A noite calada dos pichadores (para ler, clique aqui)

Marechal Hermes, Janeiro de 1983, 8 horas da manhã. Eu estava em frente de casa, no final do “de Janeiro”, como é costume denominar a região para a qual até a estátua do Cristo Redentor deu as costas. Seus braços estão abertos para abençoar apenas os bairros nobres da Zona Sul, o badalado “Rio”, onde a brisa do mar torna mais amenos os verões cariocas. Atrás dele, a temperatura sobe na medida em que a distância aumenta. Em Marechal Hermes, situada próximo ao “eiro”, final do Rio de Janeiro, a dezenas de quilômetros do Corcovado, nem o vento costuma passear. Era bem ali que eu me encontrava.

Mas, naquela manhã, o clima senegalês não me incomodava. Minha preocupação era outra: entregar a casa em que eu morava de aluguel. Tinha, enfim, conseguido um imóvel funcional na Vila Militar, onde eu já servia há dois anos. O proprietário, um verdadeiro chato de galocha, iria lá para receber a casa. Conhecedor de suas galochas, eu havia caprichado na pintura, interna e externa. O problema era o muro. Ele, como os de toda a vizinhança, vivia pichado. Depois de a casa pintada, tive que recobrir umas três vezes o que haviam rabiscado durante a madrugada. Naquela manhã, nada havia mudado. Por sorte, até mesmo as galochas têm seu dia de coração mole. O proprietário concordou em ficar com o resto de tinta para, quando encontrasse outro locatário, cobrir aquela “obra de arte”.

Vila Militar, Março de 1983, 8 horas da noite. Na sala do imóvel funcional para onde me mudara, eu assistia o primeiro capítulo de mais uma novela da Globo. Na chamada, em destaque, apareciam muros e fachadas de edifícios pichados, uma febre no Rio de Janeiro de então. Estava tendo início mais uma campeã de audiência, formadora de opinião, hábitos e atitudes. As realidades que mostrasse, virariam moda. Como seria de esperar, a febre da pichação espalhou-se. O que era um costume carioca tornou-se mania nacional. A partir dali, por todo o Brasil, não só os muros, mas também obras de arte, igrejas, monumentos, museus e tudo mais que pudesse servir de “tela”, tornar-se-ia vítima daquele modismo. A poderosa rede talvez pudesse, numa autocrítica, ter-se questionado sobre a conveniência de mostrar todas as realidades. Mas creio que não o fez.

Curitiba, 10 de janeiro de 2013, 10 horas da manhã. Passo diante da residência de um velho senhor. Na semana anterior, o havia visto, apesar dos seus mais de oitenta anos, pintando a casa onde mora. Agora, percebo que alguns “artistas” escolheram o muro, por ele caprichosamente pintado, para, na calada da noite, expressar sua criatividade. Toco a campainha. Ele atende e não esconde sua indignação. Como ele, milhares de brasileiros não conseguem entender como alguém gasta tanto tempo e dinheiro para dilapidar bens alheios, mantidos com muito sacrifício e carinho.

Curitiba, manhã de 22 de janeiro de 2013. No momento em que escrevo este texto, são passados trinta anos desde que pichar virou mania que não para de crescer. Parece-me que o tempo e o dinheiro, que sobram aos pichadores, poderiam muito bem ser aplicados em algo mais nobre, como, por exemplo, num trabalho voluntário, ansiosamente aguardado por inúmeros asilos, creches e hospitais. Quem sabe, um dia desses, nossa grande rede de televisão não produz um folhetim para mudar uma triste realidade, que ela mesma ajudou a espalhar e, até hoje, emporcalha nossas cidades. Só ela teria o poder de realizar um milagre desses. E ela sabe disso.

28 Respostas para “A noite calada dos pichadores (para ler, clique aqui)”

  1. Romeo Diz:

    Perfeito o texto Bonat…
    Obrigado por compartilhar.
    Romeo

  2. Pablo Diz:

    É bem isso mesmo chefe. São Paulo então, nem se fala! A minha dissertação do mestrado na USP abordou justamente os crimes contra o chamado “patrimônio ambiental cultural”, dentre eles o ato de pichar… questão polêmica por aqui e no direito também.
    Em tempo, não me recordo se cumprimentei o amigo: parabéns pelo ingresso na Academia de Cultura de Curitiba! Sem dúvida, homenagem mais do que merecida.
    Abraço grande e lembranças para Dona Norma!
    Pablo

  3. EDMAR LUIZ KRISTOCHIK Diz:

    Eu odeio esses pichadores, para mim, são tão bandidos como um assaltante comum (que leva o que não lhe pertence), eles sempre provocam um estrago equivalente aos larápios. Odeio ainda mais aqueles que tentam criar locais para que esses marginais expressem a sua “arte”. Às vezes, dentro das minhas divagações imaginárias, fantasio se eu pudesse penetrar despercebido na casa de um pichador e emporcalhar tudo que lhe pertence (celular, tênis, roupas, cama etc.) e também dos seus familiares (até a geladeira penso pintar internamente), deixando a seguinte mensagem: “Seu filho é um porco, sintam na carne o que ele faz com seus semelhantes.” Com relação a Rede Globo, para o Brasil começar a “desembocar”, o primeiro passo seria desvencilhar o povo dessa nefasta empresa, eu, particularmente, não assisto suas novelas e programas mirabolantes (BBB, Você decide etc.)há muitos anos. Concito a todos, vamos “gelar” essa empresa que aliena os brasileiros, nem o Jornal Nacional devemos assistir, a Record e a Band apresentam programas similares.

  4. Nádia Burda Diz:

    Caro Bonat,
    Há uma diferenciação, grafiteiros fazem sua arte somente em locais permitidos, ao contrário dos pichadores, q fazem apenas aquelas letras com as quais se comunicam entre si sujando o que não é seu.
    Na arte rupestre, com a qual podemos relacionar pela forma como chegavam a lugares inesperados, as imagens são belíssimas, e salvo a diferença de estilos, comparadas até à Capela Sistina, expressão do interior do homem, desejoso de marcar sua presença no planeta. Na Pichação, apenas sujeira, inferior a produção dos homens das cavernas e sem nenhuma qualidade artística.
    Como Arte Educadora, procuro despertar nos meus alunos essa apreciação estética, da diferença entre Grafite e Pichação, da diferença entre o frio na barriga provocado por saber que vc fez um bom trabalho de grafite e por sujar o patrimônio alheio com Pichação…adolescentes são críticos, e tenho a impressão que ao menos os meus param pra pensar! Um abraço!

  5. Paulo Cesar de Castro Diz:

    Estimado e admirado amigo, Bonat,

    Excelente, como de hábito. Você abordou os crimes cometidos por um dos meus três inimigos públicos, ainda que eles não saibam. Detesto pichadores (grafiteiros?),flanelinas e camelôs!

    Tudo de bom,

    Castro

  6. Dirso Diz:

    Meu caro Gen Bonat.
    Grande amigo e chefe.
    Sobre o assunto em tela, deixo aqui, também, a minha indignação.
    Como disse o nosso colega Edmar, eu também ODEIO esses tipos.
    Sou partidário da máxima: não faça ao seu semelhante o que você não gostaria que fizessem para você. No entanto, isso não vale para esses, digamos, marginais que além de causar um grande dano ao patrimônio do seu semelhante, eles são covardes pois só se manifestam na calada da noite. Para mim, são uns covardes e bandidos.
    Um abraço ao grande amigo Gen Bonat.

  7. Alberico Diz:

    Muito oportuno ! Parabéns !

  8. Mário Diz:

    Prezado amigo Gen Bonat.
    Os tais pichadores são muito ousados e, seus atos de pichação são de verdadeiros vândalos que devem ser banidos e punidos. Sua pegada contra esses maus feitores, merece todo apoio. Agora, em relação aos grafiteiros, penso que merecem algumas ressalvas, como por exemplo, locais adequados e permitidos para desenvolverem suas obras, pois, muitos deles são uns verdadeiros artistas. Cumprimentos pelos escritos e, forte abraço do Zartão.

  9. GABRIEL CRUZ PIRES RIBEIRO Diz:

    Bonat,
    Lamentavelmente, não é somente a divulgação do “trabalho” de pichadores que a Rede Globo vem propagando. Agora, com esta ridícula novela “Salve Jorge” está até ridicularizando alguns atores famosos em papeis sem o menor sentido.
    Abs.
    Gabriel

  10. Anatoli Diz:

    Grato, General. Vamos fazer uma expedição no Site.
    Quanto aos pixadores sempre digo para minha mulher quando vemos casas, muros, fachadas de prédios pixados: Cada um coloca para fora aquilo que tem dentro de sí. Uns produzem verdadeiras catedrais literárias, outros despejam o lixo que possuem em suas caixas cranianas.
    Um forte abraço,
    Anatoli.

  11. Carlos Roberto do Nascimento Diz:

    Caro Gal. Bonat,

    Parabéns por abordar esse assunto. Vejo esse problema com muita indignação. Eu até dispensaria o castigo do trabalho comunitário que, provavelmente, seria feito a contragosto e não sairia bom. Minha sugestão é a de que se obrigue os pichadores a, dotados de uma esponja, limpar cuidadosamente os muros e edifícios que emporcalharam, fazendo, após, nova pintura custeada pelos seus recursos próprios ou de seus pais.Isso seria bastante didático.

    Forte abraço

    Carlos

  12. Brugalli Diz:

    Caro amigo Bonat. Não esmoreçamos. Continuemos batendo na msma tecla, como o amigo muito bem o fez. Espero que a dedicada profe Nadia, aí em cima,não seja apenas “uma voz que clama nodeserto”.Sòmente a educação nos livrará desses males. A idéia do folhetim é genial. Porém a todo-poderosa, jamais o acolherá.Prefere programas culturais e educativos, entre os quais, além das novelas, o BBB, cujos “heróis” se portam de moldes a semear exemplos de brutal desrespeito. Isso, para alguns,é cultura.Use, sem piedade, o controle remoto e remova esse jôio.
    Um abraço do Brugalli.

  13. Paulo Cesar Diz:

    E isto acontece em todas as cidades nossas; é uma peste!!!!!!!
    Abrs
    Paulo Cesar

  14. Betty Diz:

    No dia que forem punidos exemplarmente os que fazem isto,penso que,no mínimo, pensarão duas vezes.
    Abraços

  15. Ailson Oliveira Colossi Diz:

    Sinto sempre falta de ler voce escreva mais, nos seus leitores e suditos estamos sedentos de seus escritos brilhantes. Grande General gostaria de sua opinião sobre este absurdo que é o Renan Calheiros assumir o Senado federal, vamos pegar em armas para não deixar? Abração e um otimo ano muita saude.

  16. Paulo Meyer Diz:

    Estimado Gen Bonat. O tema é vasto e polêmico. Existe até uma publicidade,vamos chamar assim, veiculada na TV, por parte de uma entidade, se não me engano, a Ass Comercial do Paraná, mostrando a indignação para com estes atos de pichação… Dias atrás, já neste ano de 2013, no final da tarde (não era noite ainda) passava eu de automóvel na frente da Escola Estadual Sto. Agostinho, Boqueirão, diminuindo a velocidade, pois tem uma lombada bem na frente da escola; pois bem, atento ao trânsito, que era diminuto àquela hora, e ocupado com meus pensamentos, tardei a perceber que, o “bando” de adolescentes (ou aborrecentes) que precipitava-se a atravessar a rua em desabalada carreira, e quase sendo atropelados por outro motorista que me ultrapassava, haviam na verdade acabado de pichar o muro daquela escola, com os portões fechados naquele horário. Senti-me tão indignado e raivoso, que nem sei direito como descrever, mas foi como se tivessem invadido meu domicílio e feito alguma bandidagem. Não tenho arma de fogo, apenas uma de pressão, e me deu vontade de tê-la à mão, e dar uns tiros de chumbinho no traseiro daqueles pivetes sem mãe!!! Outro dia passei por ali novamente, é caminho de casa, e vi que o serviço que havia ficado incompleto na ocasião, foi terminado, evidentemente em horário mais “propício” é de lamentar… Em tempo: em 1983, eu morava no Rio de Janeiro, e lembro desta emporcalhação, que estava virando moda por lá… Forte abraço

  17. gladys lessa Diz:

    Caro General.

    O senhor tem toda razão. Estive em Curitiba na época do Natal e fiquei surpresa como “eles” estão deixando a cidade horrivel!
    Parabens pela sua indignação. Abraços

  18. roselene ferreira Diz:

    OI AMIGO,
    ÓTIMO O TEU ARTIGO.
    NÃO LEMBRO SE FOI ONTEM OU HOJE QUE LI NO JORNAL UM ARTIGO ONDE UMA PROFESSORA LIDEROU UMA TURMA DE ALUNOS QUE GRAFITOU EM CIMA DE UM MURO DE UM COLÉGIO QUE ESTAVA TODO PICHADO.O RESULTADO FOI MARAVILHOSO.
    COMO VEMOS,COM BOA VONTADE, SE CONSERTA ,O QUE ESTES CRIMINOSOS FAZEM NA CALADA DA NOITE… E SEMPRE NA IMPUNIDADE.
    BJ DA
    ROSELENE

  19. Ariel P. Fonseca Diz:

    Caro amigo Bonat
    Parabéns por mais este inspirado artigo que aborda uma lamentável realidade.
    A sugestão para a TV Globo é adequada, mas todos sabemos que dificilmente será adotada pois as novelas, com raras exceções, não costumam apresentar ações construtivas ou educativas.
    Forte abraço do seu velho camarada Ariel.

  20. ALFREDO CHEREM FILHO Diz:

    Meu Caro General
    Com muita sabedoria e inteligência sua abordagem sobre o assunto, concordo plenamente com suas citações, e fico idignado com tais pichadores, que hoje com a inversão de valores dados pela imprensa e direitos humanos, é perigoso o dono do imóvel ser processado por ter seu imóvel pichado, por exemplo se houver uma reação.Obrigado pelo envio.
    Alfredo 24.01.13

  21. Valderez A. Ferreira Diz:

    Caro Gal. Bonat
    Acabo de ler o assunto a respeito dos pichadores (grafiteiros?). Para mim não passam de um bando de bandidos e, como tais deveriam ou devem ser punidos. A meu ver, a punição seria uma noite num abrigo p/delinquentes até que os pais munidos de todo material necessário para que paredes/muros sejam repostos em seu ” status quo” às expensas dos mesmos. Que sejam devidamente ” fichados ” e, na reincidência, punidos severamente, cuja punição deveria ser estendida a seus pais se não sabem ou não se importam onde os filhos bandidos estão e fazendo o quê.
    Abraços

  22. Gustavo Rocha da Silva Diz:

    Prezado General Bonat:

    A divisão toponímica entre o “Rio” e o “de Janeiro” é nova para mim, porém exatíssima! Para quem mora no “Rio”, tudo que está “além-túnel” não existe ou não presta.

    Com tristeza constato que a Curitiba limpa, amável, civilizada, que conheci na década de oitenta se degrada, como tantas outras cidades brasileiras.

    A influência deletéria da Rede Globo de Televisão se estende a muitos setores da vida brasileira: vai desde o abastardamento da Língua Portuguesa até a difamação sistemática do Exército Brasileiro, hoje com a prestimosa colaboração dele mesmo, haja vista a filmagem da novela “Salve Jorge” no Regimento Andrade Neves.

    Até quando?

  23. bonat Diz:

    Prezado Hamilton,
    De fato, a televisão, para o bem ou para o mal, vai eliminando a diversidade cultural. Recordo-me dos meus tempos de interior, em Santo Antônio da Platina, nos anos 1950 e começo dos 60, tempo em que as cidades tinham cultura própria, seus hábitos e costumes, seu linguajar, seu folclore. A televisão pôs, em cada uma delas, o Rio de Janeiro, ou São Paulo, especialmente aquele, e mudou-lhes substancialmente o modo de viver. Uma das mudanças mais sensíveis foi a da moralidade. Na cambulhada, disseminou-se a pichação, como bem retratou você em seu ótimo texto.
    Também queimo de indignação diante desse vandalismo. Os autores são deliquentes que produzem danos ao patrimônio alheio e degradam as cidades. Como combatê-los? Penso que a sociedade tem se comportando de modo muito leniente em relação a isso. A via educativa é um caminho, mas insuficiente e inóqua se não houver repressão penal para valer. Talvez se esteja esperando que alguém, prejudicado pela obra maligna desses jovens, resolva reagir a tiros, o que não seria aconselhável mas, de outro lado, compreensível. Esperar que a moda passe talvez demore demais. E pode não passar.
    Abraços,
    Joaquim

  24. LUIZ CARLOS SOLUCHINSKY Diz:

    Eu também, como todo mundo, não gosto de pichador. Comentar o assunto seria chover no molhado pois tudo já foi falado. Quanto a Globo, ah! Globo safada. Disseminando só bandalha. Assisti o 1º capítulo da tal Salve Jorge, porque nas chamadas anteriores vi que havia milico na história. Todo mundo viu o tal Capitão Theo escalado de Corneteiro de Dia (ou Piquete) fazendo uma bela clarinada dentro da Igreja. Me poupe. KKKKKKKKKKKKKKK Um abraço. Solu

  25. Celso Dias de AQUINO Diz:

    Caro Senhor Gen Bonat,
    Isso é coisa de bandidos e, por isso, caso de polícia. Sou de BH e fiquei adido ao 2. RI antes de seguir para a Faixa de Gaza. Já naquela época (1962)a pichãção, ou melhor, o vandalismo era recorrente. BH está uma vergonha. Praticamente TUDO pichado. A polícia sabe quem são os pichadores, mas… Em algumas cidades do interior de Minas não se vê um único rabisco em paredes e muros. É também uma questão de educação. Essas garatujas indicam que os animais estão marcando seu território…

  26. Roseni Palmira Tabalipa Diz:

    Prezado general Bonat:

    Sua crônica está perfeita!!!
    Infelizmente, não temos autoridades nem punições aos maus elementos da nossa sociedade. Todo mau feitor deveria ser punido. Quem comete um crime, independente da idade, deve pagar. Só assim teremos sossêgo e preservação no nosso meio ambiente…Grande abraço…Roseni P. Tabalipa.

  27. Luiz Sérgio Salgueiro Diz:

    Meu amigo

    Maravilha de artigo.

    Agradeço a ressalva do “coração mole do homem de galocha”, foi o único elogio ao proprietário do seu imóvel alugado em “Mal Hermes”.
    Grande Mal Hermes ! De saudosas lembranças.
    Como garoto criado no bairro asseguro-lhe que o meu cantinho já teve a sua poesia, apesar dos inúmeros problemas de um subúrbio esquecido pelas autoridades. Calor, insegurança, transportes precários, distância do Rio, é tudo vero, mas …. pichadores é coisa que não se via na minha infância. Começou depois.
    A AFA no Campos dos Afonsos e a Escola Militar em Realengo fizeram de Mal Hermes um “point do cadetal”. Muitos lá se apaixonaram e por lá se casaram. Fotos antigas, e são muitas, mostram a estação férrea com a sua bela imagem, as ruas largas e arborizada, a praça cheia, as festas do Marã e do União e a missa dos domingos enchendo a igreja do bairro.
    A pichação e os problemas com a segurança vieram depois.
    De qualquer forma, muito obrigado por ter me permitido recordar fatos e imagens distantes, mas que são também tão importantes pra mim.
    Sabe… eu e meu irmão ainda não conseguimos reunir a coragem necessária para vender a velha e simples casa de nossos pais. Mas ….com certeza não foi o “meu velho” o lembrado homem de galocha.

    Abs
    Salgueiro

  28. Laura Vaz Diz:

    Caro general:
    Fiquei surpresa com essas histórias de pichadores e Globo. Estou meio “por fora”. Não assisto a Globo há milênios.
    Quanto aos pichadores, como todo mundo, também os abomino. Vi, certo dia, um grupo de garotos grafitando um grande muro.
    Não me contive: fui até eles e os cumprimentei. Elogiei seu trabalho pois o desenho estava lindo! Pena que são poucos os jovens que assim procedem…
    Forte abraço.
    Laura

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