Roraima, um país de todos?

O General Heleno bem que poderia, mas não criticou a inoperância dos órgãos públicos no combate à dengue. Nem teceu comentários sobre as indenizações imorais recebidas pelos senhores Ziraldo e Jaguar. Limitou-se a um assunto que é de sua responsabilidade: a defesa da Amazônia. Logo, é incompreensível o frisson que suas palavras provocaram em determinadas autoridades da República.

Há décadas o Exército prioriza a Amazônia. Só não transferiu ainda mais tropas para lá por falta de recursos. Também faz tempo que líderes dos países centrais vêm batendo na tecla de transformar a Amazônia numa verdadeira casa da mãe Joana, onde todo mundo pode entrar sem pedir licença. O problema é que, além de falar, eles têm atuado, apoiando organizações de fachada. Nos anos setenta, missionários estrangeiros criaram o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Hoje, segundo o site do próprio CIR, ele conta com as seguintes parcerias: CAFOD e Survival International (inglesas), CESE, TNC e Pro Rainforest Foundation (norte-americanas), CCPY e NORAD (norueguesas), Greenpeace (canadense), Movimondo (italiana), OPAN e Regenwald (alemãs), OXFAM (anglo-americana) e Pro Índios di Roraima (do Vaticano). Se você fosse o Comandante da Amazônia não ficaria preocupado com a presença de tantos forasteiros? Pois saiba que existem muitos mais: ninguém sabe quantos e nem o que fazem por lá. Consta que existem milhares de ONGs na região. É mole?

No ano passado, os brasileiros foram surpreendidos com o voto do Brasil favorável à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU. Veja como inicia um dos seus artigos: “Os povos indígenas têm direito à livre determinação”. Junte-se a assinatura do decreto presidencial homologando a reserva Raposa Serra do Sol e tem-se a impressão de que o Brasil está abrindo mão de imensa e rica porção do seu território, internacionalizando-a, segundo a vontade das grandes potências. É o neo-colonialismo, que se está aceitando por covardia ou interesses menores.

A falsa idéia da existência de um povo ianomâmi, inventada em 1973 por uma jornalista romena, inspirada pela organização suíça “Christian Church World Council”, vai ao encontro dos interesses estrangeiros. Para eles, se há o povo, existe a nação ianomâmi. Para nós, só existe um povo e, em conseqüência, uma só Nação – a Brasileira, que é de todos os brasileiros, inclusive de todos os índios.

É válida a suposição de que gringos andem interpretando em proveito próprio o slogan “Brasil, um país de todos”. Quanto a Roraima, devem estar pensando que o Estado é de todos, menos dos brasileiros. Nunca é demais recordar o Padre Antônio Vieira: “Os de fora não querem o nosso bem, mas sim os nossos bens”.

As declarações do General Heleno direcionaram os holofotes para um grave problema, propositalmente deixado à sombra a fim de escondê-lo da grande maioria dos brasileiros. Se o governo quisesse respaldo para enfrentar as pressões internacionais, bastaria um plebiscito. Mas, pelo jeito, a opinião da maioria não interessa neste caso. O que interessa então?

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