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Que tal presentear-se com um livro?

26/09/2017 por bonat

Cara(o) amiga(o),
Que tal presentear um amigo (ou a si mesmo) com um livro?
Nas 218 páginas de “Ciscos e Franciscos”, meu último livro de crônicas, ofereço um olhar sobre a realidade política e social em que vivemos, com uma pitada de humor.
Fica a minha sugestão, por apenas R$ 30,00 (com frete já incluso).
Se tiver interesse, basta informar no campo “Deixe um Comentário”, conforme o modelo abaixo, que farei contato para acertar os detalhes sobre a remessa do livro.
Grande abraço!
Hamilton Bonat

Publicado em Cultura

Sobre calúnias e caluniadores

22/09/2017 por bonat

Rolam muitos trocadilhos nas redes sociais. Normalmente são simpáticos, pois sintetizam verdades, mas de um jeito gostoso de ler. O mais recente – “Se um Moro já causa estrago entre os corruptos, imagina um Mourão!” – viralizou. Deixou os maus políticos em polvorosa. “É uma ameaça à democracia”, repetem sem cessar, contando com a ruidosa ajuda da imprensa para espalhar o seu temor por aí.

Recordo que, em 1993, a mesma “ameaça” veio à tona. Naquela ocasião, o Chefe do Estado-Maior do Exército criticou os denominados “anões do orçamento”, um grupo de parlamentares que havia desviado algo em torno de R$ 150 milhões, valor que parece migalha se comparado ao que se tem desviado nos últimos tempos. Foi o bastante para que, em causa própria, a classe política alardeasse que a democracia corria perigo.

A adesão de boa parte da imprensa, reforçando a ideia de que a ameaça era iminente, foi o suficiente para que, desde então, políticos corruptos se sentissem à vontade para assaltar os cofres públicos. Portanto, não é de estranhar o fato de ter sido agora encontrada, no apartamento emprestado a Gedel Vieira Lima, ministro nos governos Lula e Temer, a fabulosa quantia 51 milhões de reais, em dinheiro vivo. Aí, poucos enxergaram ameaça à democracia…

Quem assistiu até o fim a resposta do General Mourão à questão que lhe foi colocada no restrito âmbito de uma loja maçônica, viu que ele expressou, com precisão, o que vai na alma dos verdadeiros soldados: “A minha geração foi marcada por sucessivos ataques contra a nossa Instituição, feitos de forma covarde e não coerente com os fatos ocorridos entre 1964 e 1985. Buscamos fazer o melhor e levamos pedrada de todos os lados”.

Pois é bem essa a realidade. A nossa geração (minha turma é dois anos anterior à dele), permanente e exclusivamente voltada para o preparo do Exército como instrumento de defesa nacional, totalmente afastada das questões políticas, acompanhou, silenciosamente, o verdadeiro massacre sofrido pela Força desde o dia em que nos apresentamos em nossos primeiros quartéis, no início dos anos 1970.

Logicamente, nós já deveríamos estar vacinados contra as mentiras. Há meio século, temos lido e ouvido calúnias contra os militares nos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, a mesma ladainha tem sido repetida em universidades públicas e em algumas particulares. “No tempo da ditadura, todos fomos torturados”, tornou-se verdadeiro bordão de quem quer se passar por vítima.

Não bastasse, em “Os Dias Eram Assim”, a rede Globo mostra um regime brutal e reforça a verdadeira lavagem cerebral a que tem sido submetida parcela do povo brasileiro. Trata-se de mais uma produção para, de certa forma, lançar uma cortina de fumaça sobre a realidade do Brasil de hoje, da corrupção desenfreada, do cidadão enclausurado, refém do tráfico e de assaltantes. Aí, ninguém vê ameaça alguma…

Ela também não é vista em um Congresso que custa R$ 28 milhões/dia, enquanto há mais de 12 milhões de desempregados. Nem na violenta guerra civil do Rio de Janeiro, resultado da incompetência e da corrupção. Nem no assalto aos cofres da Petrobras. Nem quando um líder do MST incentiva seus integrantes a se armar, partir para a guerra, a tocar fogo no Brasil. Nem quando líderes do PT ameaçam e anunciam uma luta armada e sangrenta. Muito menos quando um ex-ministro do governo Lula, Ciro Gomes, desafia o juiz Sérgio Moro a prendê-lo, afirmando que, se isso vier a acontecer, “ele receberá a turma do Moro na bala”.

Ora, há no mínimo uma falsidade de quem afirma não enxergar essas ameaças. Que deixem de ser falsos, pois “cada falso tem o cadafalso que merece”. “Você riu desse trocadilho? Pois o Damon Hill”. Mas, se não riu, caro leitor, e se tanta podridão não o deixa preocupado, nada posso fazer para convencê-lo.

De qualquer forma, não se preocupe, pois não haverá golpe algum. O golpe já foi dado por uma quadrilha que se apossou da chave do cofre da Petrobras para arrancar para si toda a riqueza que lá havia e, o mais grave, para acabar com a nossa dignidade. Uma quadrilha que, mais uma vez, tem a cara de pau de posar de vítima. Façam-me o favor!

Publicado em Nacional, Política

Quando foi que perdemos a dignidade?

08/09/2017 por bonat

Quando fui publicar o meu segundo livro, pedi ao eminente jornalista Rafael de Lala que fizesse a fineza de prefaciá-lo.
Além de enriquecer aquela minha segunda obra, ele brindou-me e aos meus leitores com o texto que reproduzo abaixo e que relata como o nosso País já contou com dirigentes e políticos honestos, compromissados com o Brasil e com o seu povo.
Lamentavelmente, o fato narrado aconteceu há quase 200 anos, período suficiente para que, aos poucos, os bons exemplos fossem esquecidos e verdadeiras quadrilhas tomassem conta do poder.
A mentira virou norma. Perderam a vergonha e o medo, pois, ao que parece, fizeram leis que os protegem e lhes asseguram sair impunes dos processos nos quais, sabidamente, são culpados.
Veja que belo exemplo nos deixaram os Irmãos Andrada.

“Lá um dia, ao receber seu vencimento e colocá-lo debaixo
da cartola, José Bonifácio saiu à rua.
Por onde passava, ia retribuindo a saudação das pessoas.
Quando se deu conta, de tanto tirar e repor a cartola,
o dinheiro havia sumido.
Ao retornar ao palácio, contou a D. Pedro o sucedido.
O Imperador chamou Martim Francisco e mandou
que este sacasse do Tesouro outro pagamento
para o irmão descuidado.
O Ministro da Fazenda recusou, dizendo: ‘Nada disso,
o senhor José Bonifácio só vence um ordenado por mês,
como qualquer outro funcionário.
Por isso, peço a Vossa Alteza para repartir com ele meu subsídio, mas não posso pagar-lhe duas vezes’.”

Publicado em História, Nacional

Pistoia – por Cecília Meireles

07/09/2017 por bonat

Pistóia – Cemitério Militar Brasileiro
Cecília Meireles

Eles vieram felizes, como
para grandes jogos atléticos,
com um largo sorriso no rosto,
com forte esperança no peito,
- porque eram jovens e eram belos.

Marte, porém, soprava fogo
por estes campos e estes ares.
E agora estão na calma terra,
sob estas cruzes e estas flores,
cercados por montanhas suaves.

São como um grupo de meninos
num dormitório sossegado,
com lençóis de nuvens imensas,
e um longo sono sem suspiros,
de profundíssimo cansaço.

Suas armas foram partidas
ao mesmo tempo que seu corpo.
E, se acaso sua alma existe,
com melancolia recorda
o entusiasmo de cada morto.

Este cemitério tão puro
é um dormitório de meninos:
e as mães de muito longe chamam,
entre as mil cortinas do tempo
cheias de lágrimas, seus filhos.

Chamam por seus nomes, escritos
nas placas destas cruzes brancas.
Mas, com seus ouvidos quebrados,
com seus lábios gastos de morte,
que hão de responder estas crianças?

E as mães esperam que ainda acordem,
como foram, fortes e belos,
depois deste rude exercício,
desta metralha e deste sangue,
destes falsos jogos atléticos.

Entretanto, céu, terra, flores,
é tudo horizontal silêncio.
O que foi chaga, é seiva e aroma,
- do que foi sonho não se sabe
e a dor vai longe, no vento…

Publicado em Homenagens, Literatura

De um Capitão aos seus bravos e jovens Artilheiros

30/08/2017 por bonat

Minhas palavras iniciais são para saudar o Coronel Faccin e os atuais integrantes do 3º GAAAe pelo transcurso, na data de hoje, do Dia do Soldado. Ao mesmo tempo, agradecer-lhe, Comandante, por estar nos prestigiando com a sua presença, abrindo mão do seu merecido repouso, junto à sua família, em uma noite de sexta-feira. Esta noite, que nos é muito especial, torna-se mais especial ainda com a sua presença.

Caríssimos tenentes, subtenente, sargentos, cabos e soldados da nossa saudosa 2ª Bateria de Canhões. Permitam que eu ainda os chame assim. É óbvio que vocês não são mais tenentes, sargentos ou soldados. São mais, muito mais, graças à sua dedicação, ao seu trabalho e, é claro, à sua inteligência. Se assim os chamo, é para que, por alguns minutos apenas, nos sintamos 38 anos rejuvenescidos

Quando o Dal Zotto, o Hugo, o Braga, o Branco e, lá da distante Manaus, o Perraro começaram a divulgar pela internet, alguns meses atrás, a intenção de reunir os integrantes da nossa Bateria, eu disse para a minha mulher: “tenho que ir”.

E essa vontade de reencontrá-los foi aumentado à medida que as notícias foram chegando. Que 40 já haviam confirmado a presença, depois 50 e, finalmente, que cerca de 60 ex-soldados estariam presente… “Encontramos o Tenente Horn e o Sargento Nicolau e eles também irão”. “Localizamos o Subtenente Dall’Agnol e o Sargento Simões…” Depois, noticiaram que os Tenentes Vargas e Roberto estariam presente. E, mais recentemente, os Sargentos Hildo, André e Martins… Falei novamente para a minha mulher: vou de qualquer jeito. Não posso ficar de fora. Tenho que reencontrar essa turma boa.

Ainda ontem, já em Caxias do Sul, encontrei o Sargento Spiandorello e o Cabo Stapassola, que me informaram que estariam conosco.

E hoje, tivemos mais uma agradável surpresa ao encontrar aqui uma pessoa que sempre se esforçava para, com a sua tesoura, nos deixar “ainda mais bonitos”: o nosso querido amigo Modesto.

Vocês não imaginam a alegria que sinto por estar aqui, nesta noite que tem mais do que um sabor de simples nostalgia. Este reencontro dos bravos artilheiros da nossa saudosa 2ª Bateria tem o poder de nos tornar quase quarenta anos mais jovens. Aqui estamos a respirar os ares de um passado que nos é muito caro, que significa muito para cada um de nós.

Esta reunião permite que voltemos, momentaneamente, ao ano de 1979, quando a atual Bateria de Mísseis do 3º GAAAe ainda se chamava 2ª Bateria de Canhões. Uma bateria que foi nossa. Quando digo nossa, refiro-me a todos os seus ex-integrantes, do Capitão aos Soldados. Nos orgulhávamos muito dela.

Viemos para mostrar como o tempo foi generoso conosco. Deu-nos sabedoria, que só a experiência de vida proporciona e nos permite olhar o mundo de maneira mais compreensiva, menos individualista, mais profunda, menos superficial. Ele permite darmos meia-volta volver e olharmos orgulhosos para trás, relembrarmos das coisas boas por que passamos e dos obstáculos que conseguimos superar ao longo da nossa existência. Foram muitos. Cada um teve os seus e os ultrapassou. Todos nos tornamos vitoriosos. O bondoso tempo nos deu esposas, filhos e netos, que nos ajudaram a percorrer o caminho.

Por outro lado, a face cruel do tempo, aquela que não para de marchar em direção ao futuro, deixou-nos marcas, por vezes implacáveis. Algumas são invisíveis. Outras estão estampadas em nossas silhuetas. As mais notáveis estão na falta de cabelo de alguns, na cabeça embranquecida de outros ou, no meu caso e de mais alguns, na barriguinha saliente que teima em não encolher e em não voltar para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Há ainda outros de nós que, lamentavelmente, não podem estar aqui, pois foram requisitados pelo Pai Eterno. A eles, a nossa respeitosa e saudosa reverência.

Viemos para recordar que éramos campeões de tudo. Não havia bateria que nos batesse, qualquer que fosse a competição. Na ordem unida, nos desfiles matinais, nas olimpíadas, nas campanhas de tiro em Cidreira, com os nossos moderníssimos canhões Oerlikon e suas potentes e impressionantes rajadas de 1100 tiros por minuto…

Não lembro se éramos campeões também em indisciplina. Pode ser, pois vocês eram muito jovens e todo jovem tem o direito de possuir um espírito rebelde. Eu, por também ser jovem, possivelmente era o Capitão campeão de punições.

E, por falar em punições, vou recordar de uma música que cantávamos, a fim de tornar menos cansativas e monótonas as nossas corridas. Era mais ou menos assim:
“Bicho danado pra andar de passo errado… E vocês respondiam: “é o soldado, é o soldado”…
“Bicho danado pra nos dar ensinamento… É o sargento…”
“ Bicho danado pra pegar no pé da gente… É o tenente…”
E terminávamos com o “Bicho danado pra nos dar punição… “ Aí vocês aproveitavam para se vingar: “É o capitão…”

Faltou, na época, talvez por falta de inspiração, acrescentar que o nosso estimado Subtenente Dall’Agnol era o bicho danado que afugentava com o seu facão os soldados que estavam perturbando em sua reserva.

Tudo isso, e muito mais, eram coisas de jovem. Foram elas que nos tornaram, principalmente a vocês, os soldados de então, muito unidos. E continuam unidos até hoje. Não esquecem uns dos outros, de cada detalhe, de cada sorriso, de cada lágrima, de cada aflição, de cada apelido. Ajudavam-se, por isso venciam, por isso continuaram vencendo.

Éramos jovens, muito jovens. Jovens que não tinham celulares, nem tablets, nem Whats App, e tudo mais que o avanço tecnológico proporciona aos jovens que hoje ocupam o lugar que foi nosso.

Mas havia, em 1979, algo que o avanço tecnológico tem, de certa forma, abafado: o calor humano. Esse é o grande diferencial. Foi ele, o calor humano, que nos conduziu até aqui, neste 25 de agosto de 2017, para que matássemos a saudade da nossa velha 2ª Bateria e matássemos a saudade de nós mesmos.

Se pudéssemos, entraríamos num túnel do tempo e voltaríamos àquele longínquo ano, para permanecer por alguns dias naquele velho, desconfortável até, pavilhão que foi a nossa casa durante quase um ano. Isso, entretanto, é impossível. Nossa vez já passou. Os jovens, agora, são outros, não nós.

Caros amigos.
O passado não é um bom lugar para se viver. Mas convém visitá-lo de vez em quando. É o que estamos fazendo neste momento.

Agradecemos a Deus por nos propiciar esta visita às alegrias do passado e reavivar em nossa memória os desafios que transformamos em conquistas, graças à união dessa turma, união que superou o tempo.

Agradecemos pela oportunidade de vivenciarmos este momento de emoção de rever amigos, alguns que não víamos há 38 anos.

Para finalizar, tentei encontrar uma frase que pudesse sintetizar o significado deste reencontro para todos nós.

Em pouquíssimas palavras creio que viemos aqui nesta noite especial para declarar que, para nós, ”1979 foi um ano que valeu à pena”!

Nós, oficiais e sargentos de então, alguns, como eu, já chegando ao outono da sua existência, ao ver que os nossos soldados continuaram vencendo, queremos ser ainda mais incisivos e proclamar: “claro que 1979 valeu à pena!”

Somos muito gratos por nos terem convidado. A todos, o nosso forte abraço. Muito obrigado.

“Capitão” Hamilton Bonat – 25 de agosto de 2017

Publicado em Datas marcantes

De Reynaldos e Elíbios

07/08/2017 por bonat

“O senhor conheceu Elíbio Bonat?” Quem me indagava, por terem servido junto, era o senhor Reynaldo Pontarolli (foto), um dos três heróis anônimos da Força Expedicionária Brasileira a quem eu dava uma carona até o quartel-general da 5ª Região Militar, onde eles teriam uma reunião com o General Adhemar da Costa Machado Filho, seu Comandante à época.

Claro que conheci! E, convenhamos, ele nem precisaria ter dito o sobrenome – Bonat – pois foram pouquíssimos os Elíbios que passaram por este planeta Terra. Um deles foi o meu pai. Ele quase seguiu para a Itália também. Mas teve sorte. Quando chegou a vez de o seu contingente embarcar, a guerra terminara.

Segundo alguns tios, era para ele chamar-se Alípio. Entretanto, nos anos 1920, nem mesmo os escrivães eram alfabetizados, razão para ser até aceitável que recém-nascidos tivessem seus nomes adulterados. Se essa era a realidade nas capitais, imaginem nos cartórios localizados em remotos e isolados pedaços do interior de um Brasil preponderantemente rural de então. Pelo nome – Pangaré – localidade onde meu pai foi registrado, não é de estranhar que até o escrivão fosse, na melhor das hipóteses, semialfabetizado.

Há ainda outra versão, que fica por conta do fantasioso folclore familiar. Segundo ele, meu avô, coincidentemente também chamado Reynaldo, para comemorar a chegada de mais um filho, teria bebido além da conta no dia em que foi registrá-lo. Por isso, teria se confundido na hora de declinar o seu nome, trocando Alípio por Elíbio. Trata-se, no entanto, de hipótese pouco provável, pois nunca o vimos e nem soubemos que tivesse ingerido mais do que uma taça de vinho por refeição.

Voltemos ao senhor Pontarolli. Semana passada, tive que dele me socorrer. Meu neto veio pedir ajuda. Recebera, como trabalho escolar no Colégio Marista, onde estuda, a missão de entrevistar alguém sobre a II Guerra Mundial. Não precisava ser um Pracinha, mas, de imediato, lembrei-me do seu Reynaldo. Sabia que, todas as tardes de quarta-feira, ele ainda se reúne com alguns dos seus raros colegas. Na última quarta-feira, gravador em punho, nos mandamos, eu e João Gustavo, para a Legião Paranaense do Expedicionário, onde ele, com seus 96 anos e com toda a boa-vontade e paciência, teve a gentileza de conversar demoradamente com o meu neto, uma criança de apenas doze anos de idade.

Sua memória é invejável. Narrou em detalhes a sua experiência, desde a madrugada de 21 de abril de 1944, quando o navio que o transportaria (e mais de seis mil jovens colegas seus), zarpou do Rio de Janeiro, até o retorno triunfal, em julho de 1945.

O hilário disso tudo é que o trabalho foi passado para a classe do meu neto pelo professor de português, não pelo de história. Os alunos teriam que produzir uma “reportagem” sobre a participação do Brasil na II Grande Guerra, para ser publicada num “jornalzinho” da escola.

Louvável a iniciativa de um educador, que, espero, venha a ser repetida, com ainda mais razão, pelos de história. Afinal, em um país que tem a mania de procurar heróis no estrangeiro, é sempre bom valorizarmos os que temos em nossas cidades, bem ao nosso lado, e que ficam imensamente gratificados quando alguém se mostra interessado em ouvir as histórias que têm para nos contar.

Publicado em História

Domingo

30/07/2017 por bonat

Por ser domingo, ele está fazendo a barba. Não para ir à missa, como antigamente, quando – parecia-lhe – os padres católicos ainda acreditavam na vida eterna. Mas, desde que eles trocaram Deus pela teologia da libertação, ele, assim como outros milhões de fiéis, não mais acredita em suas pregações.

O domingo está enfarruscado. Anuncia chuva. Não importa. Para aposentados, todos os dias são domingo, merecidos domingos, após mais de quarenta anos de batente.

Não precisava, talvez nem devesse, porém se preocupa com notícias vindas do Rio de Janeiro. Elas dão conta de que mais de dez mil soldados foram jogados às feras, a fim de tentar, ao menos, diminuir a violência da verdadeira guerra civil que se espalhou por uma cidade que já foi maravilhosa.

Eles, os menos valorizados em termos salariais dos agentes federais, devem ter passado a madrugada toda, de sábado para domingo, patrulhando ruas e praças, que sucessivos governos incompetentes e corruptos transformaram em campo de batalha.

Desde que o senhor Leonel Brizola, eleito duas vezes pelos cariocas, impediu que a polícia subisse nos morros, o tráfico começou a tomar conta do pedaço. Mas foi nos últimos 13 anos que a coisa degringolou de vez. As ligações dos governos do PT com as FARC, sempre tratadas como um “inocente” movimento social, serviram de estímulo ao crime organizado.

O Brasil deixou de ser apenas um corredor de exportação. Tornou-se campeão mundial no consumo de crack e o vice em cocaína. E o Rio virou o seu epicentro. É muito grave o fato de que o assassinato de mais de noventa policiais, em apenas seis meses, não ter comovido governos, Igreja, nem imprensa e muito menos a tradicionalmente caridosa turma dos direitos humanos. Mas, quando morreram traficantes… Que conclusões se pode tirar?

A missão do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, segundo anunciado, se prolongará até o final de 2018. Não apenas aos domingos, mas durante toda a semana. Se algum soldado morrer, poucas lágrimas rolarão. Mas quando a morte for a de um traficante, choverão denúncias às comissões de diretos humanos da OEA e da ONU, exigindo intervenção no Brasil. Imaginem, então, o que exigirão se alguma pobre criança inocente vier a falecer acidentalmente por bala perdida…

Barba feita. No capricho, como nos velhos tempos. Antes de sair para curtir o seu domingo, ele fica imaginando quem poderia intervir no Brasil. Pensa nas bolivarianas tropas da Venezuela, cujo mandatário – o senhor Maduro – conseguiu a proeza de destruir um país que já foi o mais rico da América Latina. Além de que, ele, o Senhor Maduro, é membro ativo do Foro de São Paulo e já conta com o apoio da atual presidente (ou presidenta?) do Partido dos Trabalhadores, infelizmente, paranaense como eu.

Quem sabe, tropas cubanas não venham a desembarcar no Rio. Seria a “glória do Foro de São Paulo”, além, é claro, da oportunidade para que os soldados de Fidel nos dessem “lições de democracia”.

PS: Uma pergunta que não quer calar: por que será que a nossa imprensa, sempre tão corajosa, não noticia as atividades do Foro de São Paulo? Seria por covardia? Ou seria por conivência?

Publicado em Segurança Nacional

Quem quer destruir nosso continente? (Juan Koffler)

08/04/2017 por bonat

Tardou, mas aconteceu. O processo iniciado pelo truculento tenente-coronel Hugo Chávez e continuado por seu discípulo – o não menos celerado, Nícolas Maduro (ambos filhotes de Fidel) -, imprimiu à castigada pátria venezolana, a partir de 1999, um regime de terror em sentido lato. Próximo de completar duas décadas de literal tortura a essa castigada sociedade, o fechamento do Poder Legislativo e a transferência das suas responsabilidades para a Corte Suprema, desestruturam grosseiramente a tripartição montesquiana dos poderes, rumando para uma descarada “cubanização”, pesadelo criado por mentes enfermas, alienadas e egocêntricas.

Em concomitância com os movimentos maciços contra a ditadura criminosa e sequer disfarçada de Maduro na Venezuela, a capital do Paraguai assistiu noites atrás sua parcela de “terror vermelho”: a Casa Congressual amanheceu em chamas em razão de outro tipo de golpe: uma manipulação espúria de senadores que, na calada da noite, buscavam aprovar projeto de lei que reabilita a reeleição presidencial, com vistas a trazer novamente o questionável ex-presidente de tendência esquerdista, Fernando Lugo (que tanta polêmica já causou, recentemente), ao poder. Contabilizam-se mortos e feridos nesse confronto sócio-político, que representa mais um grotesco conluio comunista rumo à tomada e destruição de todo o continente.

Brasil, nesta “Era Lulo-Petista” – leia-se “comunista disfarçada” -, já acumula longos 14 anos de governança irracional, destrutiva, populista, incompetente, capciosa, causadora de rombos bilionários aos cofres da União, atrasos sociais, desestabilização econômica, insegurança jurídica, nessa insana zaga dos partidos ditos “de esquerda” (mas que congregam mais capitalistas do que o mais ferrenho e desavergonhado capitalista de direita). Um verdadeiro paradoxo social, digno (se existisse) não de um terceiro, mas de um quinto mundo.

Nestes 14 últimos anos, Brasil literalmente só regrediu (em amplo sentido), embora a grande imprensa (alinhada com as agremiações esquerdistas e regiamente paga por estas) venha tentando disfarçar a monstruosa desconstrução sócio-político-conjuntural da nação, exaurindo-a até seus últimos vinténs e também ao seu povo, em nome de um “socialismo para lunático ver”. Todos os índices, literalmente (econômico, político, social, educativo, laboral, conjuntural, motivacional, etc.), desandaram em queda livre, o que pode ser observado a olho nu e sentido na própria pele por toda a população.

Em suma, tudo o que esses degenerados comunistas já causaram de prejuízo à sociedade brasileira, aponta, inefavelmente, para dois funestos destinos: a quebradeira da nação ou a escravização total da sua sociedade. Tal qual os exemplos inquestionáveis de Cuba (há quase 60 anos), Venezuela, Equador, Colômbia, Argentina (que ainda vive às voltas com essa libertinagem ideológica), Bolívia, Peru, e, alhures, Coreia do Norte, China, Rússia. O continente perdido…

América do Sul e Central, não se negue, formam um continente extremamente rico em amplo sentido: belíssimas costas, banhadas por dois oceanos; opções multi climáticas (temperado, calor, frio, frio extremo – neve -, chuvoso, seco) e uma topografia diversificada e de causar inveja a outros distantes cantos deste castigado planeta Terra. Qual, então, a grande problemática que nos assola, historicamente falando? Nossa herança genética (legada por nossos colonizadores), associada a um nível cultural extremamente díspar, a um sistema educativo paupérrimo (em sentido lato, do grau mais elementar ao mais elevado) e manipulado conforme os interesses políticos vigentes , a níveis de alienação social que beiram o escandaloso e o autofágico.

O velho e surrado adágio popular é certeiro em sua determinação: ‘em terra de cego, quem tem um olho é rei’. Nada mais verdadeiro. Aos três exemplos supracitados, em termos de escândalos sócio-políticos, somam-se praticamente todos os demais países do continente, cada um com sua “lista especial de crimes”. Em situação similar aos países supra, encontram-se, com maior ênfase: Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, Chile, Colômbia, Equador, apenas para citar os de maior expressão. Nestes, os governantes são claramente populistas de esquerda e rezam pela cartilha marxista-leninista. A comprovar tal assertiva, está a ostensiva situação sócio-político-econômica dessas nações, cujas economias e políticas sociais transparecem claros e gravíssimos problemas de desequilíbrio ostensivo, fator que os corrói lenta, mas persistentemente, e que está intimamente associado à questão da ideologia, ou melhor, da falsa e capciosa ideologia das massas. Uma das mais grotescas, capciosas e hediondas falácias, calcada no destrutivo e mais que utópico marxismo-leninismo.

Atrevo-me a pontualizar, com bastante segurança, que o “grande vilão” encontra-se, em primeiro termo, nos bancos escolares (do primário ao universitário) e, em segundo termo, no seio familiar. É nestes ambientes que se consolida a influência de ideologias em mentes despreparadas – que eu cognomino de “primitivas” -, pois que instáveis, inseguras e terreno fértil para o inculcamento de doutrinas que propiciem a fácil submissão. Eis o grande “X” da questão social.

Enquanto não tivermos uma substancial reformulação em nossos determinantes educativos (familiar e formalmente), continuaremos a penar pela ignorância inerente às nossas massas alienadas, despreparadas e irresponsáveis pelo próprio futuro que lhes aguarda, no presente e nas futuras gerações de “escravos úteis”.
Quem viver, verá…

JUAN KOFFLER: Jus sociólogo, escritor, professor-orientador de Mestrado e Doutorado, brasileiro naturalizado, amante e defensor ferrenho dos animais (sem exceção) e da natureza, fã incondicional de música (principalmente clássica), leitor incansável, jogador de xadrez, fã incondicional da aviação e do volovelismo. Mora em Santa Catarina.

Publicado em Nacional, Política

A Mulher do Piolho (Joaquim Cardoso Filho)

30/03/2017 por bonat

Quando me apareceu o primeiro relógio à prova d’água, foi uma admiração. Tratava-se de um Mido, automático. De pronto, sonhei possuir um, mas estava muito distante de minhas possibilidades. Imaginem, amigos, nos idos de minha adolescência, ter ao pulso um relógio de marca famosa que, além de automático, permitia ao dono entrar na água com ele. Poder mergulhar numa piscina, num rio, no mar, ou ir para debaixo de um prosaico chuveiro, sem necessidade de tirá-lo do braço. Era modernidade para poucos felizardos, considerei, e não me ocorreu perguntar que grande utilidade teria aquilo. Que diferença faria olhar ou não as horas, dentro d’água, em meio à diversão? Restou do episódio o instante de deslumbramento.

A menção ao relógio à prova d’água fica por aqui. Ocorreu casualmente, por correlação algo maluca. Tinha antes, na cabeça, o Brasil, e refletia ser um país à prova de esperança tamanha a degradação que o acomete, e acabou uma coisa puxando outra. Continuemos, pois. Dizia que o Brasil é à prova de esperança. De fato, é preciso muita persistência, muita fé, para continuar acreditando que as coisas poderão se consertar por aqui. As forças do atraso, alimentadas pela ignorância ou pura má-fé, trabalham contra a limpeza moral. Aliás, o Brasil seria uma potência econômica, um país do Primeiro Mundo, não fossem a burrice e corrupção que desgraçadamente nos vitimam desde os tempos cabralinos. Temos abundância de terras férteis, riquezas minerais, grandes rios etc. Tivemos e temos grandes empreendedores, como o saudoso empresário Antônio Ermírio de Morais. Têm-nos faltado, contudo, no mundo da política, os estadistas. Homens de elevada estatura moral e competência para administrar o generoso potencial que a natureza nos oferece. Sobra-nos, por outro lado, a ladroagem. Eis uma combinação letal.

Vemos, agora, as reações contra o governo de Michel Temer, orquestradas pela esquerda deletéria. Antes, é preciso dizer que desgraçado é o país em que uma parcela ponderável de seu povo tem como ídolo um infame corrupto e mentiroso como Lula da Silva, travestido de líder messiânico. De lascar, amigos! Deste jeito, não há Deus que nos ajude. Sigamos. A favor de Temer, sejamos francos, talvez se tenha pouco ou nada a dizer. Basta lembrar que, até poucos meses atrás, ele e seu partido (PMDB) eram sócios da administração petista que afundou o País. No entanto, tornou-se a única porta para se sair do abominável governo de Dilma Roussef. Apesar dos gritos de “golpe! golpe!” dos idiotas vermelhos, era ele ou ele, dentro do que a Constituição Federal permitia, e tivemos de nos resignar com o que foi possível.

Com Temer posto na presidência como pneu socorro no meio da viagem, surgiu a tímida esperança de que pudesse fazer razoável transição até o pleito presidencial de 2018. Reconheça-se que vem tentando. Tem em seu projeto de governo reformas importantes como a da previdência social, a tributária e das leis trabalhistas, mas, para aprová-las, precisa negociar com, segundo muitos, o mais calamitoso Congresso de nossa sofrida história republicana. Piora que o problema não se restringe ao legislativo. A enfermidade moral é generalizada e alcança, inclusive, o judiciário, daí a tremenda dificuldade em remover os privilégios das castas. Todos dizem querer justiça social, mas ninguém aceita abrir mão, por menos que seja, de direitos e regalias corporativas absurdas, traduzidas em ganhos polpudos e aposentadorias generosas pagas com dinheiro público.

Será complicado arrumar a casa. O Brasil conta, a rigor, não com partidos políticos, mas com quadrilhas organizadas preocupadas muito mais em tungar o dinheiro do contribuinte e legislar em cima de interesses eleitoreiros ou espúrios, do que cuidar das urgentes necessidades do País. Agora, sob a ameaça representada pela Operação Lava-Jato, as ratazanas se desesperam e se juntam no esforço em construir esgotos legais que as salvem. É preciso, como declarou o senador Romero Jucá, um dos muitos envolvidos em escândalos financeiros, estancar a sangria. Existem exceções, sem dúvida, em meio aos malandros e rapinantes (preferiria rapineiros, mas o dicionário ainda não anotou o vocábulo) que povoam nosso mundo político, mas quase sempre atuam como fazem os auxiliares dos árbitros de futebol: agitam suas bandeirinhas, mas não apitam nada.

Eis, amigos, o país que parece impermeável a esperanças. Mas não dá para se entregar aos bandidos. Precisamos ter a teimosia da mulher do piolho, de antiga anedota.

Março de 2017.

Publicado em Nacional, Política

Pagou robalo e comeu sardinha

02/02/2017 por bonat

Pedro e Elpídio são filhos de Jacinto, que era filho de Severino Pescador. Além de Jacinto, Severino teve outros sete filhos. Mesmo madrugando todo dia para desafiar o mar, ficava difícil sustentar a prole. Já naqueles idos 1920, quando a tal da poluição ainda não havia dado as caras, o litoral paranaense não era piscoso. Matinhos, onde viviam, se resumia a uma colônia de pescadores, sem estradas, sem luz e sem escola. Ele e Josefina, por serem analfabetos, e principalmente por isso, queriam que as crianças estudassem. Mas como, se o dinheiro não dava? Foi aí que o compadre Adroaldo se ofereceu. Jacinto, de coração partido, despediu-se para morar na casa do padrinho, deixando chorosos mãe e irmãos. Paranaguá, hoje tão perto, parecia-lhe longe demais. Mas Jacinto soube aproveitar a chance, a mesma que não tiveram os irmãos. Esforçou-se, estudou muito e formou-se em contabilidade. Foi trabalhar no escritório do porto.

Severino não sabia como agradecer a Adroaldo. Dinheiro não tinha. Seu único bem, quando a sorte ajudava, eram os robalos, gostosos de comer, mas difíceis de pescar. Robalo não anda em bando como outros peixes menos saborosos e que se enroscam na rede aos montes. Por isso é mais valorizado. É a tal da oferta e da procura, lei que Severino obedecia, mesmo sem conhecê-la. Para agradar aos compadres, sempre que conseguia fisgar algum, dava um jeito de enviar-lhes. Josefina e a meninada que se contentassem com sardinhas, tainhas e farinha, que ficam bem em versos, mas não no prato nosso de todo dia.

Lá pelo final dos anos 1940, Jacinto casou com Jorgina. Combinaram que só teriam dois filhos. Jacinto tinha consciência das dificuldades dos pais, e do que isso acarretara aos irmãos: continuaram analfabetos. Nasceram Pedro e Elpídio, e só. Na época certa, mandou-os estudar em Curitiba, que ficava a quase quatro horas de viagem. Elpídio fez engenharia. Pedro, odonto. O primeiro foi em frente, virou engenheiro de renome. O segundo herdou o espírito aventureiro do avô pescador: não se acostumou em ficar o dia inteiro entre quatro paredes. Juntou umas economias e, com a mulher Silvinha, mudou-se para Natal. Montaram a Pousada Robalo.

No último inverno, Elpídio resolveu fugir do frio curitibano. Aproveitando uma promoção, levou Mariinha e os filhos. Na ida, a conexão em Guarulhos foi rápida. Desceram de um avião e entraram no outro. De Curitiba até Natal levaram cerca de quatro horas, o mesmo que os irmãos Pedro e Elpídio, quando estudantes, para irem de Paranaguá a Curitiba.

Ficaram uma semana na Robalo, em Ponta Negra, uma das praias da agradável capital potiguar. Gostaram muito, pois, mesmo sem ser luxuosa, Silvinha e Pedro tratam-na com capricho. O irmão nada lhes cobrou, mas disse que os preços são bem em conta, tendo em vista a concorrência. Novamente, oferta e procura, pois, como a da gravidade, é lei que político algum consegue alterar.

Na volta, entretanto, a conexão lhes reservaria uma surpresa. Tiveram que permanecer por mais de três horas no aeroporto. Aí, passaram uma raiva daquelas. Queriam comer alguma coisa. Uma espiada no cardápio de várias lanchonetes os assustou. Se estivessem sós, ele e Mariinha teriam desistido. Mas sabe como é, havia as crianças, e criança quando tem fome, tem fome. Moral da história: gastaram no aeroporto quase o mesmo que para voar três mil quilômetros. Parece que os comerciantes de lá consideram o Euro como a moeda vigente. E, como a procura é maior do que a oferta, o cliente que pague, se puder.

Se as passagens aéreas tinham saído quase de graça, em Guarulhos, Elpídio gastou uma fortuna. Sentiu-se lesado. Não se conteve. Mandou um torpedo ao irmão de Natal: “Estamos em Guarulhos. Acabo de ser assaltado. Paguei um robalo para comer uma sardinha”.

Publicado em Turismo