Abertura da Semana Farroupilha – 1995

Prezados cavaleiros!

Vendo-os ao longe, vocês parecem seres mitológicos, a reencarnação dos seus heróicos antepassados a cavalgar por este solo sagrado. Antepassados que regaram a terra com seu sangue para que nela brotasse um povo com as marcantes características da valentia, do respeito e do trabalho.

Ao vê-los mais de perto, sentimos o orgulho e a altivez com que portam suas pilchas, seus relhos, suas guaiacas e seu chimarrão, como a querer mostrar aos mais jovens que, apesar de as novas cavalgadas serem facilitadas pelo avanço da tecnologia, elas não dispensam – ao contrário, exigem – que se ande municiado com os princípios morais que lhes querem transmitir.

Ao tê-los agora tão próximos, podemos sentir o calor de seus corações aquecidos pela chama criola, que portaram de tão distante com a convicção de que ela nunca se apagará. A responsabilidade por sua vigília, desde agora até quinta feira, caberá ao CTG Recanto da Tradição, que se envaidece com isso.

O reviver da história, o relembrar do passado e o recuperar a própria memória, a cada ano repetido na Semana Farroupilha, tem assegurado a manutenção da forte identidade gaúcha.

Essa volta às origens tem produzido sucessivas gerações de homens de bem, que tanto têm contribuído para o desenvolvimento do Brasil com o seu trabalho em todos os setores da vida nacional.

Na condição de militar transmito-lhes o meu testemunho de quantos e quantos soldados de valor o Exército recebeu e continua recebendo do Rio Grande do Sul.

Muitos estão espalhados por esta imensa Nação. Destaco a Brigada das Missões que, saída destes pagos, hoje está presente na Amazônia. Certamente, neste exato momento, em vários pontos da selva, esta mesma chama aquece corações gaúchos que lá também estão iniciando mais uma Semana Farroupilha.

Sejam bem-vindos, senhores cavalarianos. Sejam bem-vindos, senhoras e senhores tradicionalistas. Sejam bem-vindas jovens e belas prendas.

Que estejamos à altura dos nossos antepassados.

Que Deus nos ilumine para que saibamos transmitir aos piás de hoje os nobres sentimentos que herdamos.

O Recanto da Tradição sente-se orgulhoso em recebê-los. Podem apear. A casa é sua.