Obrigado, Curitiba

Se nos reportarmos ao longínquo ano de 1693, encontraremos Mateus Leme precisando de gente para elaborar leis que atendessem às necessidades da população e punissem os arruaceiros que infernizavam a vida das pessoas. Em conseqüência, foi instalada a Câmara Municipal. Com isso, Curitiba passou a ser reconhecida oficialmente como Vila.  Mais de trezentos e quinze anos depois, na Casa que foi responsável pelo nascimento de Curitiba, fui homenageado com o título de Vulto Emérito da minha cidade.

Entre as mais de duzentas pessoas que estavam no Palácio Rio Branco, não preciso dizer quem era o mais feliz. Mesmo que eu tenha sido alvo de muitas homenagens ao longo da vida, nenhuma teve o mesmo sabor desta, que representa o reconhecimento dos meus conterrâneos.

Até meus netos estavam lá, sem entender exatamente o que acontecia. A verdade é que netos enxergam o avô como um velho, no que têm razão. Eles imaginam, aí sem razão, que o avô nunca foi criança.  Claro que já faz tempo, mas já fui um piá. Foi na década de cinqüenta, quando despertou minha vontade de ser soldado.

Atendendo à minha vocação, fui para a Escola de Cadetes. Foi alto o preço que paguei. Deixei para trás uma confortável vida de classe média. Tive que me despedir da Curitiba dos meus pais, avós, parentes e amigos, de uma cidade provinciana, com cerca de trezentos mil habitantes.

Passei sete anos interno e, não fossem as cartas, quase sem contato com minha terra natal. Depois de formado, vivi uma vida de cigano, mudando de endereço a cada dois anos. No final de 2005, chegou o sonhado momento do definitivo regresso, hora de conferir se eram verdadeiros os elogios sobre a nossa capital que sempre ouvi quando estive longe.

Reencontrei Curitiba enfrentando problemas por ter-se tornado metrópole. Mas, ao saber que metade de sua população é de curitibanos por adoção, concluí que ela continua a atrair gente de todo o Brasil e do exterior. Ainda é uma cidade onde é gostoso viver. Eram, portanto, sinceras as palavras que a enalteciam.

Estou ciente de que não sou o mais emérito dos Vultos Eméritos que a Câmara já escolheu. Porém, de todos, sou dos mais orgulhosos desse título. Aquele piá que se tornou soldado é particularmente grato ao vereador Ângelo Batista por ter proposto o seu nome para receber tão comovente homenagem.

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