Uma tal Capitão Carla

Por que não “Uma certa Capitão Carla”? Porque Fernando M. Lopes – a quem, infelizmente, não conheço – assim já intitulara um artigo seu, parte do qual transcrevo: “Num País onde faltam heróis e sobram cafajestes, teimamos em ignorar os bons exemplos. Como sou mais teimoso ainda, vou falar de dois desconhecidos: a capitão médica Carla Maria Clausi e o cabo Ricardo. Sabem quem são eles? Certamente não, mas devem ter visto algo sobre o desabamento de uma escola de Porto Príncipe, em novembro, no qual mais de 90 pessoas perderam a vida. Foi um horror; sobreviventes estavam sob toneladas de escombros, sem muita chance de salvamento. O que fazer? Em desespero, os haitianos se lembraram dos brasileiros; chamados, eles enviaram uma equipe médica composta por soldados e fuzileiros navais. Foi a salvação de 4 crianças, de 6 a 7 anos de idade. A capitão médica Carla e o cabo enfermeiro Ricardo se esgueiraram pelos escombros, ignorando o perigo e, a muito custo, conseguiram salvar as crianças. As fotos são impressionantes. Mostram o grau de coragem de dois heróis que arriscaram a vida por pobres crianças. Desafiaram a morte não por glória, dinheiro, fama ou medalhas. O agradecimento das famílias levou os bravos soldados às lágrimas”.
Por que transcrevo isso? Primeiro, por tomar conhecimento, pelos médicos do Hospital Militar de Curitiba, de quem atualmente sou um paciente assíduo e onde a capitão Carla serviu, que ela é um ser humano extraordinário. Segundo, pelas também impressionantes fotos que recebi dos estafados integrantes do Para-Sar logo após terem concluído a delicada missão de resgatar, em plena floresta, 154 corpos de vítimas do acidente entre o Boeing da Gol (todo certinho) e o Legacy (fora da altitude programada) pilotado por americanos. Nenhum deles, nem a capitão, nem o cabo, muito menos o pessoal do Para-Sar, foi notícia. Segundo as más línguas, apenas cumpriram seu dever. Por isso, devem estar em paz consigo mesmo.
Agora, após o acidente do Air-Bus da Air France no meio do Atlântico, as equipes da Marinha e da Força Aérea tiveram mais visibilidade. Apareceram até no Fantástico. Ainda bem, pois foi um trabalho árduo. Apesar de todo o corte em seu orçamento, Marinha e Força Aérea, rapidamente, fizeram o que parecia impossível: deslocaram uma força-tarefa para Fernando de Noronha a fim de participar das operações de resgate. Mesmo sabendo que ganham menos do que um ascensorista do Congresso, comandantes e tripulações conduziram seus navios e aeronaves para a área da tragédia a fim de cumprir mais uma delicada missão. Tarefa com risco muito maior do que ser mordomo, a quem pagamos 12 mil reais por mês, da governadora filha do presidente do senado.

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