Quando foi que perdemos a dignidade?

Quando fui publicar o meu segundo livro, pedi ao eminente jornalista Rafael de Lala que fizesse a fineza de prefaciá-lo.
Além de enriquecer aquela minha segunda obra, ele brindou-me e aos meus leitores com o texto que reproduzo abaixo e que relata como o nosso País já contou com dirigentes e políticos honestos, compromissados com o Brasil e com o seu povo.
Lamentavelmente, o fato narrado aconteceu há quase 200 anos, período suficiente para que, aos poucos, os bons exemplos fossem esquecidos e verdadeiras quadrilhas tomassem conta do poder.
A mentira virou norma. Perderam a vergonha e o medo, pois, ao que parece, fizeram leis que os protegem e lhes asseguram sair impunes dos processos nos quais, sabidamente, são culpados.
Veja que belo exemplo nos deixaram os Irmãos Andrada.

“Lá um dia, ao receber seu vencimento e colocá-lo debaixo
da cartola, José Bonifácio saiu à rua.
Por onde passava, ia retribuindo a saudação das pessoas.
Quando se deu conta, de tanto tirar e repor a cartola,
o dinheiro havia sumido.
Ao retornar ao palácio, contou a D. Pedro o sucedido.
O Imperador chamou Martim Francisco e mandou
que este sacasse do Tesouro outro pagamento
para o irmão descuidado.
O Ministro da Fazenda recusou, dizendo: ‘Nada disso,
o senhor José Bonifácio só vence um ordenado por mês,
como qualquer outro funcionário.
Por isso, peço a Vossa Alteza para repartir com ele meu subsídio, mas não posso pagar-lhe duas vezes’.”

25 Respostas para “Quando foi que perdemos a dignidade?”

  1. Ultemir Dutra Diz:

    Tempos que não voltam mais.A honradez,o cumprimento da palavra dada,o procedimento escorreito em todas as atitudes são virtudes raramente encontradas nos dias de hoje.Todavia,não cabe esmore-
    cer.Educar adequadamente as crianças é fundamental para a manu-
    tenção de um estilo de vida adequado em nossa sociedade.

  2. Eunice Assini da Silva Diz:

    Acredito que existem muitos descendentes dos irmãos Bonifácio por este Brasil! Lamentavelmente não estão nos postos de comando político e econômico por ser este um terreno totalmente incompatível com seu “modus vivendi”.

  3. Alfredo Cherem Filho Diz:

    Prezado General
    Concordo plenamente com seu conceito do brilhante jornalista Rafael de Lala.
    Quanto a honradez de nosso povo, acho que entre os políticos é zero, porém entre a população restante que não pertence à esta corja de corruptos existem uma grande maioria silenciosa que não aparece na mídia que possuem honra e honestidade, um exemlo é a sua pessoa que tem trajetória ilibada neste percurso de sua existência sendo um exemplo a ser seguido.
    Um forte abraço e obrigado pelo envio.
    Alfredo

  4. Joaquim Cardoso da Silveira Filho Diz:

    Prezado Hamilton,

    Aproveito o tema e lembro de Antonio Ermírio de Moraes, empresário de sucesso e cidadão honrado. Tentou ser governador de São Paulo, mas enfrentou suja campanha movida por Paulo Maluf e Orestes Quércia. Decepcionado, jamais voltou a tentar cargo político. A bandalheira e a corrupção reinantes afastaram da administração pública brasileira um homem que seguramente a teria melhorado.
    Assim temos agido ao longo dos anos, desde a proclamação da República, episódio, aliás, a ser lembrado com constrangimento.
    Resgate muito oportuno, prezado amigo.

    Abraços,
    Joaquim

  5. waldemir marques Diz:

    Lembro de uma história de Castelo Branco, sobre um irmão dele que trabalhava na receita e ganhou um carro de presente e o presidente o mandou devolver o carro, dizendo-lhe que já estava demitido e apenas estaria resolvendo se o mesmo seria preso ou não. Não sei se é verdade, mas mesmo que não seja, dá um exemplo de que as pessoas que detém o poder devem seguira máxima de que o homem corrompe o poder, se a honradez não for uma característica de sua personalidade. grande abraço, grande chefe, hoje amigo e admirado por suas posições políticas e sua verve.

  6. bonat Diz:

    Caro amigo Bonat
    Grato por compartilhar suas reflexões sempre equilibradas e inteligentes.
    Continue a cultivar o seu dom.
    Um belo escrever, que desperta o nosso bem pensar.
    Um grande abraço,
    Alberto

  7. bonat Diz:

    Obrigada por dividir conosco essas considerações! Abraços, Ana

  8. Luiz Jahir De Zorzi Junior Diz:

    Magnífico!

  9. Mario Gardano Diz:

    Amigo Bonat, infelizmente o que era fato antigamente, hoje se tornou folclore.
    Grande abraço
    Mário Gardano

  10. Gasodutos Brasil Diz:

    Caro General que vergonhosos tempos estamos vivenciando,que tristeza sinto ao me deparar com esse legado deixado para nossa tão fragilizada juventude,sinto-me impotente,incapaz,somos obrigado a ver tamanho desmandos,sem nada poder fazer de imediato,pois de onde poderíamos obter ajuda vejo apatia,estou certo de que o povo brasileiro esperava mais de seu exército,vislumbro ainda tempos difíceis para todos nós,quisera eu ainda ter o viço da juventude,certamente estaria combatendo o bom combate,obrigar General pelo jeito de levar um pouco de luz as nossas mentes,já um pouco turvas pela marginalia política que domina nossa tão amada terra.saudoso abraço.

  11. Assis Utsch Diz:

    Prezado General Hamilton Bonat,

    A corrupção varia conforme o tamanho do Estado. E a multiplicação dos bens públicos é sempre fonte de males públicos. Isto é, o estatismo é a ocasião que faz o ladrão.
    E como o estatismo tem aumentado desde sempre em nosso país, é claro que a corrupção teria que aumentar. Inclusive no período dos governos militares que, com suas tendências ao nacionalismo e ao estatismo, ainda que de forma involuntária, eles contribuíram para o aumento dessa mesma corrupção.

    Se não tivéssemos vendido a Vale, teríamos o Valerião, da mesma forma que tivemos o Petrolão, o Eletrolão, o Angrarão, etc, etc, etc.

    E o nosso maior problema é que não alcançamos ainda tal compreensão da realidade.

  12. Dimas Diz:

    Caro General Bonat.
    A História não acabou e continua mãe e mestra do tempo. Já vivmos épocas melhores.Tenho esperanças que logo lembraremos com asco isso que está ai e poderemos dizer: graças a Deus superamos tudo. Sim, os foram assim.

  13. bonat Diz:

    GAL BONAT
    JÁ NÃO FAZEM ANDRADAS COMO ESSES .
    É BOM FRISAR QUE OS ANDRADAS SÃO “HORS CONCOURS” EM NOSSA HISTÓRIA . LUIZ

  14. Haroldo Gre da silva Diz:

    Perdemos a dignidade quando passamos a relativizar os valores.Haroldo

  15. Nelson Kuhn De Nes Diz:

    Caríssimo Amigo, Gal Bonat.
    Em primeiro, ressalvo os numerosos e valorosos comentários e sua visitação no seu blog. Parabéns!
    Algumas pessoas, sensíveis aos princípios éticos e morais que, há muito estão distantes de nossos governantes, emocionam-se ao lhes serem relembrados os Andradas e os Castelos Brancos que já exisitram na História Brasileira.
    Será que ainda vamos recuperar a dignidade?

  16. AILSON OLIVEIRA COLOSSI Diz:

    Meu Grande General é sempre enriquecedor ler o que V. Excia escreve
    mas alem de belo exemplo que nos traz o Grande Rafael de Lala houveram outros não menos honestos, como o maior presidente que este País já teve que ao descobrir que gente dele estava roubando se matou, Getúlio Vargas. Também não podemos esquecer dos anos em que os MILITARES comandaram o Brasil, alem do grande desenvolvimento realizado neste período NÃO TEMOS NOTICIA DE ROUBALHEIRA DE NENHUM
    DOS GENERAIS. Um grande abraço e todos estão com saudades apareça.

  17. Luiz S M Salgueiro Diz:

    Princípios e valores são inegociáveis.
    Pena que os homens de hoje tenham se esquecido disso.
    Forte abraço.
    Salgueiro

  18. Edmar Diz:

    Como esse nosso Brasil atual seria maravilhoso se tivéssemos pessoas dessa extirpe nos governando… hoje é rotineiro a pessoa chorar lágrimas de crocodilo.

  19. PEDRO LUCIANO DE SOUZA GUETTER Diz:

    Porque nosso país é assim, sempre inferior a muitos outros?
    Creio que isto tem a ver com a etnia/origem dos povos e suas culturas e crenças. Os países muçulmanos nunca serão países ricos; estão acostumados a viver em bandos/tribos. Brigam o tempo todo entre si. São nômades, individualistas e desorganizados por natureza; por onde passam só deixam rastro de bagunça generalizada, sem respeito por quem não concorda com eles. Estão fadados ao fracasso eterno.
    Os latinos também, especialmente os espanhóis, portugueses e italianos. Suas colonizações não fincaram bandeiras fortes, não fortaleceram a educação. O intuito foi sempre explorar o máximo possível, diferente da colonização inglesa que visava além da exploração, também a expansão do império (assim como foram os impérios romano e chines em suas épocas).
    Por isso a America Latina é o que é, assim como a África.
    A religião tem um papel importante também tão ou mais forte que a educação.
    Existe algum país rico católico?
    Em contra partida as nações mais ricas são as cristãs porém não predominante católicas; ou budistas como o Japão ou China.
    Resumo: o Brasil é majoritariamente católico e de origem portuguesa, sem fazer parte da comunidade européia (para complicar…).
    Tá danado (com todo respeito aos portugueses).
    Então eu creio que estamos fadados a viver assim como estamos: as vezes melhor e as vezes pior. Não importa os partidos políticos para melhorarmos ou piorarmos; a questão está em nossa índole, e isso não muda, nunca mudou e nunca mudará.
    Os nossos políticos tiveram, tem e terão sempre o mesmo perfil: aproveitadores e oportunistas, que não pensam na coletividade mas em si próprios.

  20. Jamil Megid Junior Diz:

    Belo exemplo sobre a dignidade pública que precisa nortear as ações dos dirigentes deste país.
    Essas pequenas ações são centelhas na combalida chama da esperança em resgatar as virtudes políticas e sociais do nosso Brasil.
    Avante, remar !

  21. bonat Diz:

    Caro General Bonat

    Fico desvanecido pelo registro desse fato histórico, que lhe reportei em tempos idos.
    Temos outros belos exemplos de conduta exemplar de nossos estadistas do passado, que elenco para eventual aproveitamento futuro:

    1º – o de Deodoro, quando presidente.
    “Sendo o marechal Deodoro da Fonseca chefe do Governo Provisório da República, um de seus irmãos, o marechal Hermes da Fonseca (pai do futuro presidente, também Hermes), era o comandante das armas (chefe militar) da Bahia. Veterano da Guerra da Tríplice Aliança, o velho militar estava com a saúde comprometida pelos anos difíceis da campanha paraguaia e teve uma apoplexia (hoje, um AVC).
    Os médicos de Salvador, buscando salvá-lo, pediram a remoção do marechal Hermes para o Rio de Janeiro, onde poderia dispor de mais recursos. Mas a despesa era grande e foi solicitado ao irmão presidente apoio financeiro para custear o traslado.
    Após o transporte do doente (que não se restabeleceu), um auxiliar veio consultar Deodoro sobre como deveria lançar a despesa: à conta da Presidência ou como gastos gerais do Tesouro Nacional.
    - Nada disso, a despesa é familiar, o senhor desconte de meus vencimentos”, retrucou o presidente Deodoro”.

    2º – de Floriano.
    “Narra José Henrique do Carmo, economista residente em Curitiba, em biografiia do avô, o republicano histórico Júlio do Carmo, que logo após deixar o exercício da Presidência, onde resistira a duas revoluções (a da Armada e a Federalista), morria o marechal de Ferro, Floriano Peixoto. Embora tivesse exercido o alto cargo, Floriano continuou pobre e a família não tinha meios para prover-lhe um enterro, nem mesmo jazigo onde depositar o corpo do consolidador da República.
    Foi então solicitada uma vaga no túmulo de Benjamin Constante, para onde Júlio do Carmo ajudou a carregar o caixão funerário de Floriano; num exemplo de como eram virtuosos aqueles próceres de tempos que, infelizmente, ficaram no passado”.
    Rafael

  22. João Bonat Diz:

    Dinheiro
    Cartola
    Bonifácio
    Bom fácil
    Bônus fácil
    Fácil confusão
    Espreitava a corrupção

  23. Paulo Cesar de Castro Diz:

    Caro e admirado amigo, Bonat,
    Seu artigo nos remete à triste realidade nacional. Concordo com você, pois creio que a maioria da elite dirigente e ignificativa parte de nossa população perdeu e não deseja recuperar a dignidade. Os maus exemplos e estímulos negativos são diários e veem de diferentes fontes como, por exemplo, da grande mídia. Que saudade do tempo em que aprendíamos Português nos grandes jornais e líamos sobre homens dignos. Resta-me a esperança de que a faxina que se iniciou no Brasil, provavelmente longa, permita reconstituir nossos alicerces de povo honrado e digno. Até lá, muita penitência. É preciso pagar pelos pecados contra a Nação.
    Cumprimentos pelo artigo e por nos lembrar que temos exemplos a seguir. A eles, portanto.
    Tenente Castro

  24. bonat Diz:

    Olá amigo Bonat ! Tudo bem? Bem interessante a história do nosso Bonifácio. O Brasil de hoje é uma tristeza, não sabemos quem roubou ou quem não roubou pois não sabemos quem está falando a verdade.

    Abraços, Renato

  25. Laura Vaz Diz:

    Caro general:
    Há alguns minutos atrás, estava eu ouvindo uma entrevista com um deputado federal – conhecido por aqui – onde descrevia seu trabalho na Câmara, suas ideias para melhorar a situação como um todo e coisas do gênero. Fiquei em dúvida se eu deveria continuar sorrindo ironicamente ou se deveria me descabelar de raiva. Exemplo perfeito da cara-de-pau! Aí, dou com o comentário de Pedro Luciano de Souza Guetter ao seu texto que aqui transcrevo e que casa direitinho com a “atuação” do nobre Deputado: “Os nossos políticos tiveram, têm e terão sempre o mesmo perfil: aproveitadores e oportunistas que não pensam na coletividade mas em si próprios.”
    Forte abraço.
    Laura

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