Sete mil, vereadores ou médicos?

Enquanto a suína continua matando, o Congresso prepara-se para aumentar em sete mil o número de vereadores. Sete mil vezes dez assessores representam setenta mil a mais para sustentar.
Senadores e deputados, na teoria nossos representantes, estão apenas cumprindo a Constituição do doutor Ulisses. É o que dizem. Mas se ela já foi alterada outras vezes, inclusive para permitir a reeleição de FHC, não seria possível dar um jeitinho? Na atualidade, como o interesse é do povo, parece que não.
Se interessasse, eles pensariam na segurança pública e no conseqüente acréscimo, em setenta mil, no efetivo policial. Mas não. Seria mais gente para atrapalhar os traficantes.
Que tal se tivéssemos mais setenta mil professores? Também não, pois devem imaginar que professores gostam de dar uma de bacana, que, mesmo ganhando uma miséria, são metidos à besta e tentam educar os malcriados filhos dos outros. Têm mesmo é que ficar pobre. Quem mandou estudar!
E se fossem contratados setenta mil engenheiros? Estes não, pois pertencem à elite. Além do mais, são incompetentes, pois as estradas que fizeram há quarenta anos estão cheias de buraco. As refinarias e hidrelétricas que construíram não interessam mais. Por isso, o Brasil as está doando aos vizinhos. Não precisamos mais delas. De engenheiros, muito menos.
Que tal setenta mil enfermeiros? Para quê? Eles são temidos, principalmente por alguém que esteja com a saúde debilitada e é ameaçado por suas agulhas pontudas.
Só resta, humildemente, concordar com o Congresso. Setenta mil vereadores e asseclas não farão mal (nem bem) a ninguém. Trata-se de gente boa. E quem sabe não nos sobra uma boquinha? Policiais, médicos, engenheiros, professores e enfermeiros são considerados descartáveis. Vereadores são mais necessários.
A real ameaça da gripe suína, entretanto, leva-me a considerar que sete mil médicos seriam mais úteis no momento atual do que a mesma quantidade de vereadores, mesmo que se tivesse novamente que mudar a Constituição Democrática do Doutor Ulisses. Democrática ela tem sido para os políticos. Para o povão, começa a se revelar mortal.E nada vai mudar. Fazer o quê? Rezar para não pegar a tal gripe. Quem der azar, que vá se consultar com um vereador.

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