Adolf, Josef e Cesare, sejam bem-vindos

Tentei não tocar no assunto. Muita gente boa já o havia feito, contra e a favor. Entretanto, o instinto de sobrevivência leva-me a escrever. Hoje, como todos os dias, acordei antes do sol. Por culpa da imprensa, espiei pelo vão da persiana para ver se o jornal já tinha chegado e se poderia apanhá-lo com segurança. Não fora o jornal que eu teria que buscar, ladrões e assassinos não passariam de obras de ficção para mim. Mas, segundo li, eles existem.

Abri a porta com cuidado e peguei o jornal. Manchete: “Justiça sem gente e com pouco dinheiro”. Pensei tratar-se da justiça italiana, que está na pauta graças ao affaire Cesare Battisti. Mas não. Era mesmo a nossa, reclamando da falta de recursos. Estranho, pois é das mais caras do mundo. Cara e ineficaz. E vai tornar-se caríssima se, como pretende, vier a contar com mais servidores percebendo exorbitantes salários.

Mas a razão do meu temor não está apenas na ineficiência da nossa justiça. A ela soma-se a razão sustentada pelo ministro Tarso Genro para conceder asilo ao italiano Battisti – “seus crimes foram políticos”.

Imaginei-me, então, atacado qualquer dia desses por um assaltante ao ir apanhar o meu jornal. Tomando o meu susto como reação, ele atira em mim. Supondo que viesse a ser detido, diria ao seu advogado que fora à minha casa para assaltar e matou-me devido à minha reação. O advogado, esperto como todos, o aconselharia a mudar sua história. “Diga ao Juiz que foi um crime político. Que você o matou apenas porque ele não era do mesmo partido”. Pronto! Ninguém mais neste país seria condenado por assassinato.

Pela lógica socialista do nosso governo, Adolf Hitler (socialista-nacionalista) e Josef Stalin (socialista-internacionalista) estariam absolvidos, pois os milhões de crimes que cometeram tiveram motivação política. É esta, em essência, a argumentação para defender Cesare Batistte. Só falta colocarem uma faixa na Praça dos Três Poderes: “Adolf, Josef e Cesare, sejam bem-vindos.

Você deve estar sentindo falta de alguém nessa relação. É que este dispensa votos de boas-vindas. Ele já está há tempos dando as cartas por aqui. Desde que o Foro de São Paulo foi criado, é a Fidel Castro que nossos atuais governantes servem e prestam contas.

A repercussão do caso tem sido muito negativa. Por isso, é possível que Castro libere o comissário Tarso de continuar se desgastando na defesa de um assassino frio e sanguinário que, ora bolas, apenas quatro burgueses matou. O STF está para julgar a trapalhada. Experiências recentes, como a da Reserva Raposa Serra do Sol, fazem crer que ele decidirá como o governo quiser. Com a palavra, mais uma vez, Fidel.

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