Mônica’s

Recebi alguns e-mails sugerindo que escrevesse sobre o papel de capitão-do-mato desempenhado pelo nosso governo na caça aos boxeadores cubanos. A se louvar, a presteza do Ministério da Justiça e do Itamaraty no atendimento à vontade do “diretor da ilha-presídio”. O estranho tem sido a quase mudez dos defensores dos direitos humanos. Até mesmo um famoso senador, sempre atento a coisas do gênero, anda calado. Que saudade do tempo em que ele dormia na prisão em solidariedade a chilenos, camaradas seus, que haviam seqüestrado um empresário brasileiro! Se pessoas como essas estão omissas, quem sou para falar sobre assunto tão confuso?
Prefiro comentar o que li sobre a escolha do novo Ministro da Defesa. Uns disseram que alguém do ramo, um militar, seria a solução mais inteligente. Outros afirmaram que o melhor seria mesmo um civil. Quem se posicionou assim veio logo com a observação de que os militares, até hoje, não aceitaram um ministro paisano. Por ser do ramo, permitam-me discordar. Desde sua criação, o Ministério da Defesa tem contado com a boa-vontade de milicos de todos os escalões. Lealdade, disciplina e apoio não têm faltado.
A aventura extraconjugal do senador Renan Calheiros com Mônica Veloso serve para ilustrar a lealdade dos militares. Tempos atrás, um ministro recém-nomeado trouxe a tiracolo sua “Mônica” e deu-lhe de presente um cargo de confiança, com vencimentos superiores a de general-quatro-estrelas. Os militares estranharam. Nenhum reclamou. Nem delatou. Calados como sempre, continuaram cumprindo seu dever, leais ao novo chefe. Ser civil nunca foi motivo para que o Ministro da Defesa fosse rejeitado. Mas, convenhamos, um pouco de ética tornaria a convivência mais amigável.
“Agora vai”! Creio ser esse o sentimento que, outra vez, permeia desde baias remotas até acarpetados gabinetes em Brasília. Todos torcem para que, além de competente, quem assume a Pasta seja compromissado com as Forças, lute por sua operacionalidade e pela recuperação dos soldos defasados. Que não quebre a hierarquia e se alie a amotinados, agravando sérios problemas, como o caos aéreo.
A Amazônia e a defesa da nação têm que interessar a todos os brasileiros, declarou o novo Ministro. Foi um alento. Sua preocupação com o espaço entre poltronas de aviões, nem tanto. Claro que, se isso for muito importante para o Brasil, ele contará com a ajuda das três Forças.
É essencial que o Ministro da Defesa possua visão estratégica. Ele precisa entender que um país, para vencer pela força, tem que ser forte. Para vencer pela negociação, necessita ser duplamente forte. Até boxeadores sabem disso. Pobres boxeadores!

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