Brasil quatro, Itália quatro

Primeiro, tiros nas pernas para que não fugissem. Depois, disparos na cabeça. Quatro vítimas. Execução sumária. Para os advogados do MST, legítima defesa. Advogado tem cada uma… Melhor classificar como crime político, isto é, da mesma categoria que os cometidos pelo italiano Cesare Battisti, portanto inimputáveis segundo o Ministro da Justiça.

Nosso Movimento, dito social, alcançou Battisti, aparentemente empatando o jogo: Brasil quatro, Itália quatro. Mas, se você é um nacionalista incorrigível como eu, alegre-se, pois trata-se de um raro caso de empate virtual. Na verdade, estamos ganhando, e de goleada. Nosso primeiro gol – um golaço, diga-se de passagem – foi feito em Porto Alegre. Em 1990, durante manifestação, uma turba de sem-terra degolou, a golpes de foice, o cabo Valdeci de Abreu Lopes, da Brigada Militar. Desde então, mais de quarenta integrantes do Movimento foram acusados de homicídio.

Esses crimes todos, mais ocupações, depredações, interdições de rodovias e ferrovias, ameaças, nunca pareceram preocupar tanto o judiciário e a imprensa quanto agora. Até o Presidente do Supremo mostrou-se indignado. Seu pronunciamento refletiu o pensamento da maioria dos brasileiros. Como pode um verdadeiro bando receber dinheiro do governo para afrontar a lei?

A grande imprensa também tem mostrado o seu descontentamento.  Ele seria mais veemente se os quatro assassinados pertencessem ao MST. Provavelmente o fato seria elevado à categoria de “massacre” e relembrado todos os anos, da mesma forma que o massacre de Eldorado dos Carajás. Mesmo assim, sente-se um avanço. Todos percebem o perigo de a violência espalhar-se como fogo pelo campo, caso as decisões da Justiça continuem a não ser cumpridas por vários governos estaduais.

Quem anda calada é a “mãe do MST”. A Pastoral da Terra ainda não veio a público para condenar os covardes assassinatos. Se os mortos fossem filhos seus, ela já teria emitido veemente nota de repúdio. Mas não. Aquelas quatro pobres famílias que enterrem seus mortos sem a bênção de Deus. Se depender do nosso clero, suas almas não serão recebidas no Reino dos Céus, pois pertenciam a outro time.

Quem também poderia ter ficado quieto é o Ministro da Justiça. Sua declaração representou um verdadeiro atentado ao estado democrático de direito, que ele tem a obrigação de defender. Segundo o comissário Tarso, o MST encontrou uma “maneira mais arrojada de fazer reivindicações”. Depois, quem apagará o incêndio?

 

Deixe um Comentário