Bombas, Bombinhas e Bombinenses

Buenas tardes, saúda-me a funcionária da lan house onde vou todos os dias ler meus e-mails. Não pense que estou no exterior. Encontro-me em Bombinhas, brasileiríssima, graças a Deus e às famílias de açorianos mandados para esta região no início dos anos 1700 a fim de garantir sua posse para a Coroa Portuguesa. Como há muitos turistas argentinos, é comum o uso do castelhano pelo comércio local para receber os clientes.
Na contramão do nosso tradicional preconceito em relação aos hermanos, quero elogiar seu bom-gosto na escolha deste maravilhoso recanto para passar as vacaciones. Cheguei a perguntar a alguns se a presença de tantos conterrâneos seus se devia à propaganda veiculada nos meios de comunicação do seu país. Disseram que não. O que houve realmente foi um marketing boca-a-boca, reconhecido como a ação promocional mais eficiente e de menor custo que existe. Sua força está no fato de ser realizado por consumidores verdadeiramente satisfeitos e dispostos a recomendar um produto que superou as mais altas expectativas. Ao que parece, os precursores argentinos espalharam que aqui se podia andar despreocupado com bolsa, carteira, relógio e celular. Que não encontraram flanelinhas, guardadores de carro e pedintes de todo tipo, que incomodam qualquer cidadão, especialmente os estrangeiros que visitam nossas cidades. Que não se tentava obrigar ninguém a comprar uma fita do Senhor do Bonfim. Que não se pretendia arrancar todo o dinheiro que alguém estivesse carregando. Por isso, tornou-se desnecessário gastar fortunas em campanhas publicitárias para que turistas disputassem à tapa uma vaga nas pousadas de Bombinhas.
Aqui você sente-se seguro. Quase não vê polícia. Nem parece que está no Brasil. Disse isso ao Marinho, o simpático proprietário da imobiliária que fica no térreo do prédio onde estou hospedado. Como bombinense da cepa, ele não gostou. Não me aborreci. A gente não se aborrece facilmente quando está nesta península que invade o Atlântico formando belas enseadas, cuja areia rigorosamente branca é banhada por um mar azul-brilhante. Aliás, o Marinho desenvolve há três anos um projeto que visa à conscientização no sentido de preservar a areia impecavelmente limpa. Parece que está dando certo. Entretanto não se pode abrir a guarda, pois nós, humanos, somos sabidamente poluidores.
Tempos atrás, quando alguém afirmava que Santa Catarina pouco se parecia com o Brasil, catarinenses como o Marinho ficavam revoltados. Hoje, infelizmente, essa afirmação chega a ser quase um elogio. Bom seria se o Brasil conseguisse copiar o comportamento dos bombinenses. É provável que outros “brasis” não precisassem gastar tanto com publicidade, que às vezes soa enganosa. No entanto, dizer que não há problemas em Bombinhas seria leviano. Ontem mesmo, uma abelha picou meu neto de quatro anos. Praia não é lugar de abelha. Abelhas nasceram para trabalhar. E, para aguçar a inveja de quem, mesmo não sendo abelha, tem que pegar no batente, comunico que agora vou à praia, à praia mais linda do mundo. Hasta la vista.

Deixe um Comentário