Vizinhos assim, melhor não tê-los!

A Austrália pode se considerar feliz. Não possui vizinhos, nem pobres, nem ricos. Eles simplesmente não existem, e ponto. Ela tem pendências internas com seus aborígenes, mas não precisa se incomodar com os aborígenes dos outros. Está igualmente desobrigada a diminuir a pobreza de alguém, às vezes traiçoeiro, que esteja do outro lado da cerca e de investir bilhões para ajudá-lo a explorar seu subsolo rico em gás. Tampouco precisa firmar contrato, mais tarde contestado pela outra parte, a fim de construir, sobre rio limítrofe, a maior usina hidrelétrica do mundo.

Australianos não têm, como os mexicanos, um gigante a lhes fazer sombra. Brasileiros também não. Nosso problema é que estamos nos apequenando, fazendo com que um vizinho, que só petróleo produz, se autoproclame líder da América do Sul.

A grave crise por que passa a Bolívia é uma das conseqüências da política bolivariana, que se alimenta da desunião. Evo Morales, por seguir a cartilha de Chávez, levou seu país à beira da guerra civil. Se a geografia já conspirava contra, o atual mandatário chegou para dar um empurrãozinho fatal em direção ao abismo que separa o Altiplano do Chaco. A Bolívia já cedeu parte do seu território para todos os seus limítrofes. Agora está prestes a ser derrotada por si mesma. Caso isso se concretize, nada lhe será perdoado, ao senhor Morales, pelas futuras gerações de bolivianos, então pulverizados em diversas nações, ainda menores e mais pobres.

Foi bizarra a expulsão do embaixador americano. A Bolívia não tem relevância internacional. Representa muito mais para o Brasil do que para os Estados Unidos, pois, graças a um erro estratégico, nos tornamos reféns do seu gás.  No entanto, parece que o Brasil pouco poderá fazer, uma vez que nossa política externa tem andado a reboque do senhor Hugo Chávez. Mesmo porque, quando da tomada manu militari de nossas refinarias localizadas na Bolívia, nosso governo posicionou-se a favor de Evo Morales, contra os interesses brasileiros.

Más notícias, vindas de um pouco mais ao sul, ainda estão por chegar.  É quase certo que o presidente Lugo apoiará o MST paraguaio – produto brasileiro de exportação, criado pela mesma Igreja da qual ele é ex-bispo – em sua luta declarada contra os brasiguaios. Resta saber de que lado ficará nosso governo: se do MST ou dos brasileiros que vivem no Paraguai.  A quem quiser apostar, sugiro que marque coluna um.

Feliz é a Austrália. Não tem vizinhos e, no continente que ocupa por inteiro, a guerra fria, que tantos males já causou pelas bandas de cá, faz parte do passado.

 

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