Entre aspas

Abro aspas. Muitos já ouviram essa frase e ficaram torcendo para que as tais aspas fossem logo fechadas e o discurso chegasse ao fim. Por ter escutado inúmeros deles, julgo que chegou a minha hora de abrir algumas aspas.
“É preciso levar em conta o passado de Sarney antes de condená-lo”. O autor é de todos conhecido. “Vossa Excelência tem que engolir e digerir como quiser suas palavras”. De autor também muito e tristemente famoso. “Esqueçam de mim”. Este ao menos foi sincero. Era o que todos queriam ouvir. “Os nacionalistas retrógrados são contra as privatizações” Epa! Nacionalista sou eu. Retrógrado não. Ele ficou rico. Eu não. “Todos são iguais perante a lei”. E os sem-terra? “A ministra Dilma possui o título de Mestre pela Unicamp“. Sendo condescendente, foi u’a mentirinha a mais, uma falha dos assessores de quem não lê o próprio currículo.
Por fim: “Foi o ano do Brasil na França. Agora é o ano da França no Brasil”. Quer dizer, a Força Aérea Brasileira terá que aceitar o Rafale (avião no qual nem os pilotos franceses confiam) e a Marinha receberá de presente a ultrapassada tecnologia naval francesa para produzir submarinos.
Se, no governo passado, o Exército foi obrigado a aceitar os complicadíssimos e ainda não testados em combate helicópteros Super Puma, por que Marinha e Aeronáutica ficariam de fora da invasão intelectual francesa? Mas intelectual não entende de avião, de submarino e de helicóptero. Não é demais lembrar que a França teve suas últimas conquistas com Napoleão, quando nada disso existia e os intelectuais se limitavam a pensar. A questão é: quem sairá ganhando? Respondo, agora sem aspas: logicamente que não serão as nossas Forças Armadas.
Respeito os francólilos de coração. Ao mesmo tempo, temo os de ocasião, pois seus interesses nem sempre se confundem com os do Brasil. Particularmente, eu preferiria que os franceses se limitassem a nos mandar seus queijos e vinhos. Aí, estaria aqui mais um francófilo bradando entre saborosas aspas: “Vive la France”!
A Rússia assimilou da França uma ideologia que ela mesma, a França, nunca chegaria a implementar, e virou uma sucata conhecida como União Soviética. Nosso caso é ainda mais grave. Além da ideologia, estamos importando tecnologia, ambas caducas e ultrapassadas ou, se preferirem, demodés. Antes de encerrar, julgo conveniente avisar aos desavisados que ninguém é bobo de transferir seu avanço tecnológico mais recente.
Termino aqui o meu discurso. É possível que você não tenha concordado. Mas, ao menos, ele foi curto. Curto e sincero.

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