Texto publicado na Revista da AMAN – 1971

Manhã de sol, a de dois de março de 1968. Festa na Academia Militar das Agulhas Negras. Ansiosos, aguardávamos do lado de fora do pequeno portão que só é aberto uma vez por ano para a entrada dos que se propõem ao oficialato. Dentro, os Cadetes antigos esperavam formando uma ala de boas-vindas. Estávamos vibrando. Concretizávamos um sonho.
Quando o pequeno portão de ferro se abriu, por ele passaram jovens oriundos de todo o Brasil, de diferentes escolas, com o mesmo objetivo, com o mesmo passo, o mesmo olhar alevantado para o grande obstáculo que se nos antepunha – a Academia Militar. Aos poucos, fomos percebendo que teria que ser assim: juntos entramos, juntos lutaríamos e, ombro a ombro, completaríamos o curso. E assim foi.
Em agosto daquele mesmo ano recebemos o espadim, recompensa por nossos esforços. Passamos a ser Cadetes de verdade. Numa solenidade memorável, a Turma Marechal Castello Branco passou a cingir a miniatura da invencível espada de Caxias.
Em fevereiro de 1970, no início do terceiro ano, entramos no cinema acadêmico como Cadetes do Curso Básico. Saímos Cadetes das Armas. A Artilharia ganhava quarenta e oito novos artilheiros. Engatinhamos, demos os primeiros passos e, após dois anos de muito estudo, de manobras, de exigências de toda ordem, desvendamos os mistérios da mais misteriosa das Armas. Sempre ombro a ombro e com a mesma vontade de vencer, passamos os derradeiros dois anos.
Quatro anos de Academia. Só quem passou sabe o que significa. Há muito a contar: noites sobre os livros, saudade de casa e da namorada, longas e difíceis manobras no terreno, amizades, desfiles de Sete de Setembro, brincadeiras, apelidos, horas amargas e momentos felizes. Época de muita luta, de desafios.
Somos vitoriosos. Podemos continuar de fronte erguida, porque o portão de saída dos novos aspirantes, que também só se abre uma vez por ano, abriu-se para nós. Somos agora Oficiais do Exército Brasileiro e garantimos: “o Brasil pode confiar na Turma Marechal Castello Branco. Esses quatro anos não foram em vão”.
Aspirante-a-Oficial Hamilton Bonat
Arma de Artilharia, Turma de 1971 da AMAN
(Publicado na Revista Agulhas Negras)