Os burgueses do MST

“Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que, um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada” (Do poema “No caminho com Maiakovski”, de Eduardo Alves da Costa).
É provável que, nos dias de hoje, nosso poeta fluminense escrevesse: “Primeiro, invadem fazendas. Mas você não diz nada. Você não é fazendeiro. Em seguida, em Porto Alegre, degolam um soldado da Brigada Militar. Você se cala, pois não é brigadiano. Mais tarde, bloqueiam rodovias. Novamente você não se importa. Afinal, não usa aquela estrada. Aí, passam a saquear caminhões. Não lhe interessa. Você não é caminhoneiro. Depois, invadem e depredam o Congresso. Você, que não é deputado, quase aplaude. Se um dia invadirem sua casa e dela o expulsarem, já será tarde. Ninguém se importará com você. Porque não disse nada, já não poderá dizer nada”.
No último dia 25 teve início outra Jornada Nacional de Lutas do MST. Mais uma vez, a população anestesiada vira refém de bloqueio de estradas, invasão de cidades e ocupação de prédios. Ninguém questiona que o MST use recursos públicos para realizar tamanha mobilização e receba dinheiro do governo para protestar contra o próprio governo e infernizar a vida das pessoas.
Um amigo muito espirituoso disse-me ser a favor da reforma agrária, desde que todo assentado, além da terra, receba um japonês para cultivá-la. Brincadeiras à parte, acredito que 90% dos brasileiros, entre os quais me incluo, são favoráveis à reforma agrária. O que não consigo é concordar com a violência nem com a pregação da luta de classes à qual, segundo matérias da imprensa, são submetidos os “sem-terrinha”.
Uma liderança declarou que um dos objetivos da recente Jornada é protestar contra a política de Lula que visa produzir álcool para abastecer os “carros da burguesia”. Acredito que, na lógica do ódio da doutrinação revolucionária, exista uma gradação. É quase certo que o termo “burguesia” seja empregado somente por quem já ostenta o título de “doutor”.
O que preocupa é desconfiar que alguns “doutores” do movimento estejam incluídos nos 10% de brasileiros que não anseiam pela reforma agrária. Seus objetivos são outros. No mínimo, garantir o bom emprego de dirigente do MST, cargo que não impõe prestar contas a qualquer órgão oficial. A maioria tem casa própria, já ganhou sua terra e até carro possui. É válido imaginar serem burgueses como você, caro e motorizado leitor. O que fazem então no MST? Por que não estão cultivando seu pedaço de terra? Pelo visto, aguardam a chegada do japonês.

Deixe um Comentário