Além da Praça da Apoteose

Estão chegando ao fim os meus carnavais. Será o epílogo de uma relação, sem choros nem ais. Nunca tive jeito para folião. Ao carnaval nada devo. Ele, a mim, muito menos. Terá sido um jogo insosso, sem gols nem apoteoses, um sonolento zero a zero.

Houve época em que creditei a minha falta de vocação ao fato de ter nascido e sido criado em Curitiba. Mas não poderia ser verdade, pois, durante a infância, ainda havia por aqui animados bailes, aos quais eu era, literalmente, arrastado por minha mãe. O problema não era o carnaval e, sim, eu mesmo.

Com o tempo, fui percebendo que não estava só. Fiz vários amigos cariocas e outros tantos baianos e pernambucanos, que sofriam do mesmo mal. Logo, não se tratava, apenas, de mais uma das minhas curitibanices. Essa percepção acabaria sendo reforçada nos anos em que morei no Rio de Janeiro, a capital do samba. Quem passa lá os dias de folia, encontra turistas do mundo todo, circulando numa cidade esvaziada de cariocas. Então, refugiar-se de Momo na Região dos Lagos seria uma carioquice? Obviamente, não.

Mas, realmente, nunca levei jeito para a coisa. Se não conseguia, sequer, ser um “pé de valsa”, um sambista é que eu nunca iria ser. Não nego a inveja que tenho de quem nasce com o dom de sair flutuando pelos salões, atraindo a atenção de belas mulheres, moças ou velhas, e os olhares invejosos daqueles para quem, como eu, a natureza foi impiedosa.

A verdade é que, com o tempo, o carnaval foi transformado em uma festa midiática, movida por interesses de poderosas fabricantes de cerveja e de empresários dos setores turístico e hoteleiro. Embora sejam eles os que mais faturam, o poder público é quem acaba pagando a conta, com o que nos arranca através de impostos. Claro que o dito poder público – leia-se, os políticos – não poderia perder a chance de angariar votos para as próximas eleições.

É igualmente compreensível que todos precisemos de momentos para fugir da dura realidade do dia a dia. Para esquecer de um mundo que não suporta mais tanto ódio, tanta guerra e intolerância religiosa, de tantas cidades cada vez mais inchadas e violentas. De uma Terra já cansada de ver seus filhos, nós mesmos, que já passamos dos sete bilhões, sugando o que lhe resta de energia.

Tudo bem: tem muita gente boa sobre a sua superfície. Porém, o que se percebe, é que a maioria tornou-se mal-humorada e mal-educada. Os humanos, cada vez mais, se detestam, assim como as suas religiões. As nações se odeiam, da mesma forma que seus políticos. É salutar deixar de lado isso tudo, nem que seja por alguns dias apenas.

Até aqui, tudo muito lógico. Mas existe aí algo mais do que uma simples lógica, que a está transformando em perversa. Por detrás dela, à espreita, camufla-se o aëdes aegypti, pronto para também participar da grande festa. Escondido na falta de educação e de saneamento básico, compromissos esquecidos pela irresponsabilidade do poder público, ele prepara a sua fantasia. Quando retirá-la, ele reaparecerá, já sem máscara, como Zika, Dengue ou Chicungunya.

Desculpem-me se estou sendo profeticamente apocalíptico. Diga-se, de passagem: nem sei se o “Apocalipse” acontecerá. Mas há sinais de que suas previsões vêm ocorrendo, lenta, mas continuadamente. Ele não aparecerá numa praça da apoteose. Quem sabe, um pouco mais além… De qualquer forma, desejo a todos os que não se sentem culpados por nenhum dos nossos males, que divirtam-se durante o carnaval. Afinal, ao contrário da dengue, ele só acontece uma vez por ano.

36 Respostas para “Além da Praça da Apoteose”

  1. ana teresinha r. vicente Diz:

    Querido Hamilton

    Parabéns, você escreve muito bem mesmo!
    Você mesclou poesia com a análise sobre o carnaval do Brasil deixando o texto leve, mas ao mesmo tempo profundo.
    Dá o que pensar.
    Adorei ler o teu texto e como o tudo passa na vida, o carnaval, para mim, também passou.
    Foram-se os “entrudos” e blocos nos quais eu participava com toda a energia e alegria.
    Mas te garanto, continuo com a mesma alegria agora endereçada a outras motivações.

    abraços carinhosos

  2. Lilian Diz:

    Impactante! Adorei o texto.

  3. ROSELENE Diz:

    MUITO BEM,MEU AMIGO…..
    ESTÁS CADA VEZ MELHOR.
    EU ATÉ QUE FUI UMA FOLIONA ,E NO TEMPO DO LANÇA PERFUME , MAS NÃO ERA USADO PARA CHEIRAR.
    FORAM BONS CARNAVAIS…. HOJE ,JAMAIS PENSARIA EM ME METER EM QUALQUER TIPO DE FESTA CARNAVALESCA E ME CONHECENDO,COMO ME CONHECES,SABES PORQUE ,KKKKK…..
    NÃO SEI SE VAI OU NÃO TER O APOCALIPSE,MAS A BESTA 666 , CONTINUA SOLTA POR AÍ…
    TU QUE MORAS EM CURITIBA,MANDA O MORO,PRENDÊ-LA DE UMA VEZ….
    BJS DE SAUDADE.

  4. José Lourenço Parreira Diz:

    Ler esta crônica faz lembrar o tomar um como com água, quando se
    está “morrendo de sede”. Ingerimos toda a água até nada mais restar
    no copo. Não dá para fazê-lo gole a gole!
    Assim o presente artigo: li-o de uma vez, quase sem respirar!
    O belo estilo, do qual sou antigo admirador, aliado ao contexto em
    que vivemos, sob a luz de cristalina análise irrefutável, verdadeira!
    Parabéns, uma vez mais, Senhor General Bonat!

  5. Beth Diz:

    Boa tarde Hamilton!
    Muito boa sua crônica: já fui uma grande foliona e hoje espero o tempo passar contentando-me com o que a vida me dá!Mas admiro os que,mesmo depois de mais velhos, ainda tem fôlego e alegria para desfrutar o reinado de Momo!
    Abraços!

  6. Luiz Marach Diz:

    Caro primo
    Muito bom o texto e me faz recordar de um foto que você enviou para mim com dedicatória de um baile de carnaval da sociedade Thalia com todos os primos. A fantasia de marinheiro lhe caiu bem apesar de você ir para o exército.
    Grandes recordações e grande abraço.

  7. Salazar Diz:

    Meu caro amigo BONAT!

    Li.Gostei.Recordei. Cuba libre, lança perfume RHODIA, cerveja faixa azul, conféti e serpentina!Mamãe eu quero! Chiquita Bacana! Pirata da Perna de Pau!Bandeira Branca!
    Bons tempos!
    Nota 10, como sempe, ao FOLIÃO das Letras!
    Um grande e acarnavalado abraço!
    Teu amigo
    Salazar.

  8. bonat Diz:

    Prezado Gen Bonat,
    Achei excelente sua crônica !!! Concordo com a Ana Teresinha R. Vicente.
    Assim, como escreve muito bem mesmo, tenho a certeza que sua palestra será melhor ainda.
    Estou planejando o calendário do ano e estou agendando a sua palestra para o dia 29 de março. Será uma 3a.feira. Nos reunimos todas as terças-feiras.
    Forte abraço. Nestor

  9. EDMAR LUIZ KRISTOCHIK Diz:

    Sou arredio ao Carnaval como o Senhor, no meu passado até dei algumas bailadas, mais na cata das gatas que entrosado na folia. Vivemos num mundo cada vez mais confuso, realmente, perdemos o rumo como ser humano, cada um defende o seu quinhão e não está nem aí se o procedimento para obtê-lo fere a mãe natureza ou o seu semelhante.

  10. Gustavo Aguiar Rocha da Silva Diz:

    Prezado General Bonat:

    Excelente texto! Também desprovido de qualquer entusiasmo por carnavais e assemelhados, vi no que escreveu toda a minha juventude, quando amigos esperavam impacientemente o mês de fevereiro enquanto eu bocejava de tédio, chamando o Carnaval de “festa de amadores”.

    Endosso cada palavra da crônica, apenas discordando do que o sr. chamou de “tom apocalíptico”, a meu ver inexistente. O que se vê é uma boa dose de realismo, temperado com a observação da última frase, contundente na verdade, primorosa na ironia.

    Bom Carnaval!

  11. renato balen Diz:

    Caro amigo General Bonat!
    Compartilho a mesma opinião sobre o carnaval. O poder público injeta recursos nesta “festa popular” ao invés de aplica-los em educação, saneamento básico, saúde e segurança. Quer me parecer que tanto os brasileiros como os turistas que comparecem a esta festa estão, em geral, em busca de sexo fácil e barato. Isto é estimulado pelas cenas de nudez apresentadas pelas “escolas de samba”, que, a meu ver, de escolas nada tem, talvez de prostituição, crime e contravenção,´pois são financiadas pelo poder público, pelo tráfico e por contraventores. Os valores morais e familiares estão quase que completamente destruidos em nosso país e isto acaba com qualquer arremedo de nação. Por alguns dias as emissoras de televisão se dedicarão a mostrar estas cenas de nudez. Bendito o que se dedica ao trabalho e à leitura. Como sabes,já vivestes aqui, em Caxias do Sul 90% das empresas trabalham e não há feriado de carnaval, a não ser em repartições públicas. O país está quebrado, afundando num mar de lama mas o carnaval faz o povo esquecer de tudo. Me enoja tanta ignorância.
    Um grande abraço do amigo
    renato balen Caxias do Sul

  12. Hugo Moura Diz:

    Falou e “dizeu”…nao poderia ter sido mais fiel ás minhas “Curitibanices” que, até ler sua cronica, eu pensava que eram só minhas….
    Parabens e bom descanso durante esse “retiro”…
    Abs

  13. Paixão Jr Diz:

    Caríssimo Gen Bonat

    Belíssima crônica!

    Retrata, com reconhecida propiedade, os Carnavais do passado e encerra de forma apocalítica, com ares de profécia…

    Forte Abraço!

  14. Juan Koffler Diz:

    Meu dileto amigo Bonat,
    Nas seis décadas da minha vida adulta (mais uma dedicada à infância) sempre detestei os festejos do Rei Momo. Não sei o que é carnaval “por dentro”; sei o quanto me incomoda “por fora”.
    Sua sábia frase: “É salutar deixar de lado isso tudo, nem que seja por alguns dias apenas”, em meu particular caso, refere-se a dias dedicados à leitura, a uma boa música clássica ou ao sonhar e rememorar embalado por uma seleção de imortais tangos e boleros (como o estou fazendo neste momento): Juan D’Arienzo, Anibal Troilo (o popular “Pichuco”), Carlos Gardel, Alfredo Lepera ou o inigualável “escultor do tango”, Astor Piazzola.
    Creia-me que abomino esta época de Carnaval. Parece-me como se, como por um passe de mágica, em meio ao desastre nacional, o povo (lato sensu) decidisse “festejar” as agruras que o acossam diuturnamente. Algo, para mim, paradoxal e bizarro.
    Mas nada disto retira do seu belo e bem composto texto a assinatura que lhe é peculiar. Irretocável. Parabéns!

    Forte abraço!

    Juan

  15. bonat Diz:

    Prezado amigo Gen Bonat.
    Excelente abordagem. É a festa do povo, especialmente dos mais pobres e, viva o carnaval ! Abs. Mário Zart

  16. bonat Diz:

    Excelente, Gen Bonat!
    Perfeito! Não me surpreendeu. Como carioca comungo integralmente de seu relato. Seria por ser descendente de europeus?
    Ademais, embora muito bem explorada a comparação do período carnavalesco a uma “válvula de escape” contra a intolerância de todas as matizes, , e talvez o seja mesmo, confesso que também tentei apreciá-lo na juventude.
    Todavia não logrei o êxito esperado em passar da luta diária, dos embates da vida, para a euforia extrema com simples apertar de “botão”, como se dissesse agora é alegria. Comigo também não funcionou e olha, como bem sabe, sou conservador e mantenho o bom humor habitualmente.
    Parabéns pela crônica!!!
    Com meu forte abraço,
    Júlio Cesar

  17. Giovani Amaral Diz:

    Caro General Bonat,
    Não sou um assíduo leitor de suas crônicas, muito menos comentarista das mesmas, mas sempre que as leio com atenção e compactuo plenamente da ideia, dá-me vontade de compartilhar meu pensamento. Nesse caso bateu nossas concordâncias, pois também nunca fui um “chegado” aos carnavais, principalmente aos atuais. Lógico que na minha juventude, fui um discreto folião, principalmente por que era o momento de extravasar alegrias e apreciar a beleza feminina, que obviamente aflora nesses dias.
    Agradeço-lhe por incluir-me na lista de leitores de suas crônicas, que aliás, nunca deixam de ser extremamente inteligentes.
    Parabéns meu caro escritor. Continue nos brindando com suas belíssimas crônicas e português corretíssimos.
    Abraços do amigo Giovani

  18. bonat Diz:

    Ao amigo Bonat
    Como sempre oportuno, criativo, inteligente e abrangente, no entanto seja um pouquinho mais `esperançoso` ahahahaahahah!
    Um forte abraço. Renato

  19. Maria Inês Diz:

    Olá, Hamilton,

    Amo suas crônicas, que sempre leio, apesar de raramente lhe escrever…

    Como amante do gênero, creio que você lê Mario Prata, aos domingos, na Folha. Tal como você, ele escreve muitíssimo bem! E, normalmente, com muito humor.

    Pois é, dos treze aos dezoito, fiz retiro fechado (igreja católica), por escolha bem consciente, e com prazer!

    Em 1965, aos dezoito, ‘deu uma loucura’: pulei carnaval fantasiada de chinesa. E nunca mais… Até 1996, quando, em cadeira de rodas, acompanhada pelo Djalma, devidamente fantasiados desfilamos na Marechal, com uma das escolas. Fomos lá só para assistir… Mas chegamos, pedimos para entrar, e eles deixaram. Por sinal, foi a escola que venceu, naquela ano! Pelo jeito, demos sorte. E foi bem divertido!

    Continuo adorando dançar, apesar de hoje, mal conseguir me locomover, com apoio! Mas carnaval… NÃO! Agora que moro em Quatro Barras City, virei mais curitiboca do que nunca!
    Um abraço,
    M. Inês

  20. bonat Diz:

    Caro General, já tive a oportunidade de lê-la, pois o Niltair me mandou por e-mail e, de imediato, embora só tenha lido um livro seu – crônicas (Ciscos e Franciscos), reconheci o seu estilo. Ficou excelente e pode incluir um capixaba no rol dos que não gostam e que nunca gostaram de carnaval (curitibanos, pernambucanos, cariocas, baianos e capixabas).
    Abraços
    Romeu

  21. Dirso Diz:

    Bom dia Gen.
    Texto maravilhoso. Eu também já passei alguns carnavais lá pelas bandas da Bahia, Rio de Janeiro (incluindo aí a região dos lagos), Recife, etc. Também não fui privilegiado pela natureza para flutuar pelos salões e congêneres, mas desfrutei, ao largo, dos desfiles e das apresentações, principalmente dos blocos carnavalescos, dos quais sempre gostei mais que do carnaval para turistas, os quais se pratica nas grandes avenidas do Rio, São Paulo e Salvador.
    Ficou na memória, hoje, vejo pela tv.
    Grande abraço.
    Parabéns pelo belo texto.

  22. Alfredo Cherem Filho Diz:

    Caro general
    Tenho o mesmo conceito, desta festa, para mim são dias de descanso, onde percebo o fanatismo de muitos conterrâneos que passam a impressåo de ser a data mais importante do ano, onde esperam ansiosamente a chegada, e tristemente nossa pátria só começa a funcionar efetivamemte quando ela termina, me parece uma grande falta de valores, suas palavras como sempre retratam o que estamos vivendo com a beleza e precis?o que lhe s?o peculiares. Obrigado pelo envio.
    Alfredo
    04.02.2015

  23. Luiz Cláudio Mehl Diz:

    Caro Hamilton
    Leitor e admirador assíduo, confesso que mais uma vez cumprimento pela qualidade do texto. A mais do que isto acrescento o alerta oportuno da necessidade de mobilização de todo cidadão para este combate.Do Estado tem os pouco a esperar…
    Luiz Cláudio

  24. osni pisani Diz:

    ( Quarta Feira de cinzas amanhece, na cidade é um silêncio que parece que o próprio mundo se despovoou.Um toque de clarim, além distante, vai levando consigo agonizante, o som do carnaval que já passou.E repetem-se as cenas de costume, cacos dispersos de lança perfumes, serpentinas e confete pelo chão. É a máscara que a vida jogou fora, mostrando que a alegria foi embora, nos rastros da passagem da ilusão……… ) Carnaval da minha vida – Francisco Alves 1942.
    Parabéns general Bonat.

    Osni Pisani 04/02/2016

  25. Paulo Cesar de Castro Diz:

    Estimado amigo, Bonat,
    Sou seu leitor assíduo, sempre recompensado com crônicas atraentes, criativas e que levam à reflexão, como esta.
    Parabéns!
    Lembrei-me dos primeiros carnavais como recém-casado, divertindo-nos no Círculo Militar de Curitiba.
    Parabéns e cumprimentos deste leitor fiel.
    Gen Castro

  26. Regina Celi Simoes Angelo Diz:

    É isso o que infelizmente está muito bem delineado.

    Para seguirmos em frente sem ira nem doença, só no poder de Deus.

    O brasileiro deveria estar de luto por tantos desmandos e dificuldades!
    Abraços, Regina Celi

  27. Meister Diz:

    Prezado Amigo Bonat
    Sou paranaense também e acreditei, durante boa parte de minha vida, que o meu desapego às lides carnavalesca fosse algum mal relacionado às minhas origens e à minha nascença em terras de araucárias.
    Ufa, que alívio! Não me sinto mais tão só.
    Parabéms pela crônica.
    Um grande abraço momesco.
    Meister

  28. Afonso Pires Faria Diz:

    Que leitura agradável deste texto general. Parabéns mais uma vez pela inspiração.
    Só ele já vai valer a aquisição do próximo livro.
    Afonso

  29. Ariel P. Fonseca Diz:

    Parabéns, meu amigo Bonat. Esta é mais uma de suas inspiradas e esclarecidas crônicas. Eu também nunca tive amores nem tampouco pendor para o carnaval. Mas, convenhamos, o carnaval é uma alegria que ainda resta ao povo brasileiro, pois o futebol também já se acabou neste país. Abraço fraterno do Ariel.

  30. Joaquim Cardoso da Silveira Filho Diz:

    Prezado Hamilton,
    Faço parte da legião dos que se afastaram dos festejos carnavalescos. Esqueceram-se as belas marchinhas e marchas-ranchos que assinalaram os Carnavais de outras eras. Sumiu também o lança-perfume, que dava aos salões uma fragrância inesquecível. Findaram-se os grandes bailes. No último a que compareci, tocavam até música da Xuxa, o que, convenhamos, como diriam os jovens, “nada a ver”. Tudo virou uma baianice sangalês, se me faço entender.
    Também o acompanho na visão pessimista destes dias estranhos, que você, com a habilidade de cronista emérito, bem captou. Parabéns por mais este texto e divirta-se no Carnaval. Para fazê-lo, nada como um bom livro, uma boa canção, uma boa poltrona. De quebra, ao cair da tarde, uma cerveja Klein, produzida em Campo Largo, que experimentei e considerei muito boa (especialmente a de trigo e a “stout”.
    Forte abraço,
    Joaquim

  31. Joaquim Cardoso da Silveira Filho Diz:

    Faltou fechar o parêntese.

  32. Wilsn Barros Diz:

    Caro Bonat,
    o Carnaval, também, não é minha praia.
    Ao parabeniza-lo pelo conteúdo e abrangência do texto, permito-me sugerir-lhe uma homenagem ao seus conterrâneos da equipe da Operação Lava Jato, especialmente ao trabalho elaborado pelos membros do MPF nas “10 Medidas contra a Corrupção”, que já atingiu a soma de 1.370.000 assinaturas colhidas, para um total de l.500.000. Precisamos passar o nosso Brasil a limpo, a hora e esta. Sejamos todos participes deste momento!
    Abrs do Wilson Barros.

  33. Dorival Ari Bogoni Diz:

    Bonat,

    Excelentes colocações. O tempo; sempre o tempo. Dono da razão e professor dos que querem ou não aprender. Para o bem e para o mal. Com ele nós, como todo mundo, estamos chegando até onde os dias nos levarem, quantos só Deus sabe. Com ou sem carnaval. Alegrias e ou sofrimentos, vencedores e ou perdedores, seguimos bailando e enfrentando os momentos, diversos e bem caracterizados por você. Encaramos mosquitos, natureza, humanos, e até a nós mesmos. “C’est la vie.” Deste o que pensar. Valeu amigo. Parabéns!
    Forte abraço, com saudade. Dorival A Bogoni

  34. bonat Diz:

    Olá amigo Bonat ! Tudo bem ? Gostei muito de seu texto e ele me fez recordar também meus tempos de criança quando nossas mães nos conduziam aos bailes. Acho um pouco trágico o “Estão chegando ao fim meus carnavais”mas não deixa de ser uma realidade.Vamos caminhando, com rapidez, para o ocaso, mas não devemos nos fixar nesta premissa. Muito bom ler seu texto. Um excelente 2016 com muitas escritas! E um bom carnaval!

    Abraços, Renato

  35. Gabriel Cruz Pires Ribeiro Diz:

    Bonat,
    Parabéns pela crônica.
    Nós não estamos sozinhos. Este ano, nem mesmo pela televisão tive “saco” de ver o carnaval.
    Assisti a alguns capítulos (os primeiros) do seriado “PABLO ESCOBAR” e fiquei pensando no Brasil e quando começarão a fazer um seriado do “LULA, DE ÍDOLO À VERGONHA NACIONAL, porque vi muita semelhança com o que vem ocorrendo no Brasil.
    Abs.
    Gabriel (029)

  36. Joaquim Rocha Diz:

    Prezado amigo Gen Bonat
    Ao contrario, eu gostava de uma folia, sem droga ou lança perfume; com o casamento, ganhei uma parceira, e mais tarde levei meus filhos aos matinés infantis do Clube(nas últimas vezes eles iam de cara torcida). Mas, como quase tudo passa, passou. Mais tarde veio o advento das drogas, depois a propaganda do uso da camisinha durante os dias da folia (que rende um dinheirão para os seus fabricantes), mais recentemente, os perigos da AIDS e ultimamente, a proliferação dos “Comprimidinhos azuis”, até mesmo entre os integrantes da 3a idade(e que não usam camisinha). E os cuidados com a prevenção de doenças … muito pouco.
    Demorei com o comentário porque estou sem internet na praia.
    Abraços ao amigo e familiares
    Joaquim Rocha.

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