Um gol bizarro

Quando a “bleu-blanc-rouge” marca, sua torcida grita “but”, com biquinho e tudo. Os franceses, até hoje ressentidos com a derrota em Waterloo, rejeitam qualquer palavra inglesa. Nós, ao contrário, abrasileiramos “goal”, que significa meta, objetivo. Não fosse isso, você, fanático torcedor, gritaria “metaaaa”, cada vez que o seu time do coração balançasse as redes. Seria bizarro.

Futebol é uma das muitas coisas que importamos (inclusive a palavra football) e é das poucas de que podemos nos orgulhar por termos aprimorado. Somos os melhores do mundo.

Fizemos aquilo em que japoneses e russos foram mestres. O Japão copiava, aperfeiçoava e miniaturizava. A União Soviética copiava e aumentava. Exemplos não faltam. O radinho transistor tomou o lugar do grandalhão valvulado. O gigante Tupolev Tu-114, o maior avião de passageiros do mundo, entrou em serviço nos anos 50. Como conseguiam isso? Estabelecendo metas para suas nações e investindo em pesquisa a fim de alcançá-las.

Uma das atuais metas da política externa brasileira é ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Nossa projeção econômica e política mundial tem sido notória. É meio-caminho andado. Para percorrer a outra metade, torna-se fundamental o respaldo de um poder dissuasório à altura da dimensão estratégica que pretendemos ter. Ela, porém, não pode se limitar a forças armadas equipadas com o que há de mais moderno. Vai além. Precisamos dominar as principais tecnologias bélicas.

O que se tem observado, governo após governo, é um total e irresponsável menosprezo com a defesa da Nação. Se não tivesse havido, durante quase duas décadas, brutais cortes no orçamento da Marinha, é provável que já dispuséssemos do nosso submarino à propulsão nuclear. Seríamos hoje exportadores e não importadores dessa temida arma.

Outra meta, esta permanente, é a de assegurar nossa integridade territorial. Convém lembrar que as sociedades que atingiram elevado nível de vida consomem imensa quantidade de recursos que não possuem. Elas dependem de matérias-primas, muitas das quais são encontradas em nosso território, uma razão a mais para darmos atenção aos assuntos de defesa.

Uma Nação que se deseja influente tem que dominar a tecnologia, que, por sua vez, depende de maciços investimentos em educação. Não adianta ser grande e continuar ignorante.
Neste ano da França no Brasil, uma curiosidade de milhares de olhos nos observam desde a Torre Eiffel. Talvez eles conheçam nosso potencial e nossas metas. Portanto, não conseguem entender (e até gostam disso) como ainda não as atingimos. Devem estar murmurando, agora sem biquinho: “c’est bizarre”. Tão bizarro quanto o gol que os classificou para a Copa da África do Sul.

7 Respostas para “Um gol bizarro”

  1. Tercio Diz:

    Bonat,
    Um escritor, dizem os entendidos, já nasce pronto. Mas precisa, muitas vezes, ele mesmo descobrir esse pendor e acreditar que o possa desenvolver.
    Tu és um belo exemplo.
    Mas vais além.
    O exercício dessa qualidade tem permito uma peculiar desenvoltura ao escritor, que mantém um agradável convívio com o seus leitores.
    Pelo atrativo dos assuntos, pelo conhecimento dos temas abordados e pela correção e a técnica com que são elaborados, os textos atraem e prendem, com vivo interesse, até o final, os premiados leitores.
    Do amigo e, que sorte a minha, também, entusiástico leitor,
    Tercio

  2. Moleda Diz:

    Caro Bonat… suspeito sou por te conhecer e estar sempre ligadio no que tu escreves, no seu livro de cronicas, li e releio, pois em diferentes momentos, suas linhas fazem que pensemos e entendamos as doces realidades, seus conhecimentos trazem a tona uma realidade antiga e inovadora, pois a repetição sempre ocorre, mas de forma e maneira diferente… Parabens amigo, os FozdoIguaçuensses e os Caxiensses tiveram um baita militar, como aprendi contigo, deveriamos nascer com 90 anos e morrer com 10… tudo seria diferente, mas não é… portanto vivamos, Obrigado e Parabens amigo Bonat.

  3. Afonso Pires Faria Diz:

    Alem de não termos investido suficientemente em defesa, nosso presidente da “uma no cravo, outra a ferradura”, quando nos saimos bem de uma crise economica mundial mas namoramos com paises sabidamente de governos ditatoriais ou se tentando chegar a isto.
    grande abraço
    Afonso

  4. Mauro Fortes Carneiro Diz:

    Bonat,

    Li com satisfação, interesse e entusiasmo. Pena que somente hoje soube deste seu site…

    O sucateamento de nossas forças armadas, como de outros setores (refinaria na Bolívia, para citar um caso), é uma vergonha nacional reforçada pela sistemática campanha difamatória da mídia, que incute nos menos esclarecidos uma vocação errônea de nossas três armas.

    Infâmes atitudes de nosso governo nas áreas de defesa e educação, me lembram Olavo Bilac: “Nem cora o livro de ombrear c’o sabre, nem cora o sabre por chamá-lo irmão”.

    Como dizia um certo ex-professor nosso, já falecido, cujo apelido era nome de avião: “Louvo a objetividade, clareza e redação do texto”. Parabéns!

  5. Gonzaga Diz:

    Hamilton…vc sabe que te admiro..e que pensamos em muitos temas da mesma forma.
    Somos alinhados ideológicamente.
    Pensa aí…
    Estamos errando o “alvo ” !
    O PT construiu um símbolo que é o LULLA…
    e deu certo, depois de muita insistência.
    Vc que tem maior influência, pode, junto com outros camaradas,visando 2010, mostrar que o inimigo é o PT .
    Porque brigar com a imagem consolidada do lula é dar munição a eles…
    Será que estou certo ???

  6. Nestor Jesus de Sant'Anna Diz:

    Prezado Gal.Bonat
    Concordo em parte com o que postou o Sr. Gonzaga. Porém precisamos ir muito além. Precisamos eleger um líder, um repositório de carne e osso para os nossos ideais. UMA REFERÊNCIA DE FATO E DE DIREITO. PÚBLICA, NOTÓRIA. O gal Heleno já foi citado como tal. Eles já lançaram a sinistra dilma roussef. E nós… Li hoje no site do cel Ustra o texto de um jovem de 15 anos, que se identificou, dizendo-se sufocado e revoltado com o patrulhamento de esquerda, por óbvio, que sofre na escola. Nessa linha de raciocínio tece críticas à apologia massacrante que a mídia aparelhada faz desse ajbeto filme sobre a odisséica (que Deus me abane)vida do lula. Precisamos dar uma referência a esse garoto e a milhares por esse Brasil , que já estão a se “tocar” que a esquerda\sindicalista\universitária\bolchevique que está no poder não têm ideais pátrios. Não têm planos de estado para o Brasil e sim, somente para si. O Cesinha (ex-guerrilheiro César Benjamim) (não entrarei aqui no seu curriculum pregresso), publicou já sabida e corajosa matéria no JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, dando conta de que o lula tentou estuprar um adolescente de 17 anos, o “menino do MEP, como ele mesmo alcunhou, enquanto detento nos anos 80. Não o conheço (César Benjamin), nem imagino o que possa se passar na sua mente, mas que fez um bem pro Brasil e para os homens de bem, isso ele o fez. Parabéns pra ele e a minha eterna gratidão. Guardarei esse jornal pro resto dos meus dias. Enquanto isso o Arruda do DEM, enche os bolsos com uma pacoteira de dinheiro e dissimulado como é de seu caráter, vem a público dizer que é dinheiro de campanha, não contabilizado ou contabilizado, o que não faz qualquer diferença. Quer dizer, o escândalo do lula, denunciado em letras incontestes (ele diz-se amargurado,triste, coitadinho) dia 27 último, já tem um contraponto que é o do Arruda. Parece que já estavam com o dedo no gatilho, aguardando para disparar uma cortina de fumaça sobre a latente pedofilia presidencial. E nós, o que faremos. Continuaremos a gastar(à toa) munição contra essa figura blindada e amalgamada pelas diversas erupções recorrentes de suborno,desgoverno, apatridia,militância alienígena contra os interesses do Brasil e agora, até declaração perverso-sexual!!! Não, temos que ir adiante e eleger um LÍDER. Vamos dar uma opção aos jovens e testar se estamos certos ou errados. Confio que nossa espectativa será suplantada, que teremos um respaldo como em 1964, não nas ruas em passeatas, que hoje é território das bandeiras vermelhas, mas silente, nas urnas. O Brasil acima de tudo e de todos.
    Nestor Jesus de Sant’Anna – Santos, SP, em 1-12-2009

  7. Gabriel Cruz Pires Ribeiro Diz:

    Bonat,
    Parabéns por mais este artigo tão oportuno.
    Lamentavelmente, a FIFA não pretende, pelo menos de imediato, incluir recursos tecnológicos para ajudar a arbitragem a evitar erros como esse que classificou a França para a Copa de 2010.Quem sabe, depois dessa Copa.
    Forte abraço.
    10/12/2009.
    Gabriel

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