2008 sem cassetete

Nunca se sabe direito o que nos reserva um ano que inicia. Certeza mesmo, é que em 2008 não conviveremos com a CPMF. Queria ter coragem de confessar-lhe, caro leitor, que sou favorável a essa contribuição. Gostaria até que fosse aumentada para dez porcento, desde que todos os impostos fossem extintos. Solução simples demais, lógica demais, óbvia demais, que não consigo comprovar com meus rudimentares conhecimentos de matemática. É apenas um feeling.
O estrangeirismo feeling aí de cima faz-me lembrar de um amigo que está esperançoso com o novo ano. Chama-se Jackson e odeia tanto seu nome, que se apresenta pelo apelido: “muito prazer, Jajá”. Diz que Jackson não é nome, no que está correto. No idioma inglês, é sobrenome. Tentou várias vezes mudá-lo, todas sem sucesso. Agora suas esperanças renascem. Em 2008, deverá ir a plenário projeto-de-lei que veta estrangeirismos, particularmente em documentos oficiais. Como certidão de nascimento é documento oficial, Jajá não precisará nem de advogado para dela tirar o estrangeiríssimo Jackson.
Apesar da alegria por ver um amigo esperançoso, não deixei de estranhar a idéia de preservar a soberania nacional entre os argumentos do propositor da nova lei. Ora, a soberania nacional é conquistada, entre outras coisas, pelo desenvolvimento científico-tecnológico. Basta lembrar de algumas palavras estrangeiras que já fazem parte do nosso vocabulário: telefone, celular, rádio, televisão, computador, internet, software, hardware. São inventos de sociedades que investem em pesquisa e depois nos exportam os produtos e, logicamente, os nomes. Enquanto isso, nossos legisladores ficam a produzir leis que só servem para comprovar nosso atraso, pelo qual eles são, em grande parte, responsáveis (ou não são?).
A esta altura, Jackson, o Jajá, deve estar perguntando: e como fica o meu nome-sobrenome? Se a lei for aprovada, Jajá será uma das duas razões para ficarmos felizes. A outra dependerá do chamado “espírito da lei”. Se for discriminatória e abranger apenas palavras inglesas, o que é uma tendência da esquerda nacional, tremendamente influenciada pelos filósofos franceses, não haverá outro motivo para comemorar. Mas, se abranger todos os idiomas, a felicidade se estenderá aos arruaceiros que se infiltram nas torcidas organizadas a fim de cometer atos de vandalismo. Contra eles, a polícia não poderá mais usar seus cassetetes. Esse galicismo, que traduzido para o português significa quebra-cabeças, parece ter sido um dos últimos avanços tecnológicos inventado pelos franceses. No mais, eles ficam a criar leis bizarras, que a esquerda brasileira adora copiar.
Aproveito para, enquanto é permitido, enviar a você meus melhores votos de Happy New Year.

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