Pan – a vingança do Almirante

Piadas sobre governantes são imperdíveis. Veja a última que ouvi sobre o atual mandatário, ironizando sua vocação para viajante e sua aptidão para comparar-se ao Criador: “Lula e Deus são semelhantes. Só há uma diferença. Deus está em todos os lugares; nosso presidente já esteve”.
Algumas viagens presidenciais tornam-se inesquecíveis. A recente, ao Rio de Janeiro, para a abertura dos Jogos Pan-americanos, será uma delas. Não apenas pelo belo espetáculo proporcionado pelos organizadores e por milhares de voluntários, mas principalmente pelas vaias.
As vítimas foram as delegações dos Estados Unidos de Bush, pela guerra do Iraque; da Venezuela de Chávez, pela ameaça à democracia; da Bolívia de Evo, pela garfada que deu na Petrobrás; e da Argentina de…. Bem, da Argentina, pelo futebol. Até aí, tudo mais ou menos dentro do script, apesar de ser falta de educação ofender alguém que se convida para ir à nossa casa.
A surpresa ficou por conta do apupo antipresidencial, a ponto de sua excelência não poder cumprir o protocolo, declarando abertos os jogos. Vaiar era tudo que não caberia na cerimônia. Não era o momento. O silêncio teria sido mais apropriado. Entretanto, já é fato consumado.
Cabe aos ideólogos do partido da situação fazer as conseqüentes ilações. Pelo visto, está desfeito o mito de honestidade com que seus integrantes se apresentavam antes de chegar ao poder e está se esgotando a paciência e a complacência dos brasileiros com tantas notícias de corrupção.
Parece que os atuais governantes estão colhendo o que plantaram. As vaias do Maracanã nos remetem ao tempo em que, na oposição, eles eram verdadeiros estraga-festas. Recordo das comemorações dos quinhentos anos do descobrimento do Brasil, quando se uniram a índios, sem-terra e sindicalistas para bloquear a BR 367, entre Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália. Ante a real ameaça de agressão física, muitos convidados nacionais e estrangeiros deixaram de comparecer à cerimônia que relembraria a chegada das naus cabralinas. As reivindicações poderiam até ser justas. O momento é que não era adequado.
De qualquer forma, os manifestantes conseguiram o que queriam – lotaram as páginas dos jornais. Pedro Álvares Cabral quase virou nota de rodapé. Para vingar-se, é possível que o almirante lusitano tenha voltado no último dia treze para insuflar o Maracanã lotado.
O Maraca não é bobo. É apenas malcriado. Dizem que apupa até minuto de silêncio. Se bobear, inclusive Deus é vaiado. Se fosse educado, teria aplaudido os não-remunerados voluntários que ajudaram a fazer um grande espetáculo. Aí, talvez, algumas das nossas autoridades se mancassem.

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