Osso – um palíndromo duro de roer

“A mala nada na lama”. “Anotaram a data da maratona”. O que têm essas frases em comum? Nada, além de ambas serem palíndromos, quer dizer, lidas da esquerda para a direita ou, ao contrário, da direita para a esquerda, têm o mesmo significado. Há também palavras-palíndromos. Osso é uma delas. Osso nos remete ao cartaz que, dizem, foi afixado na porta do gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro (PP): “quem procura osso é cachorro”. Segundo o noticiário, trata-se de um protesto aos que defendem o resgate dos restos dos militantes que participaram da guerrilha do Araguaia, nos anos setenta.
Alguns parlamentares do PCdoB ficaram irados. Ameaçaram Bolsonaro de entrar com um processo no conselho de ética, aquele que sequer puniu os deputados do mensalão. Mostraram-se incongruentes, pois sempre foram assíduos frequentadores de Cuba. Chegaram mesmo a prestar subservientes homenagens a Fidel, este sim um grande produtor de ossadas. Sabem até que cadáveres, cubanos ou não, nunca foram motivo para que El Comandante tivesse qualquer sentimento de culpa. Serviram apenas para que se garantisse no poder e exportasse sua revolución. Seu produto de exportação levou à morte jovens brasileiros e de outros países da América do Sul e da África. O certo é que assassinatos nunca pesaram na consciência dos irmãos Castro e nem na de outro ditador de quem o Brasil está agora se aproximando. Seu regime acaba de afrontar a ONU com mais um teste nuclear. Abrir uma embaixada brasileira em Piongyang significa apoiar a escalada belicosa de Kim Jong II, que, para manter-se no poder, ocasionou a morte de nada menos do que dois milhões de norte-coreanos.
Em Cuba e na República Democrática Popular da Coreia, produzir ossos tem sido parte de uma rotina de governo. No Brasil não. Mesmo assim, o governo que o PCdoB hoje integra faz questão de se aproximar de seus impiedosos títeres. Considera-os seres mais próximos de deus do que do diabo. Por isso, acha que lhes deve pagar o dízimo. Entretanto, bastaria consultar a história para se aperceber da falsidade que há em seus ares angelicais.
Acreditar que, por terem envelhecido, tornaram-se anjos seria tão ingênuo quanto aceitar os argumentos dos senadores José Sarney (PMDB), João Pedro (PT), Cícero Lucena (PSDB) e Gilberto Gollner (DEM) por terem recebido indevidamente quase quatro mil Reais por mês a título de auxílio moradia. Por que o PCdoB não entra com um processo contra eles? Seria aplaudidíssimo. Mas duvido que o faça. Seria mais fácil outro palíndromo – o ovo – parar em pé. Político não é bobo. Não atira no próprio pé. Nem na galinha dos ovos de ouro.

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