Parabéns, senhora Maria da Luz

Você conhece Maria da Luz? Muitos responderão “sim, é aquela que, em 1976, quando casou-se com o saudoso Ito Séra, mudou de São Paulo para a Lapa”. Membro atuante da comunidade, ela divide o seu tempo dando aula nos colégios General Carneiro e São José e no Kumon. Ainda auxilia, como ministra da eucaristia, a paróquia de Santo Antônio e cuida da mãe, que mora com ela ali na esquina da rua Barão do Rio Branco com Nossa Senhora do Rocio.
Mas não é dela que vamos falar. É sobre sua mãe, que também se chama Maria da Luz. Por duas razões, ela é menos conhecida. Primeiro, porque mora na Lapa há apenas seis anos. A segunda, porque quase não sai mais de casa. Pudera, ela completa noventa e cinco anos de idade neste 12 de novembro!
Quem a vê agora sequer imagina quanta energia tinha essa lapeana que saiu daqui em 1924 para casar-se com o gaúcho Elpídio Pereira Dias. E não é que o Elpídio era chegado numa “revoluçãozinha”? Participou das de 30 e 32, perambulando pelos sertões paranaenses, naqueles tempos em que nem estrada havia. E dona Maria junto. Viajando em carroça ou no lombo de um cavalo, dormindo em barracas ou debaixo da ponte, sob sol ou chuva, lá estava ela, corajosa, ao lado do marido, para o que desse ou viesse. Nem balas perdidas a amedrontavam. As cidades onde os filhos nasceram dão uma idéia dos caminhos percorridos pelo casal: três em Ortigueira, um em Itapeva e dois em Londrina.
Depois de uma vida de muita aventura, decidiram fixar-se na capital paulista, para poder criar e educar os seis filhos – Antônio, Élida, Vildenei, Idema, Maria da Luz e Luís Carlos. Você acha muito? Pois bem, ainda havia a Zoraide, a Maria, a Helena e o Jorge, todos filhos de criação (e de coração).
Os filhos foram casando, chegaram vinte e seis netos, trinta e cinco bisnetos e quatro tataranetos, atualmente espalhados Brasil afora. Todos gostariam de estar aqui, para vê-la apagar as noventa e cinco velinhas. Mas seria muita emoção. Por conselho médico, virão apenas os que moram em Curitiba. Não fora isso, a parentada toda viria e a Lapa seria invadida por gente de Curitiba, Brasília, Cuiabá, Caxias do Sul, Natal, São Paulo, Londrina e Campinas.
O interessante é que após a morte de Elpídio, reacendeu em dona Maria da Luz o espírito cigano que a fizera acompanhar o marido sertões afora. Apesar de que a idade já estivesse avançando, ela fazia questão de visitar todos os parentes. E ia de ônibus mesmo. Avião era caro. Brinca-se, em família, que ela chegava com suas economias no guichê da rodoviária e pedia: “me dá cem reais de passagem”. Com isso, conseguia passar, ao menos uma vez por ano, alguns dias na casa dos filhos e netos que moravam longe de São Paulo.
Noventa e cinco parabéns, Vó Maria, e noventa e cinco vezes obrigado pelo belo exemplo de vida.

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