El guapecón

Por onde ando, no quintal da minha casa, El Guapecón me acompanha. Acompanha e obedece. Na ativa, cheguei a comandar mais de oito mil militares. Hoje, na reserva, apenas El Guapecón cumpre minhas ordens.
Tive seguranças competentes e leais. El Guapecón está longe de ser um segurança competente. Sua única virtude é a lealdade. Até porque, ele sabe que sou eu quem lhe paga a ração. É meu compromisso com ele, além do respeito que lhe dedico.
El Guapecón não é soldado. Mas é calado como um soldado. Tem a sorte de muitos falarem por ele. Ninguém fala pelos soldados. Ninguém os defende, nem o Ministro da Defesa.
Há universidades onde prega-se o menosprezo aos soldados. A El Guapecón, ensina-se a gostar. Mesmo sem saber o que venha a ser Brasil, ele vira herói. Aos soldados, que defendem o Brasil, trata-se como vilões.
El Guapecón, como os padres, não tem mulher. Soldados têm mulher e filhos. Suas mulheres reclamam da falta de dinheiro para o leite, a roupa e a escola das crianças. Mães não aceitam ver seus filhos passarem fome.
A fim de resolver o problema dos soldados, proponho que seja-lhes proibido, como aos padres e a El Guapecón, de se casar.
El Guapecón, meu cão-de- guarda fiel e vira-lata, é castrado. Os soldados não.
Aí, haja pedofilia. É das poucas acusações que faltam impingir aos soldados!

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