Gasolina – por que o preço não baixa?

 

 

Lá em casa todo mundo gosta de pão, mas só quem vai à padaria sou eu. Sempre que chego na padaria, dou uma olhada na tabela de preços, sonhando que o pão nosso de cada dia tenha ficado mais barato. Desde as vésperas das eleições de 2001, quando o dólar beirou os R$ 4, mantenho essa esperança. Na época, os padeiros, sob o argumento de que a principal matéria-prima, o trigo, era quase toda importada, aumentaram o preço do seu produto. Mais tarde, quando o dólar despencou para menos de R$ 1,60, sofreram ao que parece de amnésia coletiva e esqueceram-se de abaixar o pão. Se eu fosse de esquerda, diria que os padeiros tiveram uma atitude burguesa, marca do capitalismo selvagem, que só visa o lucro. Caracterizou-se a exploração do homem pelo homem, típica do capitalismo.

Lá em casa todo mundo gosta de usar o meu carro. Mas só quem vai ao posto sou eu. Sempre que chego no posto, olho esperançoso a tabela de preços para ver se a gasolina ficou mais barata. Desde que o barril de petróleo despencou de mais de 140 para cerca de 40 dólares, sonho que nosso governo, que o regula, abaixe o preço da gasolina e demais derivados. Lembro que o argumento usado para o último aumento foi de que o barril tinha ultrapassado os 140 dólares. Parece que o governo, da mesma forma que os padeiros, sofreu de amnésia e esqueceu-se de reduzir o preço da gasolina. Se eu fosse de direita, diria que nosso governo teve uma atitude típica do comunismo selvagem, que só visa o lucro para dividi-lo com a companheirada que comanda a burocracia do partido e dos sindicatos. Caracterizou-se a exploração do homem pelo homem, típica do socialismo.

São casos emblemáticos de falta de coerência. Dizem que a Petrobras é nossa. Deveria ser mesmo, pois sempre pagamos uma das gasolinas mais caras do mundo. Tornar, pouco que fosse, mais baratos a gasolina e o óleo diesel, ajudaria a conter a inflação e sinalizaria que o governo tenta fazer sua parte no sentido de minimizar as conseqüências da crise econômica mundial, que já bate à nossa porta.

Fica a dúvida sobre quem está nos explorando mais: se os padeiros burgueses do capitalismo selvagem ou os dirigentes sindicalistas do socialismo corporativista e igualmente selvagem. A resposta pode ser encontrada nas palavras, como sempre inteligentes e bem-humoradas, de Winston Churchill: “No capitalismo, o homem é explorado pelo homem. No socialismo é o contrário”.

 

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