Bingo!

Apesar de já ter idade para tal, não gosto de dar conselho a ninguém. Sou da teoria do tal do Murici – que cada um cuide de si. Porém, como tudo na vida, há exceções. Quando algum amigo diz que vai a Paris, recomendo o Moulin Rouge. Não é apenas para deliciar a vista com dezenas de jovens peitos nus. Durante duas horas se assiste a um rico espetáculo, que vai desde o can-can até a mímica, passando por trapezistas, cantores, domadores, mágicos, humoristas e outros mais. Lógico que, como bom conselheiro, informo que o show é caro, muito caro. Mas Moulin Rouge é Paris. Ir a Paris e não ir ao Moulin Rouge é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.
Agora, quando sei que alguém vai aos Estados Unidos, digo-lhe rapidinho: não deixe de ir a Las Vegas. O mundo está lá. Nem precisa jogar. Em Vegas, tudo é mais barato: hotéis temáticos, restaurantes de todos os sabores, transporte, shows da Broadway. Ainda há espetáculos sensacionais e gratuitos nas praças, simplesmente porque esperam que você guarde seus dólares para jogar. Se você é daqueles, como eu, que não gostam de cassino, bingo! Já ganhou.
E onde fica Las Vegas? No meio de um deserto. O governo americano, sem recursos para investir numa região pobre e totalmente isolada, decidiu que a iniciativa privada, se quisesse, poderia arriscar. Um milionário maluco topou. Montou a infra-estrutura (aeroporto, estradas, usina elétrica, rede de água e esgoto) e os primeiros hotéis e cassinos. Faliu e suicidou-se. Depois vieram outros e mais outros, até que Vegas se tornasse o que é hoje, sem um centavo do governo, que hoje fatura arrecadando impostos.
Agora que está para ser decidida a abertura de cassinos no Brasil, gostaria de dar um pitaco. A questão é polêmica. Dirão até que será mais uma possibilidade para lavarem dinheiro. Estão menosprezando a capacidade de um dos poucos órgãos eficazes do governo: a Receita Federal. Quem fiscaliza com tanta competência o imposto de renda de milhões de brasileiros não seria capaz de controlar alguns poucos cassinos? E, quando digo poucos, é porque devem ser pouquíssimos mesmo. Que se identifiquem os municípios (cinco, talvez) mais carentes do Brasil, pelos quais ninguém se interessa, onde nada há e tudo falta. A partir daí, que se proponha aos “empresários” do jogo que ali construam o que for necessário, desde a infra-estrutura, para erguer seus cassinos. Se eles são favoráveis ao jogo, que apostem. Se perderem, azar deles. Se ganharem, todos ganharão.

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