Eleições – mortos ainda não votam

 

Há tempos desisti de querer os políticos todos certinhos. E não estou levando em conta apenas aqueles made in Brazil. Trata-se de um fenômeno globalizado. Mas, como estamos em clima de eleições municipais, não posso deixar de expressar o meu desconforto com um fato que se repete ano após ano.

Todo 29 de dezembro, chega à nossa caixa de correio um cartão de cumprimentos à minha mãe pelo seu aniversário, enviada por certa vereadora de nossa cidade. Um vereador, a cada 14 de junho, manda votos de felicidade e de vida longa ao meu pai. Sei que ambos não usam o seu dinheiro e sim o do contribuinte, quer dizer o nosso, para fazer “relações públicas”.

O hilário no caso, para não empregar um termo mais grosseiro, é que minha mãe morreu há quinze anos e meu pai há dez. Recentemente, os mesmos edis enviaram aos meus falecidos pais farto material publicitário, pois são candidatos a mais uma reeleição.

Não vou lhes revelar o nome. Gostaria somente de deixar um apelo político para que respeitassem ao menos os sentimentos dos eleitores. Eles poderiam até imputar a falha a algum assessor. No entanto, a bem da verdade, são eles que escolhem os assessores, que também são pagos pelo contribuinte. Já que se avizinha uma crise econômica mundial, seria conveniente um pouco de atenção a fim de se evitar gastos desnecessários, pois mortos ainda não votam.

Aproveito, sabendo do risco de ouvir mais uma vez que militar não deve se meter em política, para sugerir o fim do voto obrigatório. Creio que já estamos suficientemente maduros para exercer, conscientemente e de modo facultativo, esse direito.

Acredito que neste 5 de outubro nosso País dará mais uma prova de fé na democracia. Que assim seja.

 

 

 

 

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