Eleições: vivas ao cavalete!

Houve tempo em que eleição e poluição eram palavras sinônimas. Postes, viadutos, passarelas, muros e tudo mais que servisse para rabiscar ou colar cartazes tornavam-se vítimas dos candidatos. Passado o pleito, dá-lhe dinheiro público para limpar a sujeirada! Em vista disso, a justiça eleitoral resolveu entrar em ação. A Resolução 23.370 normatizou o assunto.

Hoje, o que se vê é um oceano de cavaletes. Na direção em que se olhe, lá estão eles, sorridentes, pedindo nosso voto. Às vezes, atrapalham um pouco a locomoção dos transeuntes. Mas isso não é nada quando comparado à sujeira de tempos idos.

Num jogo de pode versus não pode, quem saiu ganhando foi o cidadão. Pode, por exemplo, entre 6 e 22 horas, usar cavaletes e outros objetos de fácil remoção que não atrapalhem o trânsito de pessoas e veículos. Em contrapartida, não pode afixar cartazes ou qualquer tipo de propaganda em bens públicos e de uso comum, como postes de iluminação, sinais de trânsito, vias públicas, passarelas e paradas de ônibus. Quem desrespeitar é multado, num valor que varia entre R$ 2.000 e R$ 8.000. Pouco? Aparentemente sim, pelo menos para candidatos de bolsos recheados. Mas eles sabem que a multa maior virá das urnas.

O eleitor agradece, a cidade agradece, o contribuinte agradece. Estamos, enfim, livres das pichações que, em época de eleição, emporcalhavam todos os espaços, urbanos ou não. Aplausos para a justiça eleitoral! Vivas ao cavalete!

Mas parece que nem todos pensam assim. É o que tem revelado a moda de destruir cavaletes. Recuso-me a acreditar que a ordem emane dos candidatos ou dos partidos. Transformar em lixo o símbolo do aprimoramento da nossa democracia seria um tiro no pé, além de um tiro na própria democracia. Provavelmente seja iniciativa individual de quem não gosta de um ou outro candidato. Nada mais do que isso.

Inspiração diferente tiveram o diretor de arte Victor Brito e o ilustrador Marco Furtado. Como não existem fiscais suficientes para verificar se a lei está sendo cumprida e a fim de protestar contra a propaganda política irregular, criaram a Cavalete Parade, manifestação que propõe transformar cavaletes irregulares em arte urbana. O nome, segundo eles, faz referência à famosa Cow Parade, mostra que espalha vacas customizadas pelas cidades: “a ideia é pegar emprestado um cavalete em situação irregular e fazer uma intervenção artística por cima, cobrindo nome, rosto e número”. A iniciativa parece boa, mas traz embutido certo risco: além de tentar fazer justiça com as próprias mãos, o movimento poderá vir a ser infiltrado por gente que só procure “propaganda irregular” de adversários políticos.

A democracia é uma entidade ingênua. Daí a sua fragilidade. Por isso, requer todo tipo de cuidado. Se um dia conseguirem acabar com os cavaletes, poderá ser tarde para, mais uma vez, chamarem a cavalaria!

Por falar em cavalaria, você já escolheu seu candidato? Ele não precisa ser, exatamente, de Cavalaria…

31 Respostas para “Eleições: vivas ao cavalete!”

  1. Salazar Diz:

    Meu caro Gen amigo…uma propagandinha subliminar, não faz mal a ninguem!E eu estou contigo
    Grande abraço
    Salazar

  2. Gustavo Silva Diz:

    Prezado General Bonat:

    A pergunta “por falar em cavalaria, você já escolheu seu candidato?” fez o abaixo-assinado, pessimista militante, resmungão e taciturno, rir sem parar.

    Todo e qualquer comentário posterior será supérfluo.

    Abraços e parabéns.
    Gustavo

  3. Mandrup Larsen Diz:

    Gostei da crônica. Estou com nosso amigo comum (indio) Salazar e faço minha as palavras dele. Vamos chamar a Artilharia e a Engenharia, para tomar partido. hahahaha

  4. Roseni Palmira Tabalipa Diz:

    General Bonat:
    Adorei sua crônica, como todas as outras.
    De fato, os cavaletes São as estrêlas de todas as Avenidas da nossa linda cidade e pequenas ruas também.
    Mas estamos na democracia e nada se pode fazer. A não ser, aguardar o final das eleições.
    Um grande abraço e parabéns mais uma vez, pela sua crônica dos candidatos; ou das eleições; ou dos cavaletes…
    Roseni.

  5. Alvino M. Brugalli Diz:

    Vivam os cvavaletes e morram os espaços eleitorais “gratúitos e obrigatórios”. Quanto à cavalaria para a limpeza dos cavaletes, nada contra. O que é preciso limpar da vida pública são os candidatos que consideram os eleitores pessoas incautas e desinformadas, tantas as bobagens (para não dizer asneiras) que falam. Vivam os controles de TV. Você perde um exercício de levantar-se e desligar, mas ganha em tempo trocando de canal, deixando de ouvir bobagens. Viva a TV a cabo. Muitas emissoras podem ser captadas, pois estão isentas dessa obrigatoriedade. Mais vale um “Tom e Jerry” que um demagogo falando.
    Um abraço do Brugalli.

  6. bonat Diz:

    Caro amigo Gen Bonat.
    Havias dado uma trégua aos teus artigos. Que tal (rss.. ) ? Deixando de lado o insulto, gostei muito do vivas ao cavalete, por sinal, escrito em boa hora. Até que enfim as autoridades fizeram alguma coisa despoluente, como mencionas no teu artigo. Nessa, parabéns às autoridades, que também estão dando guarida à lei da ficha limpa. Grande abraço do Zartão.

  7. Renato Silva Diz:

    Caro Bonat

    O lamentavel é que nas ultimas eleições havia a exigencia de se ter um responsavel por cada cavalete, o que onerava a campanha e limitava a enxurrada que se tornou atualmente, dado que pela nova Resolução do TSE, de nr 23370, náo há mais necessidade de alguem ligado ao candidato, a guardar o cavalete.
    O que ocorre é que com ventos, os cavaletes são atirados longe, já tendo havido acidentes com veiculos, além de derrubados que ficam, se tornarem um verdadeiro lixo.
    Além disso, incoerentemente, no caso aqui do Rio, houve um decreto em Abril do Prefeito coibindo o uso de outdoors, backlights e anuncios de consultorios e demais atividades,o que gerou uma verdadeira caça a tais placas, com exigencias em prazo absurdo para se corrigir, achaques de fiscais, etc… e o que se vê hoje é o prefeito, na sua propaganda e na de aliados a quem ele empresta a imagem, tornar-se o principal infrator, a despeito da autorização a meu ver “triste”do TSE. Abs

  8. Carlos Gama Diz:

    Realmente, meu caro cronista, o candidato não precisa mesmo ser de “Cavalaria”, mas é essencial que não seja uma “besta” e muito menos um “desertor da moralidade”…
    Difícil! Difícil…

  9. Ailson Oliveira Colossi Diz:

    Grande Bonat sempre brilhante concordo com tudo que muito bem colocastes quanto aos cavaletes se for tarde demais para chamar a cavalaria chamem a infantaria la estaremos a postos. Bonat peço para que escreva sobre pesquisas eleitorais gostariamos muito saber sua opinião sobre isto.Forte abraço não tenho te visto la no Instituto.

  10. Afonso Pires Faria Diz:

    Oportuno general, muito oportuno. São pequenas infrações que ficam impunes que estimulam as grandes.
    Afonso

  11. Gabriel (Oliveira) Diz:

    Infelizmente meu Comandante, enquanto os banqueiros estiverem nadando no dinheiro do povo e tendo todo o apoio dos nossos govern ANTAS, tudo continuará como antes no quartel de Abrantes. Se pelo menos os banqueiros estivessem descontentes, talvez chamassem mais uma vez os militares para colocar ordem nas coisas e depois deixar os militares ao Deus dará como se os militares fossem verdadeiros carrascos, como fizeram no golpe de 65 por eles patrocinado. Mas como a bandidagem toda está em festa, poucas chances esse País terá.Pois aos poucos, até o nosso valoroso exército está sendo pintado de “vermelho”, com comandantes subordinados ao grande partido.

  12. bonat Diz:

    Caro Gen Bonat,
    Grande cronista. Não perde o jeito. Muito bom. A propósito e, não por ser de “Cavalaria”, mas fiquei devendo a interpretação. Também sem discriminação alguma, mas será que o fato de estar muito tempo com a “Arma de Cabrita” ??? (risos)
    Grande abraço,
    Giovani

  13. roselene ferreira Diz:

    OI BONAT!
    QUEM ESTÁ CONTENTE COM ESTA PROPAGANDA SÃO OS POBRES QUE AS USAM COMO LENHA…. POUPAM O DINHEIRO DA LENHA P/ OUTRAS NECESSIDADES…
    BJ DA
    ROSELENE

  14. Theodoro da Silva Junior Diz:

    Prezado General – Bonat.
    Obrigado por compartilhar mais uma das suas belíssimas crônicas. Esses cavaletes não é privilegio somente de Curitiba, não é que aqui no interior também nossas ruas e avendas estão infestadas de cavaletes com nmes de candidatos.´Tudo começa muito cedo na busca dos melhores espaços…Quem chega cedo na fonte bebe água limpa…

  15. Nina Diz:

    Gostei muito do tema! É só eu olhar para fora de minha casa, pela manhã, e lá estão, a “adornar” minha esquina… Limpos, boas fotos, não poluem. Tenho dúvidas se ajudam a eleger alguem, mas pelo menos não colocam mais os sacos de lixos nas esquinas, para facilitar o recolhimento dos lixeiros… Sem querer comparar… rsss Mas estão bonitinhos, sim!

  16. ALFREDO CHEREM FILHO Diz:

    Meu Caro General
    Brilhante sua colocação, mas o meio político está tão desacreditado e minado com pessoas do mal, que não é de se admirar que uns estão tentando ganhar as eleições derrubando qualquer coisa de seu adversário, espero que sejam eleitos pelo menos pessoas bem intensionadas.
    Um Grande abraço, e obrigado pelo envio
    Alfredo/14.09.12

  17. Edmar Diz:

    Para vereador, vou votar no pai da minha neta (não posso deixar de fazê-lo). Ela já determinou.
    Sobre os cavaletes isso é uma grande inovação (acabou com a sujeira), às vezes fico me perguntando, por que também não liberam esse tipo de propaganda para as pessoas e empresas promoverem os seus serviços e produtos.
    Por que os políticos podem “emporcalhar” toda a cidade e uma empresa ou pessoa não tem esse direito. Será que isso não é discriminação?

  18. bonat Diz:

    Grande Bonat
    Como sempre muito criativo.
    Parabens.
    Um abraco
    Renato

  19. GABRIEL CRUZ PIRES RIBEIRO Diz:

    Bonat,
    Ainda bem que em Brasília estamos livres desses cavaletes, não temos prefeito nem vereadores.
    Abs.
    Gabriel (029)

  20. Joilson Mendes Diz:

    “É o que tem revelado a moda de destruir cavaletes”. Também revela o nível de educação e cultura de um povo que não está preparado para viver a “Democracia” em sua plenitude. Mas afinal, quem está? Gen Bonat obrigado por nos trazer mais reflexões. Parabéns! Abraço – Joilson

  21. Jose Vilmar Becker Diz:

    Meu caro Gen Bonat, grato por compartilhar sua crônica, um tema bem recorrente. Falando em Cavalaria e Engenharia, recordo o lema da engenharia: “destruir se preciso for, mas sempre construir.” Em se tratando de política, costuma-se dizer que vale tudo, só não vale perder. Parabéns. Abraços. Vilmar.

  22. João Carlos Marocco Dornelles Diz:

    Caro amigo General Bonat,parabens pela subjetividade do texto.Necessariamente não se exige que seja de Cavalaria pdedo ser tambem de Artilharia,Infantaria etc.Excelente chamamento. Abraços Marocco

  23. João Carlos Marocco Dornelles Diz:

    Caro General Bonat,parabens pela subjetividade do texto.Necessariamente não se exige que seja de cavalaria,podendo tambem ser de artilharia,infantaria etc.Excelente chamanento,Abraços Marocco

  24. Joaquim Rocha Diz:

    PREZADO AMIGO BONAT

    SEU COMENTÁRIO, COMO SEMPRE, É OPORTUNO, E TENHO POUCOS COMENTÁRIOS A RESPEITO.
    A NÃO SER, PARA RESSALTAR A VITÓRIA DA DEMOCRACIA, QUE ULTIMAMENTE ANDA PERDENDO TERRENO PARA A CORRUPÇÃO E PARA A FALTA DE ÉTICA, ENTRE OUTRAS COISAS.

    ABRAÇOS
    JOAQUIM ROCHA

  25. bonat Diz:

    Bonat,
    Belo trabalho.
    Aqui em Brasília, desta vez estamos livres.
    Temos aquele pior período da capital: muita seca, poeira e baixa umidade.
    Mas passa rápido.
    Abração.
    Bogoni

  26. Roberto Diz:

    Bonat, gostei da sutileza! Um grande abraço. Roberto.

  27. Luiz Sérgio Salgueiro Diz:

    Bonat

    Muito bom !
    Hoje, ao voltar do PDC, eu vinha pela Av Presidente Vargas, quando detido por um engarrafamento, olhei para o lado e vi um dos seus “cavaletes”, com um homem dentro. No canteiro central daquela grande avenida, um guardador de cavaletes, protegido pelo painel de propaganda .
    A noite deve ter sido boa para o sujeito, pois dormia de boca aberta o “sono dos anjos”, equilibrado num pequeno banco, com o queixo apoiado no suporte de madeira do cavalete, demonstrava que estava sonhando com o seu candidato eleito e ele devidamente empregado.
    Nem o sol, nem o barulho do trânsito, muito menos o calor de quase meio dia do centro da cidade tiravam do dorminhoco essa certeza.
    Faltou uma máquina fotográfica para registrar o momento único. Mas eu tentei resgatar a insólita imagem.

    Abs
    Salgueiro

  28. Josiane Bonat Diz:

    Meu amigo Bonat
    Concordo totalmente com sua cronica (vivas ao cavalete)e gostei muito da arte realizada aos cavaletes irregulares
    lembrando que alem da Cow Parade tambem ocorreu a Elefanth Parade. Um beijo Josiane Bonat

  29. diva malucelli Diz:

    Prezado Bonat…Realmente a destruição de cavaletes, por pessoas de outro partido ou que simplesmente não gostam do candidato, é uma atitude lamentável. Mas pelo número de greves ocorrendo no nosso País, dá para vermos como o povo está satisfeito.
    Não precisaríamos nos preocupar com os cavaletes, se nosso povo fosse mais politizado e assitisse ao Horário Eleitoral…neste país ninguém perde novela, mas no Horário Eleitoral, desligam a TV. E olha que TV, quase toda família brasileira tem…nem que seja uma simplezinha.
    Eu tenho assistido(não todo dia), e já tenho a minha opinião formada…
    Parabéns pela crônica…forte abraço.

  30. Mario Gardano Diz:

    Amigo Bonat, porque não emparelhar os cavaletes na rua formando uma enorme fila de obstaculos, e promover uma corrida com todos os candidatos;o que não derrubasse nenhum cavalete ganharia a eleição, assim estariamos poupando nosso tempo em coisas mais edificantes, e os que derrubassem os obstaculos nunca mais poderiam se candidatar, seria uma limpeza e tanto.
    abraços
    Mario Gardano

  31. bonat Diz:

    OK, Gen Bonat
    Lembranças a Dna Norma e seus familiares.
    Gostei da sua colocação sobre a “poluição eleitoral”… Por sinal, o vento forte de ontem e de hoje derrubou todos os painéis propagandísticos… espero que os candidatos não ponham a culpa no amigo…
    Estou encaminhando o convite anexo na esperança de que o amigo produza um artigo sobre nossas fortificações. Élcio

Deixe um Comentário