ASMIR – 25 anos (clique)

Mal o ano começara e os brasileiros foram surpreendidos com um confisco. A inflação beirava incríveis 28% ao mês. Os Anões do Orçamento ocupavam as páginas dos jornais. Fatos como esses faziam parte da conjuntura nacional por ocasião da criação, em 10 de março de 1990, da Associação dos Militares da Reserva, Reformados e Pensionistas da Forças Armadas do Paraná, a ASMIR/PR.

Dois anos antes, uma Constituição extremamente detalhista havia sido promulgada. Os constituintes, com o olhar num embaçado espelho retrovisor, buscaram punir os militares que, embora tenham impedido a implantação de um regime totalitário e tentado tirar o país do atraso, acabariam levando a pecha de cruéis, sanguinários e implacáveis ditadores. Mas quem viveu entre 1964 e 1985 sabe: não há nada mais falso. Como nunca foram bobos, os Constituintes tinham, ao mesmo tempo, um olhar para o futuro. Para o seu futuro! Visando à frente, buscaram assegurar à classe política, de prefeito a presidente, de vereador a senador, todos os direitos e imunidades, régios salários e fartos recursos públicos para distribuir entre os partidos e para quantos apadrinhados quisessem nomear para cargos ditos de confiança. Tínhamos, agora, um Estado democrático de direito, era o que alardeavam. Talvez a denominação Estado democrático de justiça fosse a mais apropriada, mas não interessava.

No início de 1990, os Anões do Orçamento, como ficaram conhecidos alguns congressistas que armaram uma trama fraudulenta, estavam sendo investigados. Apesar de comprovado o seu crime, não foram condenados, muito menos devolveram a dinheirama roubada. A “Constituição Cidadã” os protegeu. Se vivêssemos num Estado democrático e de justiça, é bem possível que o resultado tivesse sido outro.

Na época, Collor havia deixado os brasileiros com míseros 50 Cruzados Novos no banco, fossem de simples contas correntes, fossem das cadernetas de poupança, até então garantidas pelo governo. Nem mesmo as empresas escaparam do confisco, que duraria 18 meses. O Plano Collor levaria à recessão, ao aumento do desemprego e à quebradeira geral. Estava posta a primeira, mas não a principal, razão para que, mais tarde, o primeiro presidente eleito, após 29 anos, de forma direta, fosse apeado do poder. O verdadeiro e inconfessável motivo foi o de ele ter contrariado interesses de poderosos grupos políticos e econômicos, alguns da grande mídia. Acusação: roubo de uma modesta FIAT Elba.

Mas nem tudo era má notícia em 1990. A produção de energia elétrica, ancorada em Itaipu e Tucuruí, era mais do que suficiente para sustentar o crescimento industrial. Investimentos pesados em pesquisa, iniciados após os choques do petróleo que, em 1973 e 1979, haviam desorganizado a nossa economia, acabaram por levar a Petrobras ao domínio da tecnologia de exploração em águas profundas e de produção de um combustível alternativo: o etanol. A produção de petróleo batia sucessivos recordes. Ultrapassava os 230 mil barris/dia, com perspectivas de crescimento. A Petrobras caminhava para tornar-se gigante.

Mesmo assim, o ambiente era de desencanto. Foi ele e a preocupação com os destinos da Nação, com o absurdo abismo salarial entre o três poderes e com o sentimento de desamparo dos que vestiam farda, que levaram um grupo de 109 militares da reserva e pensionistas das Forças Armadas a fundar a ASMIR – Paraná.

Aliada a suas congêneres espalhadas pelo Brasil, ela seria um instrumento para maior representatividade política, para mais efetiva participação nas decisões e para proteger a família militar e as Forças. Sua atuação não se limitaria ao campo político. Ela prestaria, também, assistência jurídica aos associados que dela necessitassem.

Ao longo dos últimos 25 anos, apesar de dificuldades de toda ordem, ela vem buscando cumprir o papel de representar e defender a coletividade militar; de manter vivos os laços de fraternidade, camaradagem e união, herança comum dos seus associados; de proporcionar assessoria jurídica e apoio sociocultural; e de ser a sua voz no meio politico, nas esferas municipal, estadual e federal.

Se mais não fez e mais não faz, não é por falta de dedicação e entusiasmo, que, aliás, possui de sobra. Talvez careça de mais compreensão e apoio do pessoal da reserva, ingrediente que estará ausente no bolo das Bodas de Prata que ora completa. Mesmo assim, há o que se comemorar. E muito!

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