente, a muda de araucária.

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Poluidores: agora somos 7 bilhões

30/10/2011 por bonat

A Demografia estuda, entre outras coisas, as dimensões e a distribuição da população. Apesar de atraente, essa área da ciência só chama a nossa atenção de tempos em tempos, como agora, com o recente anúncio do Fundo da População das Nações Unidas de que o planeta terá 7 bilhões de habitantes.

Por ironia, esse desinteresse se deve, de certa forma, a Malthus, um estudioso do assunto. Ao não se confirmarem suas previsões catastróficas de que a superpopulação levaria a guerras em busca do “pão nosso de cada dia”, ele caiu em descrédito. A carnificina na Europa, provocada logo em seguida por Napoleão, atribuiu uma credibilidade inicial aos seus argumentos. No entanto, mesmo com as terríveis duas guerras mundiais do século XX, o tempo e a ciência se encarregaram de desmenti-lo.

O perigo é o debate demográfico permanecer totalmente fora das pautas, lembrado somente quando cifras expressivas, como 7 bilhões, são anunciadas.

O crescimento populacional tem dois extremos. Num deles está o bebê embarcado em algum ponto do planeta, em data próxima ao recente 31 de outubro. Ele pode ter sido festejado tanto por alguma família do nosso bairro, quanto por outra da Ásia superpopulosa ou, ainda, da faminta África, onde as populações aumentam a taxas alarmantes.

Seja de onde for, apenas para atender às suas necessidades básicas, o novo passageiro consumirá energia. No entanto, como se espera que ele tenha uma boa qualidade de vida, de muito mais energia ele precisará. E só existe uma fonte para obtê-la: o planeta. Daí o nosso pecado original: somos todos poluidores, agora somando a expressiva quantidade de 7 bilhões.

No outro extremo encontram-se os que já embarcaram há muito tempo. Cada vez mais numerosos, igualmente graças aos avanços da ciência, eles (inclusive eu) não pretendem chegar tão cedo ao ponto final. Passageiros de primeira ou de última classe, todos (quase todos) optam por continuar embarcados nesta aeronave chamada Terra.

Entre esses dois extremos, os recém-chegados e os viajantes calejados, estão aqueles que devem se preocupar com a solução do problema: cientistas, ecologistas, pensadores, filósofos, sambistas, formadores de opinião e artistas. Sua missão: propiciar uma vida feliz aos milhões de humanos que nascem a cada ano e fazer com que, para todos, a hora do desembarque demore para chegar. Achou difícil? Pois acrescento outro desafio: sem exigir ainda mais energia do nosso querido e já cansado planeta.

Por isso, a demografia não pode ser um assunto menosprezado. Ela sinaliza que logo chegaremos aos assustadores 8 bilhões, mas que, por volta de 2040, a tendência será de encolher. Talvez nunca cheguemos à bomba dos 9 bilhões. Aí, muitos de nós já terão desembarcado. Mas nossos netos continuarão a viagem. Em nome deles, pedimos: não ignorem a questão populacional. Seria suicídio ou, no mínimo, uma tolice.

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A esperança está no gelo

05/06/2007 por bonat

Segundo os chineses, um homem nunca se banha no mesmo rio. O homem nunca é o mesmo. O rio, também, nunca é o mesmo. Isso é igualmente válido para as palavras. Elas, da mesma forma que águas e humanos, são mutantes. Com o tempo, adquirem novos significados.
“Enquanto houver gelo, haverá esperança”. Sob essa frase na parede de sua churrasqueira, quando servi no Guarujá, Carlos Borges Cano reunia seus amigos. Existia algo de verdade nas bem-humoradas palavras. Depois do primeiro gole que o gelo resfriara, ficávamos tão inteligentes que encontrávamos solução para os mais graves problemas do Brasil e do mundo.
Um dos temas que não abordamos naquelas reuniões foi o aquecimento global. Não pela preconceituosa razão do ilustre deputado Paulo Pereira da Silva de que “meio-ambiente era coisa de veado”. Não o discutíamos, simplesmente, por não fazer parte das preocupações de então. Quando o Carlos nos reunir novamente em sua churrasqueira, perceberemos que a frase da parede admite outra leitura: a de que, enquanto as geleiras dos Pólos se mantiverem intactas, haverá esperança para a humanidade.
Relatório recente da ONU trouxe à tona o problema. Em Bangcoc, no último painel sobre mudanças climáticas, o Brasil foi até elogiado. Temo que, por isso, venhamos a ser enrolados na bandeira e resolvamos, ingenuamente, pagar o pato sozinhos. Não devemos esquecer de quem mais contribui para o efeito estufa: EUA, China e Europa. É preciso lembrar que a América do Sul detém 41,4% das florestas mundiais, contra 0,1% da Europa, 3,4% da África e 5,5% da Ásia. Por termos preservado, os que sempre desmataram, volta e meia, querem nos punir, ameaçando o nosso crescimento.
Seria o caso de se questionar ONGs como Greenpeace e WWF sobre o porquê de elas não terem ainda lançado uma campanha para o reflorestamento da Europa com o mesmo vigor com que se empenham na Amazônia. Enquanto buscassem explicações para a ambigüidade de sua atuação, teríamos tempo para encontrar soluções brasileiras no sentido de continuarmos a participar do esforço para conter o aquecimento global.
Como ponto de partida, deveríamos levar em conta que o Brasil precisa de energia para se desenvolver. Até o IBAMA sabe disso. Como órgão do governo, ele tem o dever de buscar saídas para a questão de gerar energia com impacto ambiental mínimo. Parece simples, desde que o IBAMA se posicione como parte da solução e não, como às vezes o faz, parte do problema.
Outro ponto a ser considerado, falando-se especificamente da Amazônia, seria o desenvolvimento sustentável. Neste caso, deve-se partir do princípio de que não há soluções, se não se colocar, no centro de tudo, os milhões de brasileiros que têm a natureza como única fonte de sobrevivência. A criação de vários centros de pesquisa, com a participação do IBAMA, da EMBRAPA, de outros órgãos e, essencialmente, da sabedoria dos habitantes da floresta, mostra-se recomendável na busca de soluções locais que contemplem a proteção ambiental e o desenvolvimento.
Finalmente, para as demais regiões do país, seria necessária uma ação pro-ativa no sentido de se levar a cabo uma vigorosa campanha de reflorestamento. Nos estados do Sul, por exemplo, que já foram um extenso pinheiral, governos e sociedade bem que poderiam incentivar as pessoas a plantar araucárias. Ainda há muito espaço para isso. Cadê o Partido Verde?
Equacionadas essas questões, quando as ONGs voltassem com a resposta à nossa pergunta, veríamos que sua ausência teria preenchido uma grande lacuna. Ontém, como hoje, elas têm muito menos a ensinar do que a aprender conosco. Ou não têm humildade suficiente para reconhecer essa realidade, ou seus interesses vão além (ou aquém?) de simplesmente salvar o planeta.

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