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8 de Maio de 1945 – vitória de quem?

07/05/2009 por bonat

A história do mundo poderia ser descrita como uma sucessão de guerras. Um longo período de paz depende do resultado da guerra anterior e da imposição desse resultado. Os 99 anos relativamente pacíficos entre a derrota de Napoleão e o início da 1ª Guerra Mundial haviam gerado otimismo na Europa quanto às decisões que seriam tomadas na Conferência de Versalhes. Porém, a presença de um forte desejo de vingança representou um choque para aquele otimismo. Infelizmente, não se conseguiu chegar a um bom acordo. Além do mais, durante a Guerra, a Europa tivera que tomar dinheiro emprestado. Os Estados Unidos haviam se tornado os financistas do esforço bélico e seu poderio econômico viria a ser uma das causas da depressão mundial. O desastre das ações de Wall Street, em 1929, fez disparar o desemprego, que em 1932 excederia os 30% em algumas nações. A depressão sem precedentes foi o empurrão de que o comunismo e o fascismo precisavam, levando à 2ª Guerra Mundial, que, na verdade, foi a continuação da mal-acabada Guerra de 1914/18.

Hitler, na Alemanha, e Stalin, na Rússia, moldaram o conflito que estava por vir. Quando a guerra iniciou, eram aliados. Hitler aproveitara o sentimento que permeava entre os alemães de que sua nação havia sido injustiçada em Versalhes. Era uma pessoa mal preparada, que não gostava de administração nem de trabalho. Antes de chegar ao poder, seu cargo mais elevado tinha sido o de cabo do exército. Mais a Leste, o governante russo, que substituíra Lênin em 1924 e começara a eliminar seus rivais pessoais ou imaginários, acreditava que o comunismo morreria, que ele mesmo morreria, a não ser que agisse sem piedade. Seu estado policial costumava ordenar a morte de seus concidadãos em grande escala.

Hitler (austríaco) e Stalin (georgiano) tinham muito em comum, incluindo o fato de serem forasteiros. Ambos cultivavam uma aptidão para contar mentiras ao seu povo e ao mundo. Foram os marechais da propaganda, numa época em que novas tecnologias (rádio e cinema) ajudavam a difundir suas ideias. Os dois sonhavam expandir o domínio territorial de suas nações e, logicamente, o seu próprio poder.

Quando Hitler começou a rearmar-se, a Liga das Nações se encontrava fragilizada. Em março de 1936, ocupou o Vale do Reno. Teria batido em retirada, se França e Inglaterra tivessem agido imediatamente. A partir de então, página por página, rasgou o Tratado de Paz de Versalhes, até invadir, em 1939, com o apoio de Stalin, a Polônia, dando início à guerra cujo término se daria somente em 8 de maio de 1945, consagrado como o Dia da Vitória.Vitória de quem? No curto prazo, dos Aliados. No médio e longo tempo, entretanto, quem acabou vencendo foi o povo alemão que, livre de Hitler e dos Nacionais Socialistas, passou a viver sob um Estado Democrático e tornou sua nação a mais próspera da Europa. Derrotado mesmo foi o povo russo, que continuaria sob o regime totalitário de Stalin e seus sucessores até a chegada de Mikhail Gorbachev e sua Perestroika, tarde demais para aqueles que já haviam morrido em trabalhos forçados na Sibéria.

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Com afeto

20/11/2008 por bonat

 

As lágrimas não esperaram nem o estribilho terminar para virem molhar-me os olhos.  Você pode pensar que seja coisa da idade, mas desde cedo foi assim. O Hino Nacional me arrepia. Porém, somente o da Bandeira teve sempre o poder de me fazer chorar. Talvez pela música de Francisco Braga. Talvez pela poesia de Olavo Bilac. Talvez por ser raro ouvi-lo. O fato é que, mais uma vez, ao meio dia de 19 de novembro deste 2008, tive que me controlar para não passar vexame.

A comemoração é singela. Hasteia-se a Bandeira, lê-se a ordem do dia e, enquanto se entoa o hino, incinera-se algumas bandeiras esgarçadas pelo tempo. É aí que a coisa pega. Quando chega a hora do “recebe o afeto que se encerra”, elas, as lágrimas, chegam mesmo sem terem sido convidadas.

Trinta minutos, não mais, é o que dura a cerimônia. É o tempo certo para se refletir sobre um dos nossos mais marcantes símbolos. Ver suas cores fortes e genuinamente brasileiras. Admirar a proporcionalidade de suas formas. Ler o dístico nela inscrito a fim de nos inspirar. Relembrar sua história. E, por que não, renovar nosso compromisso de amor ao Brasil.

Não faço idéia de como esse dia é comemorado nas escolas. Atualmente parece estar sendo difícil para os professores explicar às crianças os motivos de tanta corrupção, se nosso lema é ordem e progresso.

Ontem mesmo, quando tentava cantar o hino que as lágrimas interromperam, os jornais estampavam manchetes sobre o cumprimento de um Mandado de Busca e Apreensão na casa de um delegado da Polícia Federal. Ao que parece, quando encarregado da chamada Operação Satiagraha, ele acabou desvendando coisas que não deveria. Agora está sendo tratado como um bisbilhoteiro por gente graúda da República.

Quem está se dando bem é um banqueiro, alvo da Satiagraha. Tudo faz crer que ele sabe demais e, por isso mesmo, esteja sendo blindado por pessoas importantes.

A Bandeira, como um espelho, reproduz a nós mesmos, com nossas riquezas e mazelas. Pena que a maioria dos brasileiros não gaste meia hora por ano para reverenciá-la. Pode ser que alguns se comovessem ao ver que nela está representado o maior patrimônio que dispomos: nossa gente, de ontem, de hoje e de sempre. Gente humilde, que espera de quem está no poder menos corrupção, mais ordem e mais progresso.

 

1908 – Brasil e Japão abraçam o mundo

27/03/2008 por bonat

No fim da rua havia um campo de pelada e uma velha casa de madeira. O campinho era de terra. O quintal da casa, ao contrário, era verde, não de grama, mas de pés de alface, tomate e cenoura.

Ao cair da tarde, terminados os deveres da escola, alguns meninos da redondeza se dirigiam ao campo careca. Outros, avessos aos estudos, já os aguardavam. Dava a impressão que moravam ali. Quem nunca aparecia eram os garotos da casa de madeira. Eram muito pobres. O mais velho ajudava na horta e, de madrugada, acompanhava o pai na feira. Os mais novos não desgrudavam dos livros. Era comum a bola cair no meio da plantação. Quando demoravam a devolvê-la, a turminha da pelada entoava: “Japonês da cara chata, come queijo com barata”. Se essa história não fosse de meados dos anos cinqüenta, seria válido imaginar tratar-se apenas de maldade de adolescentes, seres sabidamente preconceituosos.

A Segunda Guerra trouxera muita desconfiança em relação aos imigrantes oriundos dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Por terem sido os últimos a chegar, os japoneses e seus descendentes sofreram mais os seus efeitos, que se estenderiam até o pós-guerra. Muitos refugiaram-se no interior. Passaram a viver quase reclusos, dedicando-se ao trabalho árduo e aos estudos. Foi um período difícil. Com o tempo, a aversão foi esmaecendo. Quando o antiniponismo diminuiu, os sanseis estavam prontos para vencer.

Costuma-se brincar que trinta japoneses inscritos num vestibular representam trinta vagas a menos para os demais candidatos. Isso por que, enquanto alguns dos nossos jovens preferem “morar” num campo de pelada, eles preparam-se para a vida.

Forçados a abandonar seus países por diferentes razões, europeus, africanos e asiáticos vieram aportar no Brasil. Todos enfrentaram desafios, aprenderam uns com os outros, respeitaram a diversidade e uniram-se na adversidade. Deixaram para trás antigas rixas entre suas nações e tornaram-se um só povo. Com os passageiros do Kasato Maru e seus filhos não foi diferente. Hoje os encontramos em diversos setores, integrados à nossa sociedade.

O 18 de junho de 1908 tem um significado mais abrangente do que a chegada dos primeiros isseis – marca o dia em que Brasil e Japão deram-se as mãos e, fraternalmente, abraçaram o mundo. Temos orgulho destes brasileiros.

 

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2008 sem cassetete

01/01/2008 por bonat

Nunca se sabe direito o que nos reserva um ano que inicia. Certeza mesmo, é que em 2008 não conviveremos com a CPMF. Queria ter coragem de confessar-lhe, caro leitor, que sou favorável a essa contribuição. Gostaria até que fosse aumentada para dez porcento, desde que todos os impostos fossem extintos. Solução simples demais, lógica demais, óbvia demais, que não consigo comprovar com meus rudimentares conhecimentos de matemática. É apenas um feeling.
O estrangeirismo feeling aí de cima faz-me lembrar de um amigo que está esperançoso com o novo ano. Chama-se Jackson e odeia tanto seu nome, que se apresenta pelo apelido: “muito prazer, Jajá”. Diz que Jackson não é nome, no que está correto. No idioma inglês, é sobrenome. Tentou várias vezes mudá-lo, todas sem sucesso. Agora suas esperanças renascem. Em 2008, deverá ir a plenário projeto-de-lei que veta estrangeirismos, particularmente em documentos oficiais. Como certidão de nascimento é documento oficial, Jajá não precisará nem de advogado para dela tirar o estrangeiríssimo Jackson.
Apesar da alegria por ver um amigo esperançoso, não deixei de estranhar a idéia de preservar a soberania nacional entre os argumentos do propositor da nova lei. Ora, a soberania nacional é conquistada, entre outras coisas, pelo desenvolvimento científico-tecnológico. Basta lembrar de algumas palavras estrangeiras que já fazem parte do nosso vocabulário: telefone, celular, rádio, televisão, computador, internet, software, hardware. São inventos de sociedades que investem em pesquisa e depois nos exportam os produtos e, logicamente, os nomes. Enquanto isso, nossos legisladores ficam a produzir leis que só servem para comprovar nosso atraso, pelo qual eles são, em grande parte, responsáveis (ou não são?).
A esta altura, Jackson, o Jajá, deve estar perguntando: e como fica o meu nome-sobrenome? Se a lei for aprovada, Jajá será uma das duas razões para ficarmos felizes. A outra dependerá do chamado “espírito da lei”. Se for discriminatória e abranger apenas palavras inglesas, o que é uma tendência da esquerda nacional, tremendamente influenciada pelos filósofos franceses, não haverá outro motivo para comemorar. Mas, se abranger todos os idiomas, a felicidade se estenderá aos arruaceiros que se infiltram nas torcidas organizadas a fim de cometer atos de vandalismo. Contra eles, a polícia não poderá mais usar seus cassetetes. Esse galicismo, que traduzido para o português significa quebra-cabeças, parece ter sido um dos últimos avanços tecnológicos inventado pelos franceses. No mais, eles ficam a criar leis bizarras, que a esquerda brasileira adora copiar.
Aproveito para, enquanto é permitido, enviar a você meus melhores votos de Happy New Year.

Secos e molhados

16/01/2007 por bonat

Há dias em que estamos mais para secos do que para molhados. Confesso estar assim há algum tempo. A transição do ano velho para o novo 2007 trouxe-me tantas preocupações, que acabou secando minha fonte de inspiração para transmitir, como gostaria, uma mensagem de otimismo. Notícias tornaram-me incrédulo em relação ao futuro dos nossos filhos e netos. Autoridades do Judiciário e do Legislativo tentaram furar o teto salarial com sua lança antiética, autoconcedendo-se um gordo presente de Natal. Teriam conseguido, não fossem os protestos da imprensa e parte da sociedade.
Ainda no final de 2006, foi divulgado o vídeo de uma brasileira fazendo sexo em praia espanhola. Mesmo estando em local público e, portanto, cometendo um crime, a celebridade entrou na justiça para impedir sua divulgação. Sou do tempo em que o sonho de todo adolescente era ter a primeira noite com uma francesa. Os franceses, sabiamente, passaram o troféu para as brasileiras. Hoje, aconselha-se às nossas compatriotas que, ao viajarem para o exterior, ocultem sua nacionalidade. Senão, logo receberão uma cantada.
O carnaval se aproxima. Nossa mais poderosa rede de tevê, em suas chamadas para a festa, tem exposto o bumbum de loiras e mulatas, verdadeiro convite ao turismo sexual. Mais tarde, a mesma rede mostrar-se-á hipocritamente preocupada com a vinda de estrangeiros em busca de sexo barato em nosso litoral. O Big Brother, símbolo do nosso atraso intelectual e moral, continua em alta. Os apagões aéreo e rodoviário (sem falar no ferroviário, já crônico) prenunciam a inviabilidade de nossa expansão. O energético só espera a economia crescer para se manifestar. O “socialismo o muerte” de Hugo Chávez nos arremessa a um retrógrado passado de violência. “Muerte“ de quem? Por certo, o senhor Chávez, com tanto poder e a riqueza dos petrodólares, não pensa partir tão cedo. Então, que se cuidem seus adversários. Se, além de parodiar, ele pretende imitar o “Comandante”, deve estar imaginando instituir o “paredón” venezuelano.
Uma boa notícia poderia ter-nos alegrado: o Cow Parede, evento realizado em Curitiba a fim de arrecadar recursos para instituições de apoio à criança. Trata-se de idéia surgida em Zurique e repetida mundo afora. Boas idéias devem ser imitadas. No Brasil, as populações de Belo Horizonte e São Paulo já haviam se deliciado com as simpáticas vaquinhas. Mas não é que na minha Curitiba, famosa por ser ordeira e civilizada, algumas das acrílicas mimosas viriam a sofrer atos de vandalismo! Não esqueçamos de que o gado é dos animais mais globalizados, que nos fornece o leite e o tão apreciado churrasco. Podia estar aí o primeiro indício sobre o autor do crime: um vegetariano, pista logo descartada ao lembrarmos que, por razões óbvias, vacas também são contra o consumo de carne vermelha. Descobrir quem danificou as obras de arte não é o mais importante. O grave no caso é a revelação de como estamos regredindo moral e socialmente.
Todo esse quadro econômico, político e, principalmente, ético e moral, torna-me cético quanto ao futuro. Há soluções. Espero que pessoas responsáveis logo as encontrem. Caso contrário, o velho comércio de secos e molhados vai virar um “armazém de secos”.

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Dia da Pátria

07/09/2006 por bonat

Ao abordar o tema patriotismo, vem-me a preocupação de não transmitir a idéia de que este seja um assunto exclusivo dos militares. Embora tenha vestido farda por mais de quarenta e um anos, o que, vamos convir, exerce enorme influência sobre meus pensamentos e ações, vou tentar falar como um cidadão brasileiro que vive, sofre, alegra-se e sente as conseqüências de tudo o que aqui se faz de certo ou errado.
O Brasil, como qualquer país, passa ora por bons ora por maus períodos. O problema é algumas pessoas acreditarem que dificuldades conjunturais possam fazer diminuir o sentimento patriótico do nosso povo, quando, na verdade, ele é uma chama interior que nos dá força nas horas de desesperança.
Pátria não é apenas o país onde nascemos, ao qual nosso ser está preso pelas mais profundas raízes. Representa muito mais – é continuidade histórica, patrimônio comum, emoção, é coração. Não é de ninguém, pois a todos pertence.
O Sete de Setembro oferece a oportunidade para demonstrarmos o orgulho de ser brasileiro. É o momento de nos questionarmos sobre o que podemos fazer para o engrandecimento da nossa Pátria. E a resposta me parece simples – basta que cada um de nós procure ser uma pessoa de bem, termo em desuso, mas que resume o compromisso que devemos ter com nossos compatriotas.
Um país nunca será maior do que o amor que lhe dedicam seus filhos. Nosso dever com as futuras gerações é o de lhes transmitir o valor das coisas que são somente nossas e que nos caracterizam como nação. Assim fazendo, a cada Sete de Setembro teremos uma Pátria mais forte e mais independente.
Quantos nos invejam por sermos um povo inteligente, criativo e desprovido de toda ordem de preconceito! Quantos gostariam de possuir imensas riquezas naturais como as nossas! Quantos admiram nossa história, rica de vultos que merecem ser reverenciados e imitados! Será que somente nós não conseguimos reconhecer o nosso valor? É hora de nos olharmos no espelho e enxergar, também, o que temos de bom. É hora de aumentar nossa auto-estima para podermos passar às novas gerações a maior herança que recebemos dos nossos pais: o orgulho de ser brasileiro!

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Dia da Vitória – até tu, Bolívia?

08/05/2006 por bonat

O passado certamente não é um bom lugar para se viver. Mas convém visitá-lo de vez em quando. Encontrar, nas comemorações do Dia da Vitória, os remanescentes dos vinte e cinco mil pracinhas que lutaram na Itália propiciou-nos retornar a um momento importante da nossa história.
A mistura explosiva de um fluente orador e de um país mergulhado no caos, causado pelas pesadas restrições impostas em Versalhes, havia levado à ditadura nazista. Com a ajuda de Joseph Goebbels, espécie de marqueteiro da época, tornou-se fácil a conversão do povo alemão. Hitler governou com poderes ilimitados. E deu no que deu: quarenta e cinco milhões de mortos.
O oito de maio de 1945 foi um dia de festa nas trincheiras. Hitler e seu Partido Nacional Socialista estavam derrotados. A serenidade dos octogenários pracinhas fundamenta-se no orgulho de terem ajudado a pôr fim na louca aventura nazista. Eles sabem o frio que passaram, a saudade que sentiram e o medo que venceram. Somente eles e mais ninguém, principalmente os que estavam nas trincheiras opostas, a quem era preciso mostrar, a qualquer custo, que não existe raça superior ou inferior. Só eles sabem o quanto custou a vitória. Só eles vivenciaram aquele momento único, triunfal, de pisar de novo o solo pátrio.
A participação brasileira pode ser considerada pequena. Mesmo assim, tivemos quatrocentos e cinqüenta e uma baixas, o que não é pouco. Num exercício de imaginação, vamos supor que eles ressuscitassem agora. Iriam surpreender-se, pois o mundo avançou séculos nos sessenta e um anos que ligam aqueles difíceis tempos aos atuais. Ficariam admirados de ver como industrializou-se o Brasil rural da Década de Quarenta. Dos inúmeros avanços tecnológicos, possivelmente a televisão lhes chamaria mais a atenção. Ficariam interessados nos noticiários. Ao ouvirem as novidades da política, pensariam estar no Saara, tamanho é o atual deserto de dignidade. Nos intervalos, veriam que os marqueteiros continuam em moda, tanto se esbanja o nosso suado dinheirinho para a autopromoção dos nossos dirigentes.
Ao assistirem a matéria sobre a reunião de Puerto Iguazú, reconheceriam logo o presidente da Argentina, com seu jeitão de Perón. Acreditariam, pela liderança que exerce sobre os demais, ser Hugo Chávez o presidente do Brasil. Após lhes informarmos que aquele era o mandatário da Venezuela, imaginariam que o brasileiro seria Evo Morales. Afinal, ele havia tomado conta de refinarias da Petrobrás. Explicaríamos que estavam enganados: aquele era boliviano. Por exclusão, concluiriam ser o sorridente senhor de barba o presidente do maior país da América Latina. Aí, nos perguntariam: ele ri de quê? Não saberíamos responder. Eles, que deram a vida pelo Brasil e pela liberdade, nos olhariam com desprezo e voltariam correndo ao seu altivo passado.
Após esse tremendo mico, nós continuaríamos aqui, com o complexo de “colonizados” que há algum tempo tomou conta das nossas mentes. Tal síndrome nos impede de assumir o papel de liderança que, de forma natural, deveríamos exercer na América do Sul. E todos se aproveitam disso para nos passar rasteira: Argentina, Venezuela, Paraguai e, agora também, a Bolívia. Até tu, Bolívia, a quem o Brasil sempre procurou ajudar! Quem diria!