Oriente Médio – a paz é o caminho

 

Em 1994 acompanhei o Chefe do Estado-Maior do Exército, de quem era assistente, em visita oficial a Israel. Nosso interesse eram equipamentos de comunicações que nosso Exército acabara de adquirir. Empresários aproveitaram para nos apresentar o tanque Merkava e aeronaves não-tripuladas. O primeiro é reconhecido como um dos carros-de-combate mais eficazes do mundo e as segundas, denominadas VANT (veículos aéreos não-tripulados), até hoje estão nos planos da nossa Força Terrestre. Mesmo assim, as negociações não progrediram por falta de recursos financeiros.

O processo de paz tinha sido assinado um ano antes em Oslo. Havia certo otimismo. Enfim, parecia real a chance de israelitas e palestinos, estes representados por Yasser Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), chegarem a bom termo. Mesmo assim, o ambiente era tenso.  Os soldados israelenses, após o expediente, levavam seus fuzis para casa. Um tenente, que na véspera provera nossa segurança na visita que fizéramos a Belém, foi emboscado e morto.

Em bate-papo com tenentes-coronéis como eu, lembro sua preocupação. Diziam que os árabes interpretavam qualquer alusão de Israel à paz como um sinal de fraqueza. E, a partir daí, intensificavam os ataques contra alvos civis em seu território.

Decorrido tanto tempo, parece que pouco mudou na região. Israel continua cercado por inimigos mortais. Ao norte, o Hezbollah e a Síria, que o apoia. Ao sul, o Hamas, movimento guerrilheiro que não reconhece a ANP como governo palestino democraticamente eleito e confessa desejar varrer Israel do mapa. Mais a leste, o Irã, com sua pesquisa nuclear que tem o fim de Israel como primeiro objetivo.

Alguns têm considerado excessiva a resposta israelense na Faixa de Gaza. Entretanto, estes críticos ignoram que há sete anos, em pleno cessar-fogo, o Hamas, quase que diariamente, vem lançando foguetes contra populações israelenses. Também parecem desconhecer o culto ao ódio contra os judeus propagado pelo Hamas, usando todos os meios, inclusive videoclips visando ao aliciamento infantil. Além disso, esquecem que não é só em Gaza que os muçulmanos têm revelado não admitir a convivência com outras culturas. Na Cashemira, no Afeganistão, no Sudão e em tantos outros lugares, já deram suficientes provas disso.

A solução para o conflito não é fácil. Se o fosse, já a teriam encontrado. O problema é agravado pela interferência de outros países. Enquanto o mundo fica na expectativa sobre a posição de Barack Obama, presidente eleito, mas não-empossado, dos Estados Unidos, até Hugo Chávez, neo-aliado do Irã, tem-se posicionado, obviamente contra Israel. No Brasil, o partido da situação, ao declarar-se pró-Hamas, revela outra vez sua incompreensível subordinação ao coronel venezuelano.

Mahatma Gandhi dizia que “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. O caminho seria juntar nas mesmas escolas, desde cedo, crianças judias e árabes. Mas, infelizmente, parece que os caminhos todos estão bloqueados.

Deixe um Comentário