Marta, um nome de dama

 

Marta era uma das tias do meu pai. Já a conheci viúva, com duas crianças para criar. Da sua casa, lembro-me da máquina de costura. Era nela que a encontrávamos sempre que íamos visitá-la. Fazendo vestidos, conseguiu educar os filhos. Devia levar uma vida difícil. Mesmo assim, nunca a ouvimos se lamuriar. Meus olhos de criança viam nela uma dama. Vestia-se sobriamente, sem chamar atenção, sem excessos, mas com elegância. Durante um bom período imaginei que todas as Martas eram como ela: senhoras distintas, honestas e trabalhadoras.

Claro que essa imagem não resistiu aos anos. Antes mesmo de uma ministra de estado proferir o célebre “relaxa e goza”, eu já tinha consciência de que as Martas não eram todas iguais. E quanto mais passa o tempo, mais a ex-ministra me convence que o nome não molda a personalidade das pessoas.

Agora, sob pressão, ela extrapolou. Candidata à prefeitura da maior cidade do país, com orçamento superior ao de várias nações – o que representa enorme atrativo -, e em desvantagem nas pesquisas, ela partiu para o ataque em recente debate transmitido pela televisão.  Durante os dois primeiros blocos, nada mais fez do que chamar Kassab de mentiroso. É forçoso reconhecer que este é um tema que o partido da senhora Marta domina como poucos. Sempre que uma bomba está prestes a estourar, companheiros do presidente inventam um factóide para atrair a mídia e desviar a atenção da população.

Ainda durante o debate, ela colocou em questão as amizades de Kassab. Aí, levou um contravapor que jogou-a nas cordas e quase a nocauteou. Era de esperar, pois, da mesma forma que os Pittas e Malufes não foram esquecidos, os Delúbios e os dólares na cueca continuam vivos na memória do povão. Há tantas perguntas a fazer sobre o comportamento ético dos amigos e companheiros da senhora Marta, que ela teria feito melhor se não tivesse tocado no assunto.

E como prepotência vicia, a insinuação de que, por não ser casado nem ter filhos, Gilberto Kassab poderia ser gay espalhou-se por São Paulo. E daí, dona Marta? Ela apressou-se em dizer que não tinha nada com aquilo, que era coisa do seu marqueteiro. Seguiu fielmente o que recomenda a cartilha: “Se algo der errado, ponha a culpa nos outros. Se não puder, minta, minta, minta mil vezes, e pronto”.

Não sei quem vai administrar o vultoso orçamento paulistano. Mas a candidata sabe que, se não for a escolhida, algum bom cargo a espera em Brasília.

Marta não é brincadeira. É um nome que me lembra honestidade. Fazer o quê?

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